• Antonio Candido - Literatura e Transformação Social
    n. 35 (2019)

    É indiscutível a importância e a vitalidade do pensamento crítico e teórico do Prof. Antonio Candido, pensamento que acompanhou e acompanha de forma significativa pesquisas desenvolvidas no âmbito das imbricações entre literatura e vida social, literatura e história, literatura e transformação social. Estes temas, predominantemente presentes em suas reflexões, indicam uma sistemática atenção para o debate nacional brasileiro e latino-americano constituindo um pensamento autônomo e essencial que configura estética e historicamente os antagonismos que marcam as relações sociais no modo de produção capitalista.

    Os textos teórico-críticos e as análises literárias realizadas por Antonio Candido convocaram e continuam a convocar pesquisadores de literatura e das áreas das Ciências Sociais e Humanas a refletir sobre a existência humana, seus conflitos, suas contradições em universos que se movem entre o indivíduo e o coletivo, entre o subjetivo e a dimensão objetiva da realidade social. São muitas e múltiplas as referências que emergem desde “Brigada ligeira”, “Os parceiros do Rio Bonito”, “Ficção e confissão: estudo sobre a obra de Graciliano Ramos”, “Formação da literatura brasileira: momentos decisivos”, “O observador literário”, “Tese e antítese: ensaios”, “Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária”, “Introducción a la literatura de Brasil”,  “Vários escritos”, “Teresina etc”, “Na sala de aula”, “A educação pela noite e outros ensaios”, “O estudo analítico do poema”, “Recortes”, “O discurso e a cidade”, para citarmos alguns. Suas reflexões superam expectativas, geram debates muitas vezes acalorados, mas convidam, sempre, a todo e qualquer leitor, a se debruçar sobre as questões sociais tão profundamente implicadas, como não poderia deixar de ser, na esfera da produção literária.

    Em seu 35º número, Via Atlântica reuniu pesquisadores do Brasil, profundamente mobilizados pelas reflexões de Antonio Candido, gerações de ontem e de hoje que potencializam cotidianamente a força, o pioneirismo e a vitalidade do trabalho deste intelectual. Convidamos os leitores à prazerosa leitura dos artigos deste número da Revista Via Atlântica, na expectativa de que possamos seguir, todos, sociedade e academia, adiante na defesa da construção crítica e da produção de conhecimento no Brasil.

  • n. 34 (2018)

    Discussões em torno do livro e do jornal existem, na Europa, desde o final do século XVIII. No Brasil, esse debate estimulou a produção de gêneros híbridos, mais ou menos situados entre o fato e a ficção, entre a verdade e a verossimilhança, desde o início dos Oitocentos.

    Em seu 34º número, Via Atlântica reuniu pesquisadores do Brasil e do exterior, debruçados sobre a produção híbrida em diversos suportes, dentro e fora do país. Convidamos os leitores a percorrer os diversos meandros da palavra, capaz de nos conduzir para além de noções mais estreitas de verdade, honestidade e realidade.

  • Via Atlântica nº 33 n. 33 (2018)

    Neste volume, apresentamos a queerização de obras e seus criadores
    canónicos, ou ainda a ressureição de obras e autor@s esquecid@s e outr@s
    minoritári@s, sem nenhum critério preconcebido, temática explícita ou biografia
    de autor, preferindo à celebração de uma diferença a insinuação de uma dúvida
    constante, a erosão insaciável, lúdica e política, das fronteiras convencionais entre
    homo e heterossexuais. Afinal, as práticas queer são o reflexo de
    uma resistência à homogeneização cultural, uma resistência mais firme perante os
    regimes da normalidade, nomeadamente a
    heteronormatividade, já que considerar ainda hoje a heterossexualidade como
    uma evidência comprova a força do pensamento straight.