Tecnologias assistivas destinadas à orientação espacial, identificação de obstáculos e guiamento de pessoas com deficiência visual

Palavras-chave: Tecnologia Assistiva, Orientação Espacial, Acessibilidade

Resumo

Estima-se que 1,3 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência visual, o qual interfere diretamente na percepção espacial do ambiente. Esta impacta na orientação espacial e na autonomia do indivíduo, condicionando as formas de deslocamento. Tendo em vista o número de pessoas com deficiência visual e a falta de implementação de Tecnologias Assistivas (TA)de forma massificada, pode-se afirmar, que há uma considerável quantidade de indivíduos com dificuldades de orientação espacial, e consequente comprometimento de locomoção no percurso almejado, devido a obstáculos impostos pela sociedade. Nesse contexto, o objetivo desse estudo foi analisar as ferramentas existentes, as chamadas tecnologias assistivas, que auxiliam na orientação espacial, assim como na identificação de obstáculos e no guiamento no caminho desejado, tanto em áreas internas, como em áreas externas às edificações. A metodologia seguiu as orientações dos itens de Relatório Preferidos para Revisões Sistemáticas e Meta-Análises (PRISMA) utilizando palavras-chave em concordância com o descritor booleano “AND”, como: blind; wayfinding; accessibility; visual impairment e assistive technology. Inicialmente foram encontrados 1938 artigos, porém com a aplicação dos filtros restaram 34 artigos para leitura completa. Após a leitura completa, 20 artigos foram incluídos para análise detalhada. Verificou-se que existem quatro tipos de TA sendo continuamente investigadas e aprimoradas: aplicativos, mapa tátil, piso tátil e cinto vibro tátil. Dessas, 75% das tecnologias se concentram em aplicativos voltados para orientação espacial, tendo como resposta a orientação espacial e/ou a redução considerável do percurso traçado, e consequentemente, no tempo estimado. Por fim, foi possível inferir que os aplicativos são as TA mais utilizadas atualmente, contudo, a ausência de uma tecnologia que funcione, simultaneamente, em ambientes internos e externos é um fato que ainda causa limitações para a autonomia nos deslocamentos das Pessoas com Deficiência (PcD) visual.

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Biografia do Autor

Bruno de Sousa Teti, Universidade de Pernambuco

Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), pós-graduando em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade de Pernambuco (UPE) e Mestrando em Construção Civil Pela Universidade de Pernambuco (UPE). Pesquisador do Núcleo de Segurança e Higiene do Trabalho – NSHT

Amanda de Morais Alves Figueira

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Ciências Humanas – ESUDA, pós-graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade de Pernambuco (UPE). Atualmente integrada como pesquisadora do Laboratório de Segurança e Higiene do Trabalho – LSHT

Lorena Maria da Silva Gonçalves, Universidade de Pernambuco

Graduanda em Engenharia Civil na Universidade de Pernambuco. Bolsista de Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI-A) CNPq-2018. Tema: Proposta de acessibilidade informacional a partir dos aspectos físicos, perceptivos e cognitivos, visando a inclusão da PcD à comunidade acadêmica. Monitoria Voluntária de Geometria Analítica. Escola Politécnica de Pernambuco, 2015.

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Publicado
2020-06-29
Como Citar
Vasconcelos, B., Teti, B., Figueira, A., & Gonçalves, L. (2020). Tecnologias assistivas destinadas à orientação espacial, identificação de obstáculos e guiamento de pessoas com deficiência visual. Gestão & Tecnologia De Projetos, 15(2), 52-68. https://doi.org/10.11606/gtp.v15i2.161697