Da alucinação na clínica ao ver alucinatório da imagem: um percurso etnográfico

Palavras-chave: Antropologia visual, Etnografia, Imagem, Doença de Alzheimer

Resumo

Seguir os fios que compõem a doença de Alzheimer, incluindo as linhas de fuga, foi o trajeto percorrido ao longo de minha pesquisa de doutorado. Neste artigo, mostro esse percurso etnográfico através das linhas e imagens com que fui tecendo a doença de Alzheimer como um campo de experiências e disputas, em que se constitui tanto um diagnóstico quanto um modo de subjetividade e uma estética. Das consultas médicas aos delírios, da medicina ao xamanismo e ponto de vista demente, as imagens me abriram para outras maneiras de ver e narrar a doença. E, ao longo desse trajeto, uma proposta etnográfica apareceu. O que a doença de Alzheimer me revelou do fazer antropológico? Pois à medida que a doença de Alzheimer ia sendo composta, tecia-se também uma etnografia.

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Biografia do Autor

Daniela Feriani, Universidade de São Paulo

Daniela Feriani é pós-doutoranda no departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), doutora (2017) e mestre (2009) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É pesquisadora no Grupo de Antropologia Visual (GRAVI / USP) e do Laboratório Antropológico de Grafia e Imagem (La'grima / Unicamp). Estuda a composição da doença de Alzheimer e outras demências como diagnóstico, experiência e estética a partir de autobiografias, blogs, ensaios fotográficos, vídeos, gestos e metáforas. E-mail: danielaferiani@yahoo.com.br

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Publicado
2019-10-24
Como Citar
Feriani, D. (2019). Da alucinação na clínica ao ver alucinatório da imagem: um percurso etnográfico. GIS - Gesto, Imagem E Som - Revista De Antropologia, 4(1), 14-49. https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2019.146843
Seção
Dossiê Artes e antropologias

Dados de financiamento