Da necessidade de edições críticas de grammaticas portuguezas publicadas no Brasil

um trabalho auxiliar à história das ideias linguísticas

  • Jorge Viana de Moraes Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
Palavras-chave: Gramaticografia;, Grammaticas Portuguezas;, Edições críticas;, História das Ideias Linguísticas

Resumo

O texto apresenta a necessidade de se criar e desenvolver uma linha de pesquisa em edições críticas de Grammaticas Portuguezas publicadas no Brasil entre os séculos XIX e XX, como auxílio à História das Ideias Linguísticas e à Gramaticografia brasileira. Apontam-se, neste sentido, alguns caminhos para a consolidação da tarefa filológica, stricto senso, na edição dessas grammaticas em nosso âmbito acadêmico, o que faz do presente trabalho um artigo programático. Para ilustrar, traz, também, pequenos exemplos de trabalhos que poderiam ser realizados em edições de textos de algumas principais gramáticas publicadas no Brasil no referido período.

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Publicado
2018-09-13
Como Citar
Moraes, J. (2018). Da necessidade de edições críticas de grammaticas portuguezas publicadas no Brasil. Linha D’Água, 31(2), 81-101. https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v31i2p81-101
Seção
Artigos originais

Introdução1

Há uma máxima utilizada pelos críticos textuais que resume muito bem o problema da transmissão de textos ao longo da história: “cópia é erro”. Quando observamos e comparamos textos, que, em tese, deveriam ser os mesmos, publicados pelos mesmos autores, mas que na prática divergem entre si de edição para edição por motivos diversos, essa máxima parece fazer pleno sentido. Talvez possa-se pensar que, com o advento da imprensa, o problema tenha sido resolvido. Mas não. Coelho (2013) adverte-nos justamente o contrário:

Se é verdade que após a invenção da imprensa, as formas de transmissão das obras mudaram, não é consequência necessária que os problemas relativos às modificações dos textos transmitidos terminassem. As denúncias são frequentemente feitas pelos próprios autores, que atribuem muitas das opções existentes nas obras aos impressores (COELHO, 2013, p. 712).

No que se refere às gramáticas publicadas no Brasil ao longo dos séculos XIX e XX, a situação não é diferente. A despeito dessa constatação, no entanto, desconheço que haja no Brasil, hoje, uma só linha de pesquisa que se dedique à edição crítica de textos gramaticais publicados entre nós.

Com a reabilitação dos estudos históricos relativos à língua nos últimos vinte anos do século passado (XX) e neste início de século XXI e, mais precisamente, com o aparecimento em nosso meio dos estudos historiográficos e, em específico, em História das Ideias Linguísticas, o trabalho com os textos gramaticais de diferentes décadas e séculos, com o devido tratamento crítico, se faz premente.

Tradicionalmente, na linha há duas correntes: a neo-lachmanniana (escolas alemã e italiana) e a neo-bédieriana (escola francesa), “[…] a edição crítica é tida como operação absolutamente necessária ao perfeito entendimento de um texto, ou à sua completa interpretação filológica, segundo critérios que melhor possam aproximá-lo da última vontade consciente do seu autor” (AZEVEDO FILHO, 1987, p. 16).

Para Spaggiari e Perugi (2004, p. 69) “uma edição crítica define-se como uma tentativa de dar conta dos fenômenos existentes, feita a partir daquilo que o editor conhece em torno das circunstâncias que os têm gerado”, embora não se tenha a ilusão de que o texto crítico poderá atingir o original em toda parte, com o mesmo nível de certeza (SPAGGIARI e PERUGI, 2004).

1 A edição crítica de textos gramaticais no âmbito da historiografia linguística: a epi-historiografia

Em meados do século XX, Serafim da Silva Neto (SILVA NETO, 1988 [1952], p. 251) chamava a atenção para uma das funções da Filologia Portuguesa, que era a do estudo da “doutrina dos gramáticos portugueses”. Sabe-se que há, atualmente, inúmeros trabalhos (embora fixados em outras bases teóricas) uns mais descritivos, outros mais interpretativos, publicados no campo da Historiografia Linguística e no da História das Ideias Linguísticas, assim como em Linguística Missionária, ou mesmo em Historiografia Linguística Portuguesa tanto em Portugal quanto no Brasil, que vem cumprindo este importante papel nos estudos gramaticográficos da língua portuguesa. Entretanto, à atividade de “edição de textos” que é, aliás, uma das tarefas previstas para a epi-historiografia linguística (cf. SWIGGERS, 2010, 2013a, 2013b)2, ainda não se deu a devida importância. Caso levada a cabo, o tratamento crítico de textos gramaticais, com certeza, viria auxiliar em boa medida os trabalhos realizados nos referidos campos historiográficos.

2 A edição crítica de textos gramaticais em Portugal

Em Portugal, esse trabalho, em parte, já vem sendo realizado por pesquisadores ligados à Universidade Católica Portuguesa, à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e à Universidade do Minho, nas respectivas figuras dos professores Amadeu Torres (1996); Amadeu Torres e Carlos Assunção (2000), Carlos Assunção (2000), Carlos Assunção e Gonçalo Fernandes (2007), Coelho (2013) e seus outros diversos colaboradores. Além de Franco e Silvestre (2012) ligados à Universidade de Lisboa; e de Paiva (2002), ligada à Universidade do Porto.

Amadeu Torres e Carlos Assunção (2000) publicaram a Gramática da Linguagem Portuguesa de Fernão de Oliveira - edição crítica, semidiplomática, i. é, paleográfica, e anastática, i. é, fac-similar, pela Academia das Ciências de Lisboa.3

Assunção (2000) deu à lume a importante gramática pombalina A Arte da Grammatica da Lingua Portugueza de António José dos Reis Lobato, com Estudo, Edição Crítica, Manuscritos e Textos Subsidiários, também pela Academia das Ciências, de Lisboa, em 2000.

José Eduardo Franco e João Paulo Silvestre (FRANCO; SILVESTRE, 2012) publicaram uma edição fac-símile, com introdução e edição atualizada e anotada da Gramática da Linguagem Portuguesa de Fernão de Oliveira pela Fundação Calouste

Gulbenkian. Da investigação de doutoramento de Maria Helena Paiva resultou (PAIVA, 2002) uma edição diplomática pensada para o tratamento computacional das gramáticas portuguesas quinhentistas (FRANCO, SILVESTRE, 2012).

Dizemos que o trabalho em Portugal vem sendo realizado “em parte” porque, como é possível notar, a maioria das edições ainda não são críticas e se centram sobre o primeiro instrumento linguístico que é a gramática de Fernão de Oliveira. Todas tendo unicamente como modelo a edição princeps4, impressa na oficina de Germão Galharde - impressor de origem francesa, que se estabeleceu inicialmente em Lisboa e depois em Coimbra -, sendo, portanto, edições monotestemunhais dessa obra.

Assunção e Fernandes (2007) fizeram a reedição fac-similar de o Methodo Grammatical para todas as Linguas (1619) de Amaro de Roboredo. Embora essa reedição não tenha sido especificamente crítica, mas fac-similar, sua justificativa se deu pelo fato de a reedição facsimilada, realizada anteriormente por Marina A. Kossarik (2002), não ter detectado “a omissão de um suplemento constituído por três páginas, no final da 1ª parte do Methodo, isto é, entre as páginas 78 e 79, intitulado Recopilaçam da grãmatica portugueza, e latina, pelas quais com as 1141 sentenças insertas na arte se podem entender ambas as línguas” (ASSUNÇÃO e FERNANDES, 2007 , p. vii), conforme esclarecem os autores. Tal ocorrência passou despercebida à pesquisadora russa devido ao fato de essas “taboadas” terem sido arrancadas de quase todos os exemplares disponíveis do Methodo, sendo, entretanto, mantido intactos, e, portanto, com os suplementos, apenas em dois exemplares, respectivamente localizados por Assunção e Fernandes (op. cit.) na Casa Forte da Biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, e na Washington University Library.

Os autores (tanto Kossarik, 2002, quanto Assunção e Fernandes, 2007, por exemplo) não tiveram como objetivo a edição crítica do texto de Roboredo, embora haja motivos suficientes, como veremos mais adiante, para dizermos que os trabalhos portugueses estejam bem mais adiantados, se comparados com os brasileiros, que sequer começaram.

2.1 A necessidade de mais edições críticas

Se fizermos uma incursão, ainda que breve, por este texto gramatical, veremos que ele também necessitaria de uma boa edição crítica. Logo no início do Methodo Grammatical, por exemplo, naquilo que Roboredo chamou de “Mostrador da Materia” ou o que, modernamente, denominamos “sumário”, é possível já verificar um erro, ou um primeiro lugar crítico, caso confrontemos a edição utilizada por Marina Kossarik, que é a da Biblioteca Nacional de Portugal, a antiga de Lisboa, com a utilizada por Assunção e Fernandes, pertencente ao fundo Philip Mills Arnold, Semeiology Collection, da Biblioteca da Universidade de Washington. Na edição facsimilada de Kossarik consta “mostardor da matéria”, no lugar de “mostrador da matéria”, como ocorre na “edição” facsimilada dos professores e pesquisadores portugueses.

O que mais chama a atenção neste pequeno exemplo, que forneço apenas a título de ilustração, é o fato de ambos os “exemplares”, teoricamente, terem saído da mesma edição, terem sido publicados no mesmo ano (1619) e pelo mesmo impressor, no caso, Pedro Craesbeeck. Então, o que explicaria a diferença, ainda que mínima pelo exemplo fornecido, entre ambos os testemunhos? Naturalmente, alguma intervenção houve entre um testemunho e outro. A explicação poderia ser dada tendo como base aquilo que Cambraia chama de “diferentes estados de uma mesma edição” (CAMBRAIA, 2005, p. 75). Ao comentar como normalmente ocorria o trabalho de impressão de livros ao longo da história editorial, esse autor afirma que

durante o processo de impressão, eventualmente, se faziam modificações na própria matriz, sem, no entanto, se destruírem os exemplares já impressos antes das referidas alterações: disso resulta a produção de exemplares, em uma mesma leva, que não são idênticos uns aos outros, caso em que se diz haver diferentes estados de uma mesma edição (CAMBRAIA, 2005, p. 75).

Há também um trabalho crítico recentemente realizado pelo grupo do professor Assunção na figura da investigadora Sônia Catarina Gomes Coelho (COELHO, 2013), que realizou a edição crítica, com estudos e notas à Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza de Jerônimo Soares Barbosa. A gramática filosófica de Soares Barbosa já havia sido anteriormente objeto de estudo do professor Amadeu Torres (TORRES, 2004, 2005)5, entretanto sem tratamento crítico.

Tal edição, todavia, levada a cabo pelo referido professor foi de tamanha importância para a gramatologia portuguesa até aquele momento que serviu de base para as citações de muitos trabalhos, dentre eles um artigo intitulado “A defesa perante Jerónimo Soares Barbosa nas Annotações à Arte da Grammatica Portugueza de Pedro José de Figueiredo”, em que Sônia Coelho, sua autora, se propõe a “um estudo global dos aspetos que estão na base do conflito teórico entre os dois gramáticos” (DUARTE, 2012, p. 237).

O professor Amadeu Torres (1924-2012) também publicou a Gramática Filosófica da Língua Portuguesa, de Bernardo de Lima e Melo Bacelar. Reprodução fac-similada da edição de 1783, com introdução e notas. Vê-se, por esses exemplos, que, mesmo em Portugal aonde o trabalho já se encontra mais adiantado em comparação com o Brasil, precisamos de mais edições críticas.

3 O trabalho a ser realizado o Brasil

No Brasil, muito trabalho ainda está por se fazer. Neste sentido, precisaríamos fazer o levantamento das gramáticas mais representativas dos dois períodos, já consolidados pela crítica especializada, que recobrem os séculos aqui considerados como: a) o período racionalista: de 1806 a 1881 e b) o período científico: de 1881 a 1941 (CAVALIERE, 2002). Essa fase compreenderia o que Cambraia denomina de recensão (lat. recensio), que se constitui “basicamente do estudo das fontes, com o objetivo de se compreender a tradição de um dado texto” (CAMBRAIA, 2005, p. 133), e a partir desse levantamento, em sequência, proceder à difícil tarefa de localização de seus testemunhos e a coleta das fontes6.

Como tarefa inicial, penso que os textos gramaticais merecedores de uma abordagem crítica, por serem os mais representativos desses períodos, seriam os seguintes:

  • a) do período racionalista: de 1806 a 1881

  1. Epítome da grammatica portugueza, de Antonio Moraes Silva;

  2. Compendio de Grammatica Portugueza, de Antônio da Costa Duarte;

  3. Grammatica elementar da lingua portugueza, de Filipe Benício de Oliveira Conduru;

  4. Compendio de Grammatica da Lingua Nacional, de Antônio Álvares Pereira Coruja;

  5. Grammatica Portugueza, de Francisco Sotero dos Reis;

  6. Grammatica Portugueza Philosophica, de Ernesto Carneiro Ribeiro;

  7. Grammatica Portugueza, Augusto Freire da Silva;

  • a) do período científico: de 1881 a 1941

  1. Grammatica Portugueza, de Júlio Ribeiro;

  2. Grammatica Portugueza, de João Ribeiro;

  3. Grammatica da Lingua Portugueza, de Pacheco da Silva Júnior e Lameira de Andrade;

  4. Grammatica Descriptiva, de Maximino Maciel;

  5. Grammatica Portugueza, Hemetério José dos Santos;

  6. Grammatica Portugueza, Alfredo Gomes;

  7. Grammatica Expositiva, Carlos Eduardo Pereira;

  8. Grammatica Expositiva da Lingua Portuguesa, Mário Pereira de Souza Lima.

Após ser escolhido e identificado quais são os testemunhos existentes do texto gramatical a ser trabalhado, deve-se obter uma cópia de cada testemunho. Por se tratar de testemunhos impressos, tanto a identificação quanto a cópia poderão ser inicialmente acessadas por meio da consulta a alguns catálogos de bibliotecas nacionais do Brasil, de Portugal e de países com que o Brasil mantinha/mantém relações próximas, tais como Espanha, Inglaterra, França, Itália etc., conforme orientação geral de Cambraia (2005). Outra fonte de consulta fundamental é o “catálogo” de Simão Cardoso (CARDOSO, 1994), que, obviamente, depois de iniciada as pesquisas poderá ser aumentado, consoante a localização de outros testemunhos em outras bibliotecas, públicas ou particulares. Podem-se inclusive adquirir exemplares que ainda se encontram disponíveis no mercado. Motores de buscas na internet também são de fundamental importância neste processo, desde que o pesquisador saiba o que e como procurar.

Uma vez escolhida a gramática com a qual se trabalhará e concluída as tarefas de localização e de coleta das fontes, poder-se-á proceder a uma “subfase” considerada “bastante árdua: a da colação (lat. collatio)” (cf. CAMBRAIA, 2005, p. 135), etapa em que se comparará os diversos testemunhos do texto gramatical escolhido, a fim de se localizarem lugares-críticos.

4 Normas de transcrição

Depois da análise de cada um dos exemplares é recomendável que se faça uma transcrição paleográfica do texto escolhido, respeitando escrupulosamente o original. Perante as gralhas ou erros evidentes, o ideal é ir tomando notas, para, no momento certo, os emendar. No momento seguinte, inicia-se, assim, a reflexão para o estabelecimento do texto crítico (COELHO, 2013).

Como salienta Coelho (2013), em torno de um documento, podem convergir interesses diversos, nomeadamente históricos, paleográficos, linguísticos, entre outros, dentre os quais ressaltamos o historiográfico. Todas estas vertentes, diz a autora, são de igual modo importantes. Sánchez-Prieto Borja (2011), por sua vez, ressalta que “[...] siendo legítimas todas ellas, solo una visión integradora permitirá lograr aquella vieja idea de la Filología, que no es otra que intentar comprender el texto y ayudar a los demás aentenderlo” (SÁNCHEZ-PRIETO BORJA 2011, p. 34-35, apudCOELHO, 2013, p. 56).

Movidos por este fim último, que é o de facilitar o acesso e compreensão do texto de uma determinada obra, e tendo consciência de que “el establecimento del texto crítico a partir del cotejo de todos los códices e impresos de una obra es incompatible con la transcripción paleográfica de un solo manuscrito o impreso” (SÁNCHEZ-PRIETO BORJA 2011, p.15 apudCOELHO, 2013, p. 56), o crítico precisará começar, nesta altura do trabalho, a ponderar os critérios de transcrição que deverá a adotar em sua edição. Outras boas indicações encontram-se em Cambraia (2005)7, com uma abordagem especial dada à edição crítica no capítulo seis da obra.

5 Exemplos ilustrativos da necessidade de edições críticas em Grammaticas Portuguezas

Seguem nesta seção exemplos de trabalhos a serem desenvolvidos na edição de algumas gramáticas do período contemplado. Os primeiros exemplos referem-se à Grammatica Portugueza, 1ª edição de 1881, de Júlio Ribeiro. Depois, seguemse exemplos da Grammatica Portugueza, 1ª edição de 1887, de Hemetério José dos Santos.

5.1 Grammatica Portugueza, de Júlio Ribeiro

Os exemplos, apenas ilustrativos, das lições apresentadas aqui são feitos a partir das edições que efetivamente tenho em mãos. É claro que para um trabalho mais verticalizado, com cada uma das obras gramaticais aqui apontadas, dever-se-á fazer um levantamento, senão exaustivo, pelo menos o mais completo possível das edições disponíveis.

1ª edição, 1881

2ª edição, 1885

7ª edição, s/d

12ª edição, 1914

5.1.1 Additamentos da 7ª edição, s/d

Em nota, já nos “additamentos”, o editor da 7ª edição da Grammatica Portugueza, de Júlio Ribeiro diz que “estes aditamentos se juntam aqui para satisfazer aos programas do ensino officcial”. Tais aditamentos referiam-se aos I sinônimos, homônimos, parônimos e antônimos e, II arcaísmos, neologismos e hibridismo, provavelmente inseridos após a reforma de Fausto Barreto em 1887. Os editores afirmam ainda que “muitas correções, que nesta edição aparecem pela primeira vez, pertencem ao professor José Feliciano, que especialmente reviu da pag 295 em deante”. E em tom de severa crítica, afirmam que tais correções “versam ellas principalmente sobre estropeamentos de textos, de citações e outros erros quasi todos cometidos pelo ‘pessimo revisor’ da 2ª edição” (Grammatica Portugueza, 7ª ed. s/d, p. 350). Na 12ª edição de 1914, essas críticas somem. Permanecem apenas a informação referente à necessidade dos aditamentos devido às exigências dos programas do ensino oficial.

5.1.2 Um primeiro lugar crítico

Na primeira página da Grammatica Portugueza de Júlio Ribeiro já encontramos um erro quanto à data de referência à obra de Whitney, Essencials of English Grammar, que será fundamental na nova perspectiva teórica introduzida pelo gramático brasileiro e que, como sabemos, fará escola e iniciará uma nova fase da gramaticografia brasileira. O erro refere-se à data de edição da gramática de Whitney, que n’a 1ª e 2ª edições são dadas como de 1877 e nas 7ª e 12ª edições são apresentadas como de 1887.

O erro é notório por dois motivos: primeiro porque a própria gramática de Júlio Ribeiro é de 1881, portanto, não poderia citar uma gramática que seria publicada seis anos mais tarde do que ela própria (1887); e segundo, porque, conforme podemos conferir, a 1ª edição da Essencials Grammar of English de Whitney é, conforme citado nas 1ª e 2ª edições da Grammatica Portugueza de Júlio Ribeiro, de 1877. Segundo pudemos apurar, uma segunda edição da Essencials Grammar de Whitney só seria publicada em 1882, as demais, em 1889, 1891, 1892, 1896; e uma edição moderna de 1988. Há também uma edição de 1897, mas não uma de 1887.

5.1.3 Exemplos de lugares críticos

Segue, apenas a título de ilustração, uma breve lista de lugares críticos encontrados inicialmente nos exemplares por nós compulsados:

I)

1885; p. i da 2ª edição - Prefacio: “Os erros de etymologia e de distribuição de materia que a critica honesta e illustrada de Karl vou Reinhardstoettner (1) e de Alexandre Hummel (2) descobriram na primeira edição de meu livro; corrigi-os eu n’esta segunda.”

s/d ; p. i da 7ª edição - Prefacio: “Os erros de etymologia e de distribuição de materia que a critica honesta e illustrada de Karl vou Reinhardstoettner (1) e de Alexandre Hummel (2) descobriram na primeira edição de meu livro; corrigi-os eu n’esta segunda.”

1914; p. i da 12ª edição - Prefacio: “Os erros de etymologia e de distribuição de materia que a critica honesta e illustrada de Karl vou Reinhardstoettner (1) e de Alexandre Hummel (2) descobriram na primeira edição de meu livro; corrigi-os n’esta segunda.”

II)

1881; p. 1 da 1ª edição - Introdução: “Um pouco mais tarde temos de aprender a entendel-as quando apresentadas á nossa vista manuscriptas ou impressas: temos de apresental-as...”

1885; p. 1 da 2ª edição - Introdução: idem

s/d; p. 1 da 7ª edição - Introdução: idem

1914; p. 1 da 12ª edição - Introdução: “Um pouco mais tarde temos de aprender a entendel-as quando apresentadas á nossa vista manuscriptas ou impressas; temos de apresental-as...”

III)

1885; p. 75 da 2ª edição: “... b) O verbo periphrastico formado com os tempos do verbo ter chama-se obrigativo, ex.: «Eu tenho de comprar»...”

s/d ; p. 69 da 7ª edição: “... b) O verbo periphrastico formado com os tempos do verbo ter chama-se obrigativo, ex.: Eu tenho de comprar...”

1914; p. 69 da 12ª edição: “... b) O verbo periphrastico formado com os tempos do verbo ter chama-se promissivo, ex.: Eu tenho de comprar...”

Obs.: Para finalizar esses breves exemplos referentes à Grammatica Portugueza de Júlio Ribeiro, é importante frisar que há disponível na Biblioteca Brasiliana da Universidade de São Paulo [ José Mindlin] um testemunho da 1ª edição dessa gramática todo anotado, ora a tinta, ora a lápis, com emendas e acréscimos, que sugerem ter ele pertencido ou ao próprio Júlio Ribeiro ou ao seu revisor. A partir desse exemplar, por exemplo, poder-se-ia ser levado a cabo a proposta de uma importante edição críticogenética8, tendo em vista seu valor heurístico, na qual, em tese, estaria registrado, in loco, o processo evolutivo do pensamento linguístico do autor.

5.2 Grammatica Portugueza, de Hemetério José dos Santos9

Em sua Grammatica Portugueza, Hemetério José dos Santos apresenta algumas modificações da 2ª edição para a 3ª edição. A 1ª edição é de 1887 (a que não tivemos acesso); a 2ª edição, de 1898 e a 3ª, de 1913: é a edição aumentada. Comparamos a 2ª edição com a 3ª.

2ª de edição, 1897

3ª edição de 1913

5.2.1 Phonologia, phonetica

Já no início da gramática, na parte em trata da Phonologia, phonetica, o autor apresenta os seguintes textos modificados. Essas modificações foram introduzidas pelo próprio autor na 3ª edição:

1898, p. 3 da 2ª edição: “4 - Os orgãos articuladores (pharinge, bocca e fossa nasaes) pouco ou nada se movem na producção das vozes.”

1913, p. 7 da 3ª edição: “4 - Os orgãos articuladores (pharinge, bocca e fossas nasaes) pouco ou quasi nada se movem na producção das vozes.”

5.2.2 Lição sobre os ditongos

Os exemplos dos ditongos são aumentados na 3ª edição (p. 8).

Na edição aumentada (1913, 3ª ed.), Hemetério dos Santos, ao tratar da pronúncia correta dos ditongos, acrescenta a seguinte passagem de advertência ao professor, não constante na 2ª edição, de 1898: “O professor fará um quadro dos diphtongos nasaes - irmãos, orphãos, orgãos, cidadãos, etc.; doações, nações, paixões, galardões, etc.; cães, pães, allemães, capitães, para diariamente corrigir semelhante vicio” (SANTOS, 1913, 3ª ed. aum., p. 9).

5.2.3 A respeito das guturais

1898, p. 3 da 2ª edição: “13 - As gutturaes se reproduzem na garganta: k e g.” 1913, p. 10 da 3ª edição: “13 - As gutturaes se reproduzem na garganta: k e pelo signal - g.”

5.2.4 Diferença na construção, invertendo termos:

1898, p. 4 da 2ª edição: “O elemento constitutivo da palavra, isto é, o phonema, em geral, fere o orgão auditivo, a sua representação symbolica só impressiona o ouvido por meio do aparelho visual”.

1913, p. 10 da 3ª edição: “O elemento constitutivo da palavra, isto é, o fonema, em geral, fere o orgão auditivo; a sua representação symbolica só por meio do aparelho visual é que nos impressiona o ouvido”.

5.2.5 Estilo do autor - Mudança na colocação pronominal:

1898, p. 5 da 2ª edição: “Ellas [as consonâncias] dividem-se, como as vozes, em liquidas puras, --lr; e liquidas nasaes, m-n.

1913, p. 9 da 3ª edição: “Ellas [as consonâncias] se dividem, como as vozes, em liquidas puras, l-r: e liquidas nasaes, m-n.

Obs.: Seria de muito valia se dessa gramática fosse feita uma edição crítica, haja vista ter sido ela objeto de edição aumentada pelo próprio autor ainda em vida, com significativas alterações. Com isso seria possível verificar a evolução do pensamento linguístico desse importante gramático brasileiro, maranhense, primeiro professor negro da então Escola Normal do Distrito Federal, que depois se tornou Instituto de Educação.

5.3 Grammatica da Lingua Portugueza, de Pacheco e Lameira

Com a Grammatica da Lingua Portugueza, de Pacheco e Lameira, não é diferente. Comparando a 2ª edição de 1894 com a 4ª edição aumentada, de 1913, podemos encontrar visíveis diferenças, que, por si sós, já justificariam uma edição crítica desse importante instrumento linguístico no âmbito dos estudos das História das Ideias Linguísticas. Vejamos algumas:

1894, p. 3 da 2ª edição: “O bacharel (bacculario)...”

1913, p. iv da 4ª edição: “O bacharel (baccalario)...”

1894, p. 4 da 2ª edição: “(sec.) X)...”

1913, p iv da 4ª edição: “(seculo X)...”

1894, p. 4 da 2ª edição: “designava o individuo que conquanto houvesse conseguido ordem militar, era ainda...”

1913, p. iv da 4ª edição: “designava o individuo que, conquanto houvesse conseguido ordem militar, era ainda...”

1894, p. 4 da 2ª edição: “(assisio); do sec. XVIII...”

1913, p. iv da 4ª edição: “(assisio); no século XVIII...”

1894, p. 4 da 2ª edição: “...Quanta maior fòr o numero...”

1913, p. v da 4ª edição: “...Quanto maior fòr o numero...”

1894, p. 5 da 2ª edição: “... , port menos - ... é fórma trofiada...”

1913, p. v da 4ª edição: “... , port menos = ... é fórma atrofiada...”

1894, p. 5 da 2ª edição: “A comparação é, pois ao mesmo tempo instrumento de investigação e de verificação.”

1913, p. v da 4ª edição: “A comparação é, pois, ao mesmo tempo instrumento de investigação e de verificação.”

1894, p. 5 da 2ª edição: “... e a civilização de outros tempos - (Reboras, almotacé, alcaide...)”

1913, p. v da 4ª edição: “... e a civilisação de outros tempos - (reboras, almotacé, alcaide...)”

Outro aspecto importante que depõe a favor de uma edição crítica dessa gramática pode ser observado nesses rápidos exemplos apresentados acima. Veja que, de um testemunho para o outro, em poucas páginas (da 3 a 5), encontramos muitas diferenças, inclusive de pontuação e abreviação, o que do ponto de vista da constituição do sentido de um texto não é de pouco interesse. Tais diferenças mereceriam um aparato crítico (apparatus criticus) que poderia oferecer uma leitura mais segura para o estudioso.

Sabe-se da atual abordagem a respeito da pontuação10 e de seus efeitos de sentido em um texto. Dahlet (2006) confirma esta noção dizendo que “[...] pouquíssimos sinais de pontuação ficam regidos pela norma enquanto a maioria decorre da intenção de comunicação ou da interação estabelecida entre quem escreve e quem lê” (DAHLET 2006, p. 24).

Segue, nesta última seção, a ideia de um trabalho que também auxiliaria as pesquisas na área.

5.4 Outras grammaticas de acentuada importância para edições críticas ou fac-símiles

Por fim, apresentamos as páginas de rosto de algumas importantes gramáticas, cujas edições crítica e/ ou fac-símile auxiliariam o trabalho dos especialistas em História das Ideias Linguísticas/ Historiografia Linguística, devido à dificuldade de acesso que se tem a algumas delas. Embora, com relação a outras, a tecnologia digital haja fornecido franco acesso, sabemos que edições anastática e semidiplomática, como a de Amadeu Torres e Carlos Assunção (2000), com estudos introdutórios, seriam também de grande relevância para auxiliarem na leitura do não iniciado.

Considerações finais

Ao longo desse artigo, procuramos argumentar no sentido de se confirmar a tese de que é imperativo a criação de uma linha de pesquisa que pudesse auxiliar os trabalhos que vem sendo realizados no âmbito da História das Ideias Linguísticas/ Historiografia Linguística. Como dissemos, são tarefas urgentes a edição crítica - e em alguns casos, edições crítico-genéticas - e a publicação de Grammaticas Portuguezas escritas no Brasil nos séculos XIX e início do XX.

Espero, nestas considerações prévias, ainda que demasiadamente difusas, ter dado ao leitor - principalmente ao especialista e interessado no trabalho stricto senso em ecdótica e em história das ideias linguísticas e gramatologia - pelo menos uma ideia da importância e da extensão do trabalho que teríamos para encetar, caso assumíssemos de uma vez por todas que tal projeto é de extrema importância, já que as ideias linguísticas de um autor podem ter sido facilmente deturpadas ao longa da transmissão, de uma edição para outra, e de que os testemunhos de sua obra não se apresentam tão parecidos quanto supúnhamos ser.

Talvez o hábito de examinar com minúcia esses notáveis documentos, que são as Grammaticas Portuguezas, haja impulsionado em nós o dever de buscar pela melhor lição (no sentido estritamente filológico) que tenha nos deixado seus autores para que suas ideias sejam, o tanto quanto possível, divulgadas com a precisão e o respeito que certamente merecem, por terem tão bem contribuído para a discussão, o desenvolvimento e a difusão de diferentes das ideias linguísticas em nosso país.

Referências

  1. (). . . Lisboa: Academia das Ciências. . Edição Crítica, Manuscritos e Textos Subsidiários
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O autor agradece o apoio recebido por meio de Bolsa de Estudos na modalidade PDSE durante o estágio de doutoramento sanduíche, realizado em 2015, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - Vila Real, Portugal, com subvenção da CAPES, conforme processo Nº BEX 13979/13-2.
A “epi-historiografia”, segundo Swiggers (2010, p. 5), é um ramo “lateral” da historio grafia linguística, que tem por finalidade editar “materiais produzidos” (papiros, manuscritos, livros, artigos, textos eletrônicos, etc.), incluímos, cartas, que auxiliem na investigação historio gráfica. De acordo com Brekle (1985 apud Swiggers, 2013b, p. 1, mimeo) “o historiador da linguística deverá contemplar todos os testemunhos, todas as fontes claramente relacionadas à reflexão sobre a língua e que sobrevenham em seu horizonte de pesquisa”.
Cambraia (2005) comenta que “um exemplo interessante para a reflexão sobre as dife renças entre os tipos de edição é dessa Gramática, realizada por Amadeu Torres e Carlos Assunção (cf. Oliveira, 2000): inclui edição anastática (i. é, fac-similar), semidiplomática (i. é, paleográfica) e crítica - apesar de a obra ter sido preservada em apenas uma edição (de 1536), os editores comparam sua própria leitura com as das edições realizadas já no séc. XX, registrando as divergências em nota” (CAMBRAIA, 2005, p. 98, n. 6).
O trabalho de edição crítica em filologia é tão cético e rigoroso, que o crítico, muitas vezes, é levado, e não sem razão, ao cúmulo de uma, digamos, “paranoia da desconfiança”, que o faz suspeitar basicamente de todo e qualquer testemunho como contendo originalmente erros, ou, como sendo um objeto de absoluta suspeição, pelo fato de não ser ele o original autógra fo, que, por ventura, ter-se-ia se resguardado de possíveis erros ao longo de sua transmissão, mantendo-se como fonte original, espelho da própria vontade do autor. Neste sentido, haveria um testemunho original, que teria se perdido para sempre. Em uma de suas preleções, o Doutor Silvio de Toledo, professor, filólogo e crítico textual da Universidade de São Paulo, tecendo certas considerações acerca da edição princeps da Grammatica da Linguagem Portugueza, afirmou que, devido ao fato de não termos outros exemplares disponíveis dessa gramática, muito menos algum manuscrito, ou testemunho autógrafo, que tivesse sobrevivido ao tempo, restar-nos-ia acreditar que o impressor dela tivesse sido fiel às provas originais entregues a ele por Fernão de Oliveira, seu autor, entretanto, nada nos garante, e por isso não poderíamos as segurar categoricamente, que seu impressor, Germão Galharde, não tivesse, intencionalmente ou não, mudado, ainda que em alguns aspectos, a obra oliveiriana.
Segundo Coelho (2013, p. 23) “o Professor [Amadeu Torres] publica [em 2004], pela Aca demia das Ciências de Lisboa, a edição princeps da Grammatica Philosophica, com reedição, um ano após, pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa”.
Para as propostas específicas do trabalho em edição de gramáticas, sigo de perto as propostas de Cambraia (2005), que dizem respeito a edições de textos de modo geral, e as de Coelho (2013), mais específicas referente ao texto gramatical, fazendo, é claro, quando necessário, as adaptações, para as especificidades requeridas para o trabalho de edição crítica de um texto gramatical brasileiro.
Cf. CAMBRAIA, César Nardelli. Introdução à Crítica Textual. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
Almuth Grésillon (GRÉSILLON, 1991, p. 7) ao reproduzir a brochura de apresentação do item Crítica Genética do próprio CNRS, afirma que um dos objetivos da crítica genética é “analisar o documento autógrafo para compreender, no próprio movimento da escritura, os mecanismos da produção, elucidar os caminhos seguidos pelo escritor e o processo que presidiu ao nascimento da obra, elaborar os conceitos, métodos e técnicas que permitam explorar cientificamente o precioso patrimônio que os manuscritos conservados nas coleções e arquivos representam [...]”.
Hemetério José dos Santos (1858-1939) era gramático e filólogo, e foi professor da Escola Normal do Distrito Federal, do Colégio Pedro II e do Colégio Militar do Rio de Janeiro. Recebeu em 1920 a patente de Tenente-Coronel Honorário do Exército Brasileiro (cf. MEIRELLES, 2011, on-line, n.p.).
Para um estudo mais verticalizado a respeito do tema ver, principalmente, Dahlet (2006).