Gêneros textuais e argumentação: propostas de ensino do artigo de opinião em livros didáticos

  • Bárbara Olimpia Ramos de Melo Universidade Estadual do Piauí, Teresina, PI
Palavras-chave: Gêneros Textuais, Livros didáticos, Ensino do Artigo de Opinião.

Resumo

O ensino de gêneros textuais argumentativos tem sido um desafio na Educação Básica, em especial do Ensino Médio. Diante disso, pretende-se analisar os livros didáticos - LDs - de Língua Portuguesa: Português Linguagens, de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães (LD1) e Português Vozes do mundo: literatura, língua e produção de Texto, de Lília Santos Abreu-Tardelli, Lucas Sanches Oda, Maria Tereza Arruda Campos e Salete Toledo (LD2) (ambos adotados no 1º ano do Ensino Médio), observando o tratamento dispensado ao ensino do gênero artigo de opinião. O estudo constitui-se de uma pesquisa bibliográfica de cunho analítico e descritivo. Objetiva-se ainda discutir as teorias referentes aos gêneros textuais, à argumentação e ao gênero artigo de opinião, buscando também examinar o tratamento dispensado ao gênero artigo de opinião quanto às propostas dos referenciais curriculares e ao manual do professor. Como suporte teórico, nos baseamos, principalmen-te, em Bakhtin (1997), Adam (2008), Marcuschi (2002), Bronckart (1999), Leal; Morais (2006), Reboul (2004), Antunes (2009), Rojo (2000). Verificou-se que os LDs apresentam poucos gêneros argumentativos, porém, o LD2 apresentou uma proposta mais adequada ao que recomendam as propostas teórico-metodológicas atuais, pois, comparado ao LD1, constatou-se que as propostas didáticas proporcionaram maior conhecimento acerca do artigo de opinião. Por fim, reiteramos que o instrumento Livro Didático é somente um meio ou ferramenta para mediar o processo de apropriação do conhecimento, pois as relações de aprendizagem professor/aluno/objeto de aprendizagem vão muito além daquilo explicitado nos manuais didáticos.

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Biografia do Autor

Bárbara Olimpia Ramos de Melo, Universidade Estadual do Piauí, Teresina, PI
Professora da graduação em letras e português e do mestrado em letras - Profletras.
Publicado
2015-12-01
Como Citar
Melo, B. (2015). Gêneros textuais e argumentação: propostas de ensino do artigo de opinião em livros didáticos. Linha D’Água, 28(2), 67-84. https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v28i2p67-84
Seção
Artigos originais

Introdução

A reflexão sobre os gêneros, bem como as perspectivas para seu ensino em língua materna e nos livros didáticos têm despertado o interesse de diversos estudiosos sob diferentes perspectivas teóricas. Podemos citar Bakhtin (1997) e Marcuschi (2008) com as discussões mais conceituais sobre os gêneros textuais, Reboul (2004), Adam (2008) com as discussões acerca da argumentação e a sequência argumentativa, Bronkart (1999) com a teoria do interacionismo sociodiscursivo, Antunes (2009) apresenta contribuições acerca do ensino de língua, dentre outros. Neste estudo, partimos dessas contribuições a fim de analisar o tratamento dispensado ao gênero artigo de opinião nos livros didáticos utilizados em turmas do 1° do Ensino Médio.

Bakhtin (1997) postula uma concepção de gêneros associada aos tipos de discursos relativamente estáveis constituídos em cada situação de uso da língua. Dessa forma, os discursos são construídos de acordo com a situação comunicativa na qual o indivíduo está inserido.

Investigando os gêneros da esfera do argumentar surgiu a necessidade de analisar o gênero artigo de opinião, uma vez que está presente em nossos discursos rotineiramente. Além do mais, é muito trabalhado no contexto do Ensino Médio por 'assemelhar-se' ao texto solicitado nas provas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio.

Para tanto, foram analisados dois livros didáticos, sendo um adotado em escola pública, e o outro em escola particular. Ambos estão sendo utilizados atualmente em escolas do município de Teresina-Piauí. A análise buscou investigar a forma como os autores apresentam atividades no livro didático referentes ao gênero artigo de opinião no contexto do Ensino Médio e ao manual do professor de cada um dos livros, bem como uma reflexão acerca do tratamento dispensado pelos referenciais curriculares.

Como suporte teórico, nos baseamos em Bakhtin (1997), Marcuschi (2002), Bronkart (1999), Reboul (2004), Adam (2008), Leal; Morais (2006), Antunes (2009), Rojo (2000), dentre outros.

Para alcançarmos os objetivos desta pesquisa, inicialmente foram debatidas as concepções teóricas sobre os gêneros textuais, em especial os da esfera do argumentar; o ensino da língua materna; o gênero artigo de opinião. Os livros didáticos constituíram o corpus para as análises e, por fim, foram apresentados os resultados da pesquisa.

1 Fundamentação teórica

1.1 Gêneros textuais

Os gêneros textuais são formas sociodiscursivas que circulam no meio social em uma dada esfera comunicativa. Usamos a expressão gênero textual quando diariamente nos deparamos com textos orais ou escritos que apresentam características sociodiscursivas definidas.

Bakhtin (1997) defende que o uso da língua se realiza através de enunciados orais e escritos. Assim, em cada situação de uso da língua surge a necessidade de uma manifestação comunicativa específica de acordo com o propósito, o momento e a situação em que ocorre a comunicação.

Em relação aos gêneros, Bakhtin (1997) também reconhece uma grande variedade dos gêneros orais e escritos tais como: a "réplica do diálogo cotidiano, o relato familiar, a carta, a ordem militar, o repertório das declarações públicas", dentre outros.

Dessa maneira Bakhtin descreve ainda três aspectos caracterizadores dos gêneros:

Esses três elementos (conteúdo temático, estilo e construção composicional) fundem-se indissoluvelmente no todo do enunciado, e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação. Qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos de gêneros do discurso. (BAKHTIN, 1997, p.158).

Dessa forma, os estudos realizados por Bakhtin (1997) reconhecem os enunciados como formas específicas de cada esfera comunicativa por seu conteúdo temático, estilo e construção composicional. Nesse sentido, os três elementos se materializam no todo do enunciado constituindo-se como especificidades de uma dada esfera comunicativa.

Nesse sentido, Bronckart (1999) destaca que à medida que esses discursos mediados pela língua se desenvolvem e se diversificam, essa diversificação tende a desenvolver-se em formas de organizações distintas ou em enunciados.

Marcuschi postula uma concepção sociodiscursiva no que concerne aos gêneros textuais: "São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa" (MARCUSCHI, 2002, p.19). Dessa forma, os gêneros textuais surgem conforme a situação e propósito comunicativo e se caracterizam como unidades de textos "maleáveis, dinâmicos e plásticos" que surgem de acordo com as especificidades socioculturais, inclusive, as novidades tecnológicas.

1.2 O ensino da língua materna e os gêneros textuais

Nos últimos trinta anos, em especial, o ensino da língua materna tem sido um objeto de estudo recorrente em pesquisas acadêmicas. Alguns dos resultados levam à conclusão de que o modo como a língua ainda vem sendo ensinada nas escolas reflete uma prática arraigada à perspectiva tradicionalista como método, a qual ensina apenas a norma culta da língua por meio da gramática predominantemente normativa.

Nesse sentido, vale ressaltar que a funcionalidade da língua reflete em como um indivíduo se manifesta na atuação verbal com outros sujeitos em uma determinada situação comunicativa. Por esses argumentos, fica claro que não está em questão dizer que a gramática normativa não seja importante, mas que o ensino não deve focar demasiadamente em regras gramaticais, pois o ensino da língua materna é um processo que envolve o funcionamento interativo da língua por meio da textualidade. Segundo Rodrigues (2002), o ensino de Língua Portuguesa se encontra fortemente associado ao ensino de normas gramaticais, de modo que aqueles que ensinam tais normas estão convencidos de que essas regras devem ser seguidas fielmente tanto pelos alunos como por todos que usam a escrita.

Dessa forma, o ensino de língua numa perspectiva dialógica é de fundamental importância, uma vez que o papel da escola é proporcionar ao aluno capacidades discursivas a fim de que aprimorem sua comunicação verbal de forma coerente nas diversas situações comunicativas que circulam no meio social, conforme Antunes declara:

[...] Já que não interagimos pelo uso de frases soltas, somente o sentido conferido pela funcionalidade das atuações discursivas pode emprestar relevância e aplicabilidade à atividade metalingüística de explicitação de regras e de padrões gramaticais. As frases têm sentido enquanto fragmentos dessas atuações e, aí, não estão soltas; interdependem-se (2009, p.175).

Nessa abordagem pode-se perceber que a interação humana opera de acordo com as ações discursivas, ou seja, não nos comunicamos pelo uso de frases soltas, mas pelo uso da língua de forma contextualizada e para atender a propósitos comunicativos claramente definidos. Dessa maneira é de extrema importância que docentes e pesquisadores reflitam acerca do processo de ensino da língua materna, verificando como a língua vem sendo ensinada na escola para, a partir dessa investigação, possibilitar um ensino voltado para suprir as expectativas de aprendizagem do discente.

No âmbito do ensino, o trabalho com os gêneros textuais, muitas vezes, se constitui de forma superficial, ou seja, não é dado ao educando o espaço de se colocar diante de questões discursivas em relação aos vários tipos de gêneros que lhe são apresentados em sala de aula, pois, percebe-se que os gêneros que são trabalhados nas escolas se resumem, muitas vezes, apenas às tipologias do narrar, do descrever e do dissertar. Assim, o aluno não reconhece que em um gênero textual existe uma intenção comunicativa, um contexto em que ocorre a comunicação e um propósito comunicativo.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Língua Portuguesa declaram sobre a finalidade do ensino:

[...] Quando se afirma,portanto, que a finalidade do ensino de Língua Portuguesa é a expansão das possibilidades do uso da linguagem, assume-se que as capacidades a serem desenvolvidas estão relacionadas às quatro habilidades linguísticas básicas: falar, escutar, ler e escrever (1997, p.35).

Dessa forma, em consonância com as perspectivas teóricas assumidas no presente estudo e com a diretrizes apontadas pelos PCN, a finalidade do ensino da língua materna está presente nas diversas formas de utilização da língua e tende a desenvolver as competências linguísticas para, assim, auxiliar no processo de letramentos.

1.3 A argumentação

No século XV a.C., na Silícia Grega, três concepções de argumentação foram bastante pertinentes para a análise dos gêneros textuais no campo da argumentação: a Retórica, a Lógica e a Dialética.

A primeira concepção, segundo Leal e Morais (2006), defende que a retórica "era um instrumento de defesa em julgamentos judiciais". Os sofistas ensinavam-na para os jovens que almejavam uma vida política e que não possuíam a habilidade para falar em público, pois era um instrumento de dominação, ou seja, a retórica é a arte do argumentar, do bem falar, ou seja, são "técnicas das palavras" que o indivíduo aprende para falar em público de forma persuasiva. Assim, à retórica estão relacionadas as habilidades discursivas sobre as quais um sujeito precisa ter domínio em face da argumentação em um dado contexto comunicativo.

A segunda concepção, relacionada à noção de Lógica, surge com o pensamento de Aristóteles sobre a abordagem argumentativa formal. Este chama atenção para os estudos sobre os silogismos implícitos (válidos ou inválidos), pelos quais investigava como as afirmações e os argumentos se constituíam nos respectivos silogismos, independente do contexto ideológico dos sujeitos, tendo em vista analisar elementos que fossem suficientes as condições lógicas e que fossem utilizados de forma universal em contextos distintos.

Se por um lado existe a Lógica formal, que visa uma relação de ligação na qual as conclusões se constituem necessariamente das premissas e que a conclusão é satisfatória para uma afirmação verídica, por outro, Toulmin (1958) enfatiza a Lógica informal, a qual se constitui dos "discursos naturais" em que não há uma relação de ligação necessária entre as "premissas e a conclusão". Dessa forma, a argumentação é "uma defesa de ideias não deduzidas necessariamente das premissas, pois as conclusões não são obrigatoriamente implicadas por elas" (LEAL; MORAIS, 2006, p.13). Dessa forma, a argumentação defende uma proposição, no entanto não há uma necessidade de estabelecer demonstrações entre as premissas e a conclusão.

A perspectiva Dialética apresenta um interesse pelos argumentos reais, dos quais se faz necessário que existam elementos num discurso argumentativo. São eles: um tema polêmico e uma proposição a ser defendida, argumentos que justificam ou contestam a proposição e um público que se opõe a defesa das ideias explanadas. Assim como Leal e Morais (2006) declaram:

[...] Na argumentação, usa-se a linguagem para justificar ou refutar um ponto de vista, com o propósito de assegurar concordância de visões. O discurso argumentativo é, nesse modelo de pensamento, sempre dialógico, pois é constante a presença de um interlocutor (p.17).

Nessa concepção, a argumentação apresenta-se de modo real, ou seja, de modo que o orador sustente sua tese por todos os prós e contras assegurando pontos de vistas comuns.

Após explanar sobre as concepções no âmbito da argumentação, Reboul (2004) também propõe cinco características essenciais da argumentação, quais sejam: a argumentação dirige-se a um público; interage através de uma língua natural; as suas ideias são verdadeiras; o seu desenvolvimento depende do orador; e as suas conclusões são sempre refutadas. Dessa forma, a argumentação é direcionada a um sujeito total, "ao ser que pensa, mas que também age e sente" (REBOUL, 2004, p.99).

Objetivando aprofundar as ideias sobre a argumentação, Adam (2008) apresenta em seus estudos a sequência argumentativa. Nestes estudos são defendidas a defesa de uma tese, uma proposição com demonstrações de argumentos para sustentação de uma ideia ou ponto de vista. Dessa forma, a sequência argumentativa prototípica abrange as seguintes etapas: uma proposição inicial, argumentos, os contra-argumentos e a conclusão, porém essas etapas não ocorrem de forma linear, assim, podem aparecer ou não no texto argumentativo.

1.4 Artigo de opinião

O gênero artigo de opinião está presente em muitas esferas comunicativas, seja em esferas jornalísticas, religiosas, científicas, filosóficas, políticas, dentre outras. Sobretudo é um gênero de caráter sociodiscursivo que circula em variados suportes.

O artigo de opinião é um gênero que visa defender um posicionamento sobre uma determinada temática, o qual relaciona um ponto de vista de um sujeito que pode ou não concordar com o tema abordado, conforme Rojo (2000):

O artigo de opinião é um gênero de discurso em que se busca convencer o outro de uma determinada idéia, influenciá-lo, transformar os seus valores por meio de um processo de argumentação a favor de uma determinada posição assumida pelo produtor e de refutação de possíveis opiniões divergentes. É um processo que prevê uma operação constante de sustentação das afirmações realizadas, por meio da apresentação de dados consistentes, que possam convencer o interlocutor (BRAKLING, 1998, apud ROJO, 2000, p.226).

Dessa forma, o gênero artigo de opinião busca fazer com que o interlocutor mude a sua opinião por meio da argumentação proferida acerca de um assunto polêmico.

O artigo de opinião é um gênero de extrema importância para o desenvolvimento discursivo do aluno, uma vez que é um gênero textual da esfera do argumentar que visa defender um assunto geralmente controverso, fazendo uso de argumentos e contra-argumentos. Assim, o aluno é capaz de se posicionar de forma crítica acerca de temas polêmicos que aparecem em seu meio social, possibilitando-o a se expressar de forma adequada em variadas situações.

Rojo (2000) busca ainda identificar as marcas linguísticas do gênero artigo de opinião, as quais se manifestam muitas vezes como: o discurso em terceira pessoa; o uso do presente do indicativo ou subjuntivo na exposição dos argumentos e contra-argumentos. Em relação aos articuladores argumentativos, esses elementos contribuem, dentre outras coisas, para a construção da argumentação.

2 Metodologia

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de cunho analítico e descritivo, em que se pretende investigar como os livros didáticos abordam o gênero artigo de opinião nas atividades de produção de texto. Para tanto, foram utilizados para análise comparativa: dois livros didáticos de Língua Portuguesa, atualmente adotados em turmas do 1º ano do Ensino Médio, sendo um de escola pública e outro adotado por escolas particulares de Teresina.

A pesquisa foi norteada pelos seguintes questionamentos:

  • De que forma o gênero artigo de opinião é apresentado pelos autores dos LDs?

  • Como as propostas as atividades referentes ao gênero em estudo são abordadas pelos autores nos LDs?

  • Como o gênero artigo de opinião se caracteriza nessas propostas?

Com o propósito de responder aos questionamentos desta pesquisa, foram investigadas inicialmente as teorias fundamentadas por alguns estudiosos, observando os gêneros textuais, a argumentação e as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

Nessa pesquisa, os LDs foram selecionados a partir dos seguintes critérios:

  1. Estar em uso no 1º ano do Ensino Médio;

  2. Ser um livro adotado em uma escola da rede pública de ensino de Teresina;

  3. Ser um livro adotado em uma escola da rede particular de ensino de Teresina.

Complementando a presente investigação, foi necessário, ainda, verificar os procedimentos e orientações para o docente no Manual do Professor de cada LD analisado.

3 Análise dos livros didáticos

Para a presente análise foram utilizados dois livros didáticos de Língua Portuguesa do 1º ano do Ensino Médio. O primeiro corresponde ao livro Português Linguagens de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, atualmente utilizado em escolas da rede pública de Teresina; o segundo livro Português Vozes do mundo: literatura, língua e produção de texto de Lília Santos Abreu-Tardelli, Lucas Sanches Oda, Maria Tereza Arruda Campus e Salete Toledo, é adotado por uma escola da rede privada.

3.1 LD1- Português linguagens

O LD1 adotado na rede pública de ensino de Teresina é dividido em quatro unidades, sendo cada uma delas composta por capítulos. O LD1 apresenta apenas três gêneros pertencentes à esfera do argumentar. São eles: um debate regrado público, um texto dissertativo-argumentativo e um artigo de opinião. Como é perceptível, o livro trabalha com poucas propostas argumentativas, bem como não as explora de forma satisfatória, conforme discutiremos a seguir.

Em relação ao livro do aluno, no capítulo 5, no subitem Produção de Texto, a proposta comunicativa é o uso do gênero artigo de opinião, pelo qual o aluno pode manifestar seu posicionamento sobre vários assuntos que circulam no meio social.

No mundo em que vivemos, com freqüência temos de nos posicionar sobre certos temas que circulam socialmente. Por exemplo: Os médicos têm o direito de interromper o tratamento de um paciente em estado terminal? Para responder a essas questões, são publicados em jornais, revistas e em sites da internet artigos de opinião, nos quais os autores expressam seu ponto de vista sobre certos temas.

Um tema polêmico que vem sendo muito debatido nos últimos anos, e tem dividido a opinião pública em geral, é a implementação dos sistemas de cotas para ingresso nas universidades. A propósito desse tema, leia, a seguir, um artigo de opinião de autoria da escritora Lya Luft. (p.346)

Neste fragmento anteriormente descrito, observamos, no primeiro momento, a apresentação da situação, com a qual o educando tem o primeiro contato com o gênero artigo de opinião, sendo capaz de identificar o grau de circulação no âmbito social e o contexto de produção ao qual está inserido, conforme Dolz e Scheneuwly: "A apresentação da situação é, portanto, o momento em que a turma constrói uma representação da situação de comunicação e da atividade da linguagem a ser executada" (2004, p. 99). Assim, a apresentação prepara o aluno para uma proposta inicial do gênero que pode ser explorado mais adiante em outros módulos. Em seguida, tem-se a produção inicial, a qual apresenta argumentos ou questões que ativam imediatamente os conhecimentos prévios do aluno com relação ao tema abordado.

Posteriormente, serão apresentadas algumas atividades, as quais expõem questões que buscam desenvolver no aluno as habilidades necessárias ao domínio discursivo do gênero artigo de opinião, escrito pela escritora Lya Luft, publicado pela revista Veja nº 2046, intitulado "Cotas: o justo e o injusto".

Na p.348, o livro do educando aborda questões referentes ao gênero em questão:

(3) Num texto de opinião, o autor normalmente fundamenta seu ponto de vista em verdades e opiniões (leia o boxe "verdade x opinião").

a) Identifique no texto verdades, isto é, dados objetivos que podem ser comprovados.

Resposta: A proibição de casamento entre protestantes e católicos e a "lei do boi".

b) Com que objetivo a autora cita essas verdades?

Resposta: Para compará-las com o sistema de cotas e defender sua opinião de que medidas desse tipo são injustas e discriminatórias.

Nesse exemplo, da atividade (3), os autores apresentam um boxe na p.348, o qual mostra argumentos que deixam clara a função de alguns instrumentos textuais os quais levam o aluno a perceber como esses instrumentos de estruturação estão presentes no artigo de opinião para, assim, identificar as proposições verdadeiras que compõe a tese defendida pela articulista.

Em conformidade a essa evidência da atividade (3), no LD1, Leal e Morais afirmam: "Nessa perspectiva, todo texto teria uma base argumentativa. Subjacente a tal postulado está a idéia de que a linguagem não é neutra e que usamos os recursos lingüísticos para apresentar e defender nossas concepções sobre o mundo e sobre a vida" (2006, p.20)".

Dessa forma, o aluno pode perceber, por meio desses argumentos, o posicionamento central, defendido pela articulista.

Na atividade (9) temos a seguinte proposta:

(9) Reúna-se com seus colegas de grupo e, juntos, concluam: Quais são as características do artigo de opinião? Respondam, considerando os seguintes critérios: finalidade do gênero, perfil dos interlocutores, suporte ou veículo, tema, estrutura, linguagem. (p.349)

A questão (9) finaliza com uma proposta comunicativa proporcionando ao alunado o desenvolvimento discursivo a fim de que possa identificar coletivamente e de forma clara as possíveis características e finalidades do gênero artigo de opinião.

Veremos, a seguir, que o tratamento dispensado aos gêneros textuais no manual do professor não condiz harmoniosamente com aquilo que é apresentado nas propostas comunicativas no livro do aluno.

Em Planejamento do texto, são dadas ao aluno orientações sobre variados aspectos que envolvem a produção do texto: qual é o gênero a ser desenvolvido e seus elementos constitutivos essenciais, qual o perfil do público a que se destina o texto, em que suporte e veículo o texto vai ser divulgado, qual a variedade ou registro lingüístico mais adequado à situação (p.417).

Embora este fragmento mostre que o manual do professor apresenta sugestões que orientam o professor na prática de ensino quanto à produção de textos dos alunos; a proposta apresentada no livro do aluno tem outra realidade, pois as propostas comunicativas referentes ao gênero artigo de opinião concentram-se, principalmente, nos argumentos e pontos de vista dos autores, ou seja, as propostas elaboradas pelos autores não desenvolvem no aluno uma competência discursiva no que se refere à elaboração de sua própria opinião sobre qualquer assunto. Vejamos um exemplo:

(1) A autora introduz o tema e seu ponto de vista sobre ele por meio de uma apresentação.

a) Qual é o tema do artigo de opinião lido?

Resposta: As cotas de ingresso em universidades para estudantes negros e /ou saídos de escolas públicas.

b) Identifique, no 2º parágrafo, o ponto de vista da autora?

Respostas: Segundo ela, o sistema de cotas estimula o preconceito racial e social. (p.348)

Neste exemplo, predomina o ponto de vista da autora e observa-se que os questionamentos levantados não levam em conta as ideias elaboradas pelo aluno.

Na p. 349, os autores apresentam uma proposta de produção do Gênero artigo de opinião:

Prepare-se para construir um artigo de opinião sobre o tema: A participação política dos jovens na web tem o mesmo valor que a participação política presencial?

Nessa proposta, é perceptível a tentativa de conduzir os alunos à reflexão sobre uma temática considerada atual e polêmica, entretanto não apresenta elementos suficientes para que o aluno construa a sua produção textual acerca da temática trabalhada. Assim, a atividade não proporciona ao aluno a competência discursiva adequada e a reflexão. Segundo Geraldi (2002) afirma:

Para se produzir um texto (falado ou escrito), é preciso que "se tenha o que dizer", haja "uma razão para o que se tem a dizer", se tenha para quem dizer o que se tem para dizer" e que o locutor se constitua como "sujeito que diz o que diz para quem diz (Geraldi (2002)p.54)

Assim, percebe-se que a atividade carece de mais elementos acerca do contexto de produção, bem como de uma clara definição do propósito comunicativo. Nota-se que tais lacunas poderiam ser sanadas sem grandes dificuldades e sem descaracterizar a finalidade das atividades apresentadas.

Quanto ao manual do professor, no LD1, os autores apresentam as respostas junto às atividades propostas para que auxiliem o professor ao ministrar os conteúdos programáticos pelo LD em questão, sem grandes reflexões, porém.

3.2 LD2 - Português vozes do mundo: literatura, língua e produção de texto

O LD2 analisado divide-se em três seções: literatura, língua e produção de texto, sendo que estas seções são compostas cada uma por unidades. O LD2 apresenta dois gêneros pertencentes à esfera do argumentar, sendo uma entrevista e um artigo de opinião. Conforme o objeto da presente pesquisa, analisaremos somente o capítulo destinado ao ensino do gênero artigo de opinião.

De acordo com o LD2, o gênero em questão apresenta-se no capítulo 8, na p.447 com a seguinte proposta:

O artigo que você vai ler foi publicado em um jornal de circulação nacional. Ele trata de um assunto que mobilizou muitas pessoas e provocou muita discussão nos meses que antecederam as eleições de 2010 no Brasil: o projeto de lei Ficha Limpa, que impedia a candidatura de quem estivesse em débito com a justiça.

Nesta proposta, inicialmente, é dado ao aluno conhecer e identificar, de forma contextualizada, o gênero artigo de opinião que aborda uma temática polêmica e apresenta dados bastante consistentes em sua tese.

Dessa forma, a contextualização dos argumentos presentes no trecho do LD2 contribui para mostrar ao aluno a situação de produção a qual a proposta se propõe no gênero artigo de opinião.

No item contexto de produção, os autores apresentam as seguintes propostas:

  1. No artigo de opinião, o autor defende um ponto de vista ao qual se dá o nome de tese. Qual é a tese defendida pelo autor?

  2. Veja a observação apresentada na seção do jornal na qual o artigo foi publicado. [...], Identifique os interlocutores envolvidos nessa situação comunicativa e responda: qual é o propósito de um recado como esse na seção indicada?

  3. Qual é a finalidade comunicativa de um artigo de opinião em relação ao leitor?

Na questão (1), podemos perceber uma proposta comunicativa que tende a desenvolver no aluno uma interpretação sobre a tese na qual se defende um ponto de vista do articulista, conforme Alves Filho constata:

[...], inseridos numa situação social e agindo de acordo com os papéis que desempenham na sociedade, os sujeitos constroem uma interpretação da situação na qual se encontram e respondem e ela com base nesta interpretação (2011, p.51).

Nesse sentido, entende-se que o contexto consiste em uma definição de acontecimentos numa dada esfera social pelos sujeitos em relação a uma situação apresentada.

Nas questões (2) e (3), podemos observar que a proposta dos autores se refere à definição do propósito e à finalidade comunicativa acerca do gênero artigo de opinião.

No item os sentidos do texto observam-se as seguintes propostas:

(4) No primeiro parágrafo do artigo, faz-se uma observação sobre aquilo que acabara de ser afirmado.

a) Que observação é essa e que palavra a introduz?

b) O segundo parágrafo amplia a observação. Justifique essa afirmação.

c) Cite dois fatos apresentados pelo artigo para explicar a afirmação do segundo parágrafo.

(5) Releia o 8º e o 9º parágrafos.

a) Por meio de que recurso argumentativo o articulista mostrou o ceticismo do brasileiro em relação ao fim da corrupção?

b) Segundo o autor, diante desse ceticismo, que impacto a nova lei pode trazer à maior parte da população?

Visto que é imprescindível os alunos desenvolverem a competência textual, a proposta apresentada pelos autores nas questões (4) e (5) corrobora para essa perspectiva, pois se constata que as propostas fornecem estratégias que contribuem para o desenvolvimento do aluno quanto à compreensão no sentido do texto, no qual o aluno tende a percorrer o texto diversas vezes, identificando os parágrafos específicos no artigo de opinião, conforme Antunes: "Compreender um texto é uma operação que vai além de seu aparato linguístico, pois se trata de um evento comunicativo em que operam, simultaneamente, ações linguísticas, sociais e cognitivas (2010, p.31)".

Dessa forma, a compreensão de um texto não acontece de forma isolada, mas contemplando vários componentes linguísticos e comunicativos.

(6) Ainda que reconheça a importância da lei, o articulista conclui, por meio de uma nova ressalva, que a Ficha Limpa não é suficiente para solucionar o problema global da corrupção. Transcreva uma frase da parte final do artigo que expresse essa idéia.

Na questão (6), a proposta dos autores tende a desenvolver no aluno a habilidade de transcrever um fragmento que esteja correlacionado à tese referente ao artigo de opinião.

No item os elementos de composição, os autores apresentam as seguintes propostas:

(7) Identifique o nível de linguagem empregado no artigo de opinião e assinale a pertinência desse uso no gênero de texto em estudo.

A proposta (7) visa desenvolver no aluno a capacidade discursiva e a definição da linguagem contida em um gênero artigo de opinião.

(8) As ressalvas que contribuem para a construção do ponto de vista do articulista são marcadas por certos termos. No primeiro parágrafo, esse termo é, porém. E no antepenúltimo parágrafo?

Na questão (8), os autores chamam a atenção do aluno quanto aos possíveis conectores que aparecem nos argumentos em relação ao artigo de opinião.

(9) Explique em que medida o sentido das palavras em destaque na frase a seguir expressa uma condição relacionada à idéia principal defendida no artigo.

Resta ainda que a nova lei passe pelo teste de sua aplicação efetiva para que, aí sim, possamos celebrá-la como um instrumento de combate à corrupção política.

A questão (9) pretende fazer com que o aluno reconheça o sentido das palavras destacadas, correlacionando o objetivo principal defendido pelo artigo de opinião.

A última proposta do item de Produção do gênero apresenta no LD2 na p.451:

Você irá escrever um artigo de opinião sobre padrões de beleza. Será que existe, de fato, um padrão de beleza a ser seguido? Que conseqüências o desejo de seguir esse padrão tem trazido?

Nesta última atividade, o aluno é incentivado a produzir um artigo de opinião, no qual deverá construir um ponto de vista baseado nas indagações destacadas na proposta citada acima. Essa atividade também traz textos de apoio e incentiva os alunos a buscarem outras fontes de pesquisa para auxiliar no contexto de produção do gênero em questão.

Com relação ao manual do professor do LD2, observa-se, inicialmente, um sumário pontuando os aspectos que serão trabalhados no manual do educador, em seguida, apresenta-se a proposta do livro, proporcionando uma reflexão acerca do processo ensino-aprendizagem.

O manual apresenta, ainda, discussões sobre as metodologias para que o professor desenvolva um ensino voltado para a prática de letramento e o trabalho com os diversos gêneros textuais, para, assim, trabalhar com os alunos a habilidade de expressão oral e escrita, tal como podemos observar no manual do professor do LD2:

"[...], tanto o trabalho de reflexão sobre a língua como o de literatura propõem o desenvolvimento de habilidades leitoras de textos escritos e orais que levam em conta o plano discursivo da língua" (p.5).

Dessa forma, o manual aborda cada aspecto de forma contextualizada com base em concepções teóricas, tendo em vista a realidade e as necessidades dos alunos.

Ao final do manual do professor, apresentam-se as respostas referentes às atividades aplicadas aos alunos, a fim de proporcionar ao professor uma visão mais ampla dos conteúdos elaborados no LD2.

4 Resultados

O corpus analisado referente ao livro "Português Linguagens", de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães apresentou dados que evidenciam ainda lacunas para o ensino do gênero artigo de opinião de forma a contemplar uma imersão adequada à apropriação do gênero.

Constata-se que o ensino do gênero artigo de opinião proposto pelo LD1 apresenta algumas lacunas, principalmente, no que diz respeito às orientações propostas pelos PCN no que se refere à garantia da adequada explicitação das condições de produção textual. Ainda, os autores do LD1 trabalham poucas propostas argumentativas, apresentando apenas três gêneros pertencentes à esfera do argumentar, além de não proporem a discussão com a profundidade necessária à adequada apropriação do gênero em estudo.

Com relação ao tratamento dispensado ao manual do professor, observa-se aspectos bastante distintos, uma vez que apresentam considerações que não estão presentes no livro didático do aluno. Por exemplo, no manual do professor, os autores trazem orientações que ajudam o professor no processo ensino-aprendizagem em relação aos gêneros textuais, porém, ao se analisar o livro do aluno, constatou-se que os autores não especificam o gênero artigo de opinião de forma clara para que o aluno compreenda seus elementos constitutivos.

Observa-se também, que o manual do professor menciona vários teóricos, tais como Bakhtin (1997), Schneuwly; Dolz (2004), Bronckart (1999), dentre outros. No entanto, as propostas apresentadas pelos autores no LD não seguem uma linha teórico-metodológica como é proposto por esses autores quanto ao tratamento que deve ser dispensado aos gêneros textuais.

Já o LD2, Português Vozes do mundo: literatura, língua e produção de texto, de Lília Santos Abreu-Tardelli, Lucas Sanches Oda, Maria Tereza Arruda Campus e Salete Toledo, apresentou, nos resultados discutidos, uma perspectiva teórico-metodológica melhor fundamentada.

Constata-se que o LD2 apresenta propostas que corroboram para o processo de ensino-aprendizagem, no que diz respeito ao modo como é trabalhado o gênero artigo de opinião, pois as atividades possibilitam um melhor desenvolvimento discursivo do aluno. Além disso, os autores apresentam questões que possibilitam o aluno reconhecer um gênero artigo de opinião não apenas pela sua estrutura ou características, mas pelo seu propósito e sua finalidade comunicativa.

Observa-se também que os autores propõem aos alunos o desenvolvimento de habilidades de interpretação de texto, pois estas trabalham aspectos fundamentais para a compreensão do gênero artigo de opinião, tais como o contexto de produção, os sentidos do texto e os elementos de composição.

O LD2, diferentemente do LD1, manifesta reflexões mais consistentes em relação às orientações contidas no manual do professor. Por um lado, pode-se perceber, por parte das propostas apresentadas pelos autores, um tratamento vinculado às orientações propostas pelos PCN. Bem como observa-se uma harmonia entre o que é colocado no LD do aluno com o que é proposto no manual do professor.

Conclusão

Por meio do livro didático o docente pode favorecer aos alunos o contato com variados gêneros textuais, utilizando-os como objeto de ensino. O livro didático, porém, é apenas um recurso para se trabalhar em sala de aula, ou seja, cabe ao docente buscar caminhos para que o aluno construa o seu conhecimento, proporcionando o desenvolvimento das competências linguísticas necessárias para compreender e produzir textos em variadas esferas sócio-discursiva. Entretanto, alguns livros didáticos ainda possuem lacunas quando se refere ao ensino da língua materna "Isto é, embora autores e editores estejam escolhendo bons textos, diversificados e representativos, não conseguem propor, a partir deles, atividades de leitura e de produção de textos efetivas e eficazes" (ROJO, 2003, p.16).

Através deste estudo foi possível observar as estratégias para o ensino do gênero artigo de opinião sob um olhar teórico e didático. Por meio dessa análise, verificou-se que ambos os LDs apresentam poucos gêneros da esfera do argumentar, porém, o LD2 apresentou uma proposta mais adequada ao que recomendam as propostas teórico-metodológicas atuais, pois, comparado ao LD1, constatou-se que as propostas didáticas proporcionaram ao aluno maior conhecimento acerca do gênero artigo de opinião.

Por fim, reiteramos que o instrumento Livro Didático é somente um meio ou ferramenta para mediar o processo de apropriação do conhecimento, pois as relações de aprendizagem professor/aluno/objeto de aprendizagem vão muito além daquilo explicitado nos manuais didáticos.

Referências

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