Gêneros de texto/discurso e os desafios da contemporaneidade

  • Simone Maria Dantas-Longhi Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
Palavras-chave: gêneros textuais, gêneros discursivos, trabalho docente, multiletramentos

Resumo

NASCIMENTO, Elvira Lopes; ROJO, Roxane Helena Rodrigues (org.).Gêneros de texto/discurso e os desafios da contemporaneidade.Campinas, São Paulo: Pontes, 2014, 369p.

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Biografia do Autor

Simone Maria Dantas-Longhi, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP

Docente do Departamento de Letras da Universidade Federal de Viçosa;

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês da FFLCH-USP.

Bolsista de doutorado CNPq. 

Publicado
2015-12-01
Como Citar
Dantas-Longhi, S. (2015). Gêneros de texto/discurso e os desafios da contemporaneidade. Linha D’Água, 28(2), 190-193. https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v28i2p190-193
Seção
Resenhas

O projeto do livro "Gêneros de texto/discurso e os desafios da contemporaneidade" nasceu das reuniões do grupo de trabalho "Gêneros textuais/discursivos" da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), bem como dos encontros nacionais da ANPOLL (ENANPOLL) e dos Simpósios Internacionais de Estudos de Gêneros Textuais (SIGET). Os 16 capítulos do livro foram agrupados em 7 eixos temáticos que demonstram a abrangência dos estudos dedicados aos gêneros textuais e que contribuem para evidenciar a natureza dos trabalhos de cada seção. Conforme explicam as organizadoras, a publicação visa a "proporcionar aos leitores um painel múltiplo e diversificado de posturas, conceitos, perspectivas teóricas e metodológicas que abrem possibilidades de pesquisa e representam o atravessamento do conceito de gêneros textuais/discursivos no Brasil em distintas vertentes e abordagens" (Nascimento e Rojo, 2014, p.8).

O primeiro eixo temático é dedicado aos trabalhos sobre gênero e ensino de língua portuguesa. No primeiro capítulo, Terezinha da Conceição Costa-Hübes sugere um encaminhamento didático-pedagógico com o gênero crônica, tomando por base o método sociológico bakhtiniano para o estudo da língua. No segundo capítulo, Rosângela Hammes Rodrigues, argumentando em favor da noção de gênero para o ensino e a aprendizagem de língua materna, faz uma análise de como essa noção tem sido apropriada no ensino de língua portuguesa no Brasil. Trata-se de uma investigação de grande relevância para a compreensão da evolução da noção de gênero e as consequências de sua aplicação ao ensino de língua materna.

No eixo temático "Gêneros e ensino de língua estrangeira" Ana Paula Marques Beato-Canato e Vera Lúcia Lopes Cristóvão, discutem a compreensão e produção escrita em língua estrangeira na perspectiva do Interacionismo Sociodiscursivo e exemplificam essa abordagem com uma sequência didática elaborada para um público específico de estudantes de química de uma instituição de ensino técnico. No capítulo seguinte, Raquel Santos Lombardi e Marta Cristina da Silva analisam as propostas de produção oral de um livro didático de língua inglesa e concluem que a oralidade não é abordada adequadamente em uma perspectiva de gêneros. Solange Aranha, por sua vez, sustenta a tese de que as interações per se entre estudantes em Teletandem Institucional Integrado podem ser consideradas um gênero, uma vez que constituem-se como "movimentos retóricos realizados e compartilhados por uma comunidade que busca mecanismos de comunicação e linguagem comuns, recorrentes, dinâmicos" (Aranha, 2014, p. 113).

O terceiro eixo temático reúne capítulos sobre os gêneros na situação de trabalho educacional tendo por base o Interacionismo Sociodiscursivo. No primeiro capítulo, Elvira Lopes Nascimento propõe-se a refletir sobre o trabalho docente a partir dos gestos que configuram e reconfiguram o agir do professor. Eliane Gouvêa Lousada e Simone Maria Dantas-Longhi, por sua vez, abordam o desenvolvimento do professor e de sua atividade de trabalho em uma perspectiva vygotskiana, a partir de índices linguístico-discursivos desse desenvolvimento que surgem em entrevistas de confrontação realizadas com professores de francês, a "voz da fala egocêntrica" e a "voz da fala egocêntrica reconstituída". No terceiro capítulo desse eixo temático, Ana Maria Mattos Guimarães e Anderson Carnin apresentam alguns dos resultados de uma pesquisa-ação realizada em um contexto de formação continuada de professores de língua materna, discutindo a noção de gênero como instrumento psicológico. Nos três capítulos deste eixo temático, vemos que a noção de gênero tem contribuído para a compreensão do agir docente tal como se configura em textos produzidos em situação de trabalho e de formação.

O quarto eixo temático do livro concentra pesquisas sobre os gêneros na esfera acadêmica, sem perder de vista a formação de professores e pesquisadores. No primeiro capítulo, Luzia Bueno e Sandra Memari Trava mostram como a figura do professor é representada no Manual do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. Orlando Vian Jr, no capítulo seguinte, discute o papel dos gêneros do discurso no letramento acadêmico dos pesquisadores em linguística aplicada. Regina Celi Mendes Pereira e Raquel Basílio, por sua vez, apresentam o relato de uma experiência de didatização da resenha acadêmica em contexto universitário, discutindo os resultados de aprendizagem alcançados com a realização de uma sequência didática desse gênero.

O impacto das tecnologias digitais nas práticas discursivas também é objeto de estudos baseados na noção de gênero. No primeiro capítulo do eixo temático dedicado aos multiletramentos e à análise crítica de gêneros midiáticos, Rosineide de Melo e Roxane Rojo apoiam-se nas concepções bakhtinianas de gênero discursivo e arquitetônica somadas às práticas multiletradas a fim de discutir sobre a potência dessas concepções para a compreensão de enunciados produzidos em meio digital. No segundo capítulo, Désirée Motta-Roth e Patrícia Marcuzzo apresentam uma análise crítica de gêneros midiáticos de popularização da ciência, incluindo textos coletados em publicações eletrônicas em inglês voltadas para não especialistas.

Focalizando ainda as práticas discursivas mediadas pelo computador, o sexto eixo temático do livro apresenta duas pesquisas sobre leitura e escrita de gêneros em ambiente digital. No primeiro capítulo, Vera Lúcia Lopes Cristóvão analisa o uso da plataforma moodle em uma disciplina de licenciatura em inglês e em um curso de extensão em língua espanhola, a fim de classificar as atividades de leitura e escrita de gêneros publicadas na plataforma. No segundo capítulo, Antonia Dilamar Araújo traz alguns resultados de um estudo sobre o ensino de gêneros acadêmicos a estudantes de Letras-Inglês, discutindo os benefícios do uso de ferramentas digitais para o desenvolvimento de competências na produção escrita em meio acadêmico.

Enfim, no sétimo e último eixo temático do livro, reservado aos aspectos identitários em práticas sociais contemporâneas, Vera Lúcia Pires discorre sobre as identidades de gênero tais como representadas nas práticas discursivas da mídia publicitária.

Os estudos apresentados no livro "Gêneros de texto/discurso e os desafios da contemporaneidade" evidenciam a diversidade teórica e a abrangência das pesquisas sobre gêneros textuais/discursivos no Brasil. Dos estudos de ensino de língua para fins específicos à análise do trabalho docente, passando pelos multiletramentos, a atualidade e o refinamento teórico e metodológico das pesquisas apresentadas no livro fazem dele bibliografia essencial para pesquisadores, estudantes de Letras e Linguística e profissionais interessados em conhecer mais sobre esse campo de estudos.