Narrativas de unanimidade e diálogo em protocolos sinodais e hagiografias tardo-antigas

  • Luise Marion Frenkel Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Oralidade, oratória tardo-antiga, epistolografia, circulação de protocolos sinodais, administração imperial romana

Resumo

Analiso cenas de convocação nas cartas e protocolos circulados pela facção majoritária dos líderes cristãos reunidos em Éfeso em 431 d.C. atentando sobretudo à obliquidade das narrativas que contêm e aos aspectos verbais e não verbais a que se referem. Contrasto-as com as acusações e sanções mútuas, mencionadas nas cartas e panfletos dos representantes imperiais e dos líderes das facções litigantes, que corroboram ou enfraquecem a representação de consenso por meio de documentos escritos. Problematizo assim a narrativa em que são cumpridas as instruções imperiais de realização de discussões sobre assuntos de fé cristã baseadas no precedente de Nicéia, em unanimidade e diálogo e que obteve sanção imperial das decisões. Este estudo literário e histórico da função argumentativa dos protocolos sinodais tardo-antigos corrobora que, também nos exemplos em que há uma documentação mais ampla dos encontros de lideranças eclesiásticas, a representação dos eventos permanece parcial e que eles não são típicos de um fenômeno amplo. Por fim, a análise da credibilidade dos relatos das demonstrações populares e monásticas em Constantinopla, atentando aos aspectos não-verbais neles realçados, contribui ao estudo da circulação inicial de atas sinodais.

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Publicado
2013-06-27
Como Citar
Frenkel, L. (2013). Narrativas de unanimidade e diálogo em protocolos sinodais e hagiografias tardo-antigas. Letras Clássicas, 17(1), 84-96. https://doi.org/10.11606/issn.2358-3150.v17i1p84-96
Seção
Artigos