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O monstrum da Arte poética de Horácio

Marcos Martinho dos Santos

Resumo


Nos v. 1–40 da Arte poética, Horácio dá dois preceitos: um, relativo à consecução das partes e ao todo da obra; o outro, relativo à clareza das palavras e à elegância da parte; e, nos v. 24–8, aplica-os aos gêneros de discurso, a saber: ao delicado, ao grandioso, ao humilde e, ademais, ao breve. Ora, a julgar por Filodemo de Gádara, aqueles preceitos poderiam comparar-se aos de Neoptólemo de Pário relativos à poíesis e ao poíema, isto é, ao todo e à parte da obra, ou ainda, à obra longa e à curta. Assim também, aqueles gêneros de discurso poderiam comparar-se aos de um anônimo (Heraclides do Ponto?), que ao modo breve apõe o grave, o leve e o médio. Daí, porém, podem-se situar, de um lado, os v. 1–40 da Arte poética num debate entre Horácio e os poetas novos, que propugnaram pela obra curta e elegante, isto é, pelo poíema, e não pela poíesis, e pode-se sugerir, de outro lado, a partição da Arte poética de acordo com os demais preceitos de Neoptólemo, relativos à poietiké e ao poietés, isto é, à arte e ao artífice.


Palavras-chave


coerência do todo e elegância da parte; obra longa e obra curta; poesia, poema, poética e poeta; Horácio, Filodemo e Neoptólemo

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2358-3150.v0i4p191-265

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