É com muita satisfação que a Revista Leviathan lança o segundo número do Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI”. Devido ao grande interesse que os novos atores e movimentos de direita na América Latina e em outros países vem suscitando, bem como a qualidade dos trabalhos recebidos, o Dossiê foi dividido em duas partes. A segunda parte, na qual consiste esta edição, reúne duas reflexões a respeito dos diversos aspectos da atuação das direitas latino-americanas, um estudo de caso a respeito de um dos países mais importantes do subcontinente, o México, e uma resenha sobre o último livro do historiador Enzo Traverso: “Las nuevas caras de la derecha”.

Monica Nikolajczuk e Florencia Prego,  a partir de uma revisão bibliográfica acerca dos estudos produzidos sobre as novas direitas latino-americanas, procuram apontar núcleos de dissenso e consenso na literatura tendo em vista a definição de esquerda e direita a partir de uma matriz relacional vis-à-vis a díade igualdade-desigualdade popularizada por Noberto Bobbio; a caracterização dos atores que compõem e representam as novas direitas; e a relação entre direitas e democracia, e ao final avançam uma caracterização das novas direitas problematizando sua “novidade”. A partir de outra revisão bibliográfica acerca do tema, com enfoque nas dinâmicas partidárias, Jean Lucas Macedo Fernandes busca compreender como demandas conservadoras passaram a se expressar em termos partidários tendo em vista o avanço da democratização e as dinâmicas econômicas internacionais recentes, avançando no entendimento de que os partidos conservadores vem se adaptando com sucesso ao jogo democrático. A atuação de atores conservadores também é abordada por Tania Hernández Vincencio a partir da análise do papel desempenhado pelo Colegio de Abogados Católicos na direita mexicana no que tange às disputas interpretativas sobre a questão dos direitos humanos. Finalmente, Florencia Prego resenha a edição em espanhol do livro mais recente publicado por Enzo Traverso no qual o autor procura diferenciar fascismo, de neofascismo e pós-fascismo com o intuito de delimitar melhor o campo de atuação das novas direitas europeias.

Esperamos que as contribuições aqui reunidas possam auxiliar na reflexão acerca desta temática tão premente e desejamos a todas e todos uma boa leitura!

 

                                                                                     Camila Rocha

                                            Organizadora do Dossiê “Direitas latino-americanas no século XXI”

Publicado: 2017-11-30