Pirometamorfismo ígneo na Bacia Potiguar, Nordeste do Brasil

  • Larissa dos Santos Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Programa de Pós-graduação em Geodinâmica e Geofísica
  • Zorano Sérgio de Souza Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Departamento de Geologia
  • Nilson Francisquini Botelho Universidade de Brasília; Instituto de Geociências; Departamento de Mineralogia e Petrologia
  • Rúbia Ribeiro Viana Universidade Federal de Mato Grosso; Departamento de Recursos Minerais

Resumo

Na Bacia Potiguar (NE do Brasil), rochas cretáceas (arenitos, siltitos, folhelhos, calcários) são intrudidas por corpos básicos do Paleógeno e Neógeno. Como resultado, formam-se buchitos, rochas pirometamórficas indicativas de pressões muito baixas e altíssimas temperaturas. Observações de campo permitiram distinguir buchitos claros (BCs) e buchitos escuros (BEs), os quais foram investigados com estudos de petrografia, microssonda eletrônica e difração de raios-X. Os BCs contêm abundantes clastos de quartzo circundados por acículas radiais de tridimita, além de fenocristais de sanidina e clinopiroxênio incluídos na matriz vítrea. Os BEs são compostos predominantemente por microcristais de Fe-cordierita (secaninaíta), mullita, armalcolita, ilmenita e espinélio, dispersos em uma matriz criptocristalina escura. Quimicamente, os BCs são mais ricos em SiO2 (~76,7%) e K2O (~5,7%) e empobrecidos em Al2O3 (~12,8%) em relação aos BEs (respectivamente ~51,5, ~0,2 e ~42,7%). Com base em diagramas da literatura, no hábito dos cristais (aciculares, alongados, às vezes ocos) e no significativo conteúdo de material vítreo, considera-se que o líquido formado pela fusão a ~1100 - 1150ºC de material sedimentar resfriou rapidamente a temperaturas elevadas e pressões abaixo de 1 kbar. Os resultados obtidos são relevantes em termos petrológicos e podem igualmente ter implicação econômica, já que grande número de corpos básicos intrude reservatórios de hidrocarbonetos.

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Publicado
2014-06-01
Como Citar
Santos, L., Souza, Z., Botelho, N., & Viana, R. (2014). Pirometamorfismo ígneo na Bacia Potiguar, Nordeste do Brasil . Geologia USP. Série Científica, 14(2), 121-138. https://doi.org/10.5327/Z1519-874X201400020007
Seção
Artigos