Elementos protetores do leite materno na prevenção de doenças gastrintestinais e respiratórias

  • Adriana Passanha Universidade de São Paulo; Faculdade de Saúde Pública; Departamento de Nutrição
  • Ana Maria Cervato-Mancuso Universidade de São Paulo; Faculdade de Saúde Pública; Departamento de Nutrição
  • Maria Elisabeth Machado Pinto e Silva Universidade de São Paulo; Faculdade de Saúde Pública; Departamento de Nutrição
Palavras-chave: leite humano, gastroenteropatias, doenças respiratórias, aleitamento materno

Resumo

OBJETIVOS: identificar os elementos protetores do leite materno que atuam na prevenção de doenças gastrintestinais e respiratórias. FONTE DOS DADOS: a busca foi realizada nas bases de dados Bireme, Lilacs, Medline e Scielo, utilizando os descritores leite materno, doenças gastrintestinais e doenças respiratórias, com limites de idiomas (português, inglês e espanhol) e de período (1996 a 2009). Foram selecionados 46 textos por atenderem aos objetivos deste trabalho. SÍNTESE DOS DADOS: a IgA é imunoglobulina com maior capacidade protetora contra ambos os tipos de doenças, por sobreviver às mucosas intestinal e respiratória. O leite materno também possui outras imunoglobulinas, anticorpos, oligossacarídeos, lipídeos, peptídeos bioativos, entre outros constituintes exclusivos com mecanismos específicos que, além da proteção contra essas doenças, estimulam o desenvolvimento do sistema imune do lactente. Assim, nenhum outro leite possui essas propriedades e podem até ser a causa destas doenças. Campanhas e ações em Saúde Pública que incentivam o aleitamento materno devem ser continuamente desenvolvidas e estimuladas, considerando todos os benefícios que o mesmo proporciona.

Referências

Simon VGN, Souza JMP, Souza SB. Aleitamento materno, alimentação complementar, sobrepeso e obesidade em pré-escolares. Rev Saúde Pública. 2009;43: 60-9.

Lamounier JA, Vieira GO, Gouvêa LC. Composição do Leite Humano – Fatores Nutricionais. In: Rego JD. Aleitamento Materno. Rio de Janeiro: Atheneu; 2001.p. 47-58.

Ribeiro LC, Kuzuhara JSW. Lactação. In: Silva SMCS, Mura JD ́AP. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca, 2007. p. 293-318.

OMS – Organização Mundial da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde. Evidências científicas dos dez passos para o sucesso no aleitamento materno. Brasília; 2001.

WHO – World Health Organization. The optimal duration of exclusive breastfeeding: a systematic review. Geneva; 2001.

Abrão ACFV. Amamentação: uma prática que precisa ser aprendida. Pediatria (São Paulo). 2006; 28: 79-80.

Venâncio SI, Escuder MML, Kitiko P, Rea MF, Monteiro CA. Frequência e determinantes do aleitamento materno em municípios do Estado de São Paulo. Rev Saúde Pública. 2002; 36: 313-8.

WHO – World Health Organization. Global strategy for infant of young child feeding. Geneva; 2003.

Silva IA. Enfermagem e aleitamento materno: combinando práticas seculares. Rev Esc Enf USP. 2000; 34: 362-9.

Toma TS, Rea, MF. Benefícios da amamentação para a saúde da mulher e da criança: um ensaio sobre as evidências. Cad Saúde Pública. 2008; 24(Supl 2): 235-46.

Hanson LA, Telemo E. Immunobiology and epidemiology of breastfeeding in relation to prevention of infections from a global perspective. In: Ogra PL, Mestecky J, Lamm ME, Strober W, Bienenstock J, McGhee J. Mucosal Immunology. San Diego: Academic Press, 1999. p. 1501-10.

Betrán AP, Onís M, Lauer JA, Villar J. Ecological study of effect of breast feeding on infant mortality in Latin America. BMJ. 2001; 323: 1-5.

Venâncio SI. Dificuldades para o estabelecimento da amamentação: o papel das práticas assistenciais das maternidades. J Pediatr (Rio J). 2003; 79: 1-2.

UNICEF. Oficina de Uruguay, Ruandi, Ministerio de Salud Pública. Programa Nacional de Salud de la Niñez. Encuesta de lactancia, estado nutricional y alimentación complementaria en niños menores de 24 meses atentidos por servicios público y mutuales de Montevideo e interior del país / María Isabel Bove, Florencia Cerutti. Montevideo; 2007.

Brasil. Ministério da Saúde. Município que promove a amamentação promove a saúde. Prêmio Bibi Vogel. Pacto nacional pela redução da mortalidade materna e neonatal. Brasília; 2005.

Vieira GO, Silva LR, Vieira TO, Almeida JAG, Cabral VA. Hábitos alimentares de crianças menores de um ano amamentadas e não amamentadas. J Pediatr (Rio J). 2004; 80: 411-6.

Brasil. Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde. Dez passos para uma alimentação saudável. Guia alimentar para crianças menores de dois anos. Brasília; 2002a.

Devincenzi UM, Mattar MJG, Cintra EM. Nutrição no primeiro ano de vida. In: Silva SMCS, Mura JD ́AP. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca, 2007. p. 319-45.

Saliba NA, Zina LG, Moimaz SAS, Saliba O. Frequência e variáveis associadas ao aleitamento materno em crianças com até12 meses de idade no município de Araçatuba, São Paulo, Brazil. Rev Bras Saúde Matern Infant. 2008; 8: 481-90.

Hanson LA. Breastfeeding provides passive and likely long-lasting active immunity. Ann Allergy Asthma Immunol. 1998; 81: 523-37.

Teruya K, Coutinho SB. Sobrevivência infantil e aleitamento materno. In: Rego JD. Aleitamento materno. São Paulo: Atheneu, 2001. p. 5-20.

Edmond KM, Zandoh C, Quigley MA, Amenga-Etego S, Owusu-Agyei S, Kirkwood BR. Delayed breastfeeding initiation increases risk of neonatal mortality. Pediatrics. 2006; 117: 380-6.

Carbonare SB, Carneiro-Sampaio MMS. Composição do Leite Humano – Aspectos Imunológicos. In: Rego JD. Aleitamento Materno. São Paulo: Atheneu, 2001. p. 83-97.

Carneiro-Sampaio MMS, Silva MLM, Carbonare SB, Palmeira P, Delneri MT, Honório AC, Trabulsi LR. Breast-feeding protection against enter pathogenic Escherichia coli. Rev Microbiol. 1996; 27:120-5.

Costa COM, Queiroz SS, Nóbrega FJ, Vitolo MR, Sole D. Total proteins, albumin, globulin, immunoglobulins (A,M, G) and C3 complement fraction in the colostrum of adolescent nursing mothers of preterm infants. In: Nóbrega FJ. Humanmilk composition. São Paulo: Revinter,1996. p. 83-98.

Lönnerdal B. Regulation of mineral and trace elements in human milk: exogenous and endogenous factors. Nutr Rev. 2000;58: 223-9.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área de Saúde da Criança. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo-peso: método mãe-canguru: manual do curso. Brasília; 2002b.

Vinagre RD, Diniz EMA. O leite humano e sua importância na nutrição do recém-nascido prematuro. São Paulo: Atheneu, 2001. p. 142.

Feferbaum R, Quintal VS. Nutrição enteral do recém-nasido pré-termo. Pediatr Modern. 2000; 36: 133-40.

Fernandes RM, Carbonare SB, Carneiro-Sampaio MM, Trabulsi LR. Inhibition of enter aggregative Escherichia coli adhesion to Hep-2 cells by secretory immunoglobulin A from human colostrum. Pediatr Infect Dis J. 2001; 20: 672-8.

Novak FR, Almeida JAG, Vieira GO, Borba LM. Colostro humano: fontes naturais de probióticos? J Pediatr (Rio J).2001; 77: 265-71.

Jackson KM, Nazar AM. Breastfeeding, the immune response, and long-term health. J Am Osteopath Assoc. 2006; 106: 203-7.

Brown KH, Black RE, Romaña GL, Kanashiro HC. Infant-feeding practices and their relationship with diarrheal and other diseases in Huascar (Lima), Peru. Pediatrics. 1989; 83: 31-40.

Rego JD. Amamentando um prematuro. In: Rego JD. Aleitamento materno: um guia para pais e familiares. São Paulo: Atheneu,2002. p. 179-86.

Bernt KM, Walker WA. Human milkas a carrier of biochemical messages. Acta Paediatr. 1999; 88 (suppl 430):27-41.

Newburg DS, Ruiz-Palacios GM, Morrow AL. Human milk glycan’s protect infants against enteric pathogens. Annu Rev Nutr.2005; 25: 37-58.

Penders J, Thijs C, Vink C, Stelma FF,Snijders B, Kummeling I, et al. Factors influencing the composition of the intestinal microbiota in early infancy. Pediatrics. 2006; 118: 511-21.

Vitolo MR. Aspecto nutricional do leite humano. In: Anais do VII Encontro Paulista de Aleitamento Materno. São Paulo; 1997. p. 33.

Goldman AS, Ogra PL. Anti-infectious and infectious agents in human milk. In: Ogra PL, Mestecky J, Lamm ME, Strober W, Bienenstock J, McGhee J. Mucosal Immunology. San Diego: Academic Press,1999. p. 1511-21.

Nóbrega, FJ. A importância nutricional do leite materno. In: Rego JD. Aleitamento Materno. Rio de Janeiro: Atheneu, 2001.p. 59-82.

Gouvêa LC. Aleitamento materno. In: Lopez FA, Brasil ALD. Nutrição e Dietética em Clínica Pediátrica. São Paulo: Atheneu, 2003. p.17-36.

Xanthou M. Immune protection of human milk. Biol Neonate. 1998; 74: 121-33.

Honório-França AC, Carvalho MPSM, Isaac L, Trabulsi LR, Carneiro-Sampaio MMS. Colostral mononuclear phagocytes are able to kill enter pathogenic Escherichia coli opsonized with colostralIg A. Scand J Immunol. 1997; 46: 59-66.

Russel MW, Kilian M, Lamm ME. Biological actives of IgA. In: Ogra PL, Mestecky J, Lamm ME, Strober W, Bienenstock J, McGhee J. Mucosal Immunology. San Diego: Academic Press,1999. p.225-40.

Carbonare SB, Silva MLM, Palmeira P, Carneiro-Sampaio MMS. Human colostrum IgA antibodies reacting to Enteropathogenic Escherichia Coli(EPEC) antigens and their persistence inthe faeces of a breast-fed infant. J Diarrhoeal Dis Res. 1997; 15: 53-8.

Carvalho CF, Silva MGF. Avaliação do desmame precoce e suas implicações infecciosas nas crianças atendidas no ambulatório de um hospital terciário. Arq Ciênc Saúde. 2005; 12: 129-32.

Broor S, Pandey RM, Ghosh M, Maitreyi RS, Lodha R, Singhal T, Kabra KS. Risk factors for severe acute lower respiratory tract infection in under-five children. Indian Pediatr. 2001; 38: 1361-9.

Oddy WH, Sly PD, Klerk NH, Landau LI, Kendall GE, Holt PG, Stanley FJ. Breastfeeding and respiratory morbidity in infancy: a birth cohort study. Arch DisChild. 2003; 88: 224-8.

Kerner JA Jr. Use of infant formulas in preventing or postponing atopic manifestations. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 1997; 24: 442-6.

Wold AE, Adlerberth I. Does breastfeeding affect the infant’s immune responsiveness? Acta Paediatr. 1998; 87: 19-22.

Carvalho Júnior, FF. Apresentação clínicada alergia ao leite de vaca com sintomatologia respiratória. J Pneumol.2000; 27: 17-24.

August A, Mueller C, Weaver V, Polanco TA, Walsh ER, Cantorna MT. Nutrients, nuclear receptors, inflammation, immunity lipids, PPAR, and allergic asthma. J Nutr.2006; 136: 695-9.

Kalliomäki M, Ouwehand A, Arvilommi H, Kero P, Isolauri E. Transforming growth factor-beta in breast milk: a potential regulator of atopic disease at an early age. J Allergy Clin Immunol. 1999; 104: 1251-7.

Carbajal CC. Estado de salud en los niños lactados por más de 4 meses. Rev Cubana Pedriatr. 2000; 72: 275-80.

Savilahti E, Siltanen M, Kajosaari M, Vaarala O, Saarinen KM. IgA antibodies,TGF-beta1 and -beta2, and soluble CD14in the colostrum and development of atopyby age 4. Pediatr Res. 2005; 58: 1300-5.

Osterlund P, Smedberg T, Hakulinen A, Heikkilä H, Järvinen KM. Eosinophil cationic protein in human milk is associated with development of cow’s milk allergy and atopic eczema in breast-fed infants. Pediatr Res. 2004; 55: 296-301.

Pabst HF, Spady DW, Pilarski LM, Carson MM, Beeler JA, Krezolek MP. Differential modulation of the immune response by breast- or formula-feeding of infants. Acta Paediatr. 1997; 86: 1291-7.

Hawkes JS, Neumann MA, Gibson RA. The effect of breast feeding on lymphocyte sub populations in healthy term infants at6 months of age. Pediatr Res. 1999; 45:648-51.

Busse WW, Lemanske RF Jr. Asthma. N Engl J Med. 2001; 344: 350-62.

Hasselbalch H, Engelmann MD, Ersboll AK, Jeppesen DL, Fleischer-Michaelsen K. Breast-feeding influences thymic size in late infancy. Eur J Pediatr. 1999; 158: 964–7.

Publicado
2010-08-01
Seção
Revisão