Livro de Isaac: edição crítica da tradução medieval portuguesa da obra de Isaac de Nínive

  • Phablo Roberto Marchis Fachin Universidade de São Paulo

Resumo

O estudo realizado por César Nardelli Cambraia, publicado em 2017, vem à luz como a primeira edição a divulgar o texto crítico da tradução medieval portuguesa do Livro de Isaac, tratado ascético escrito originalmente em siríaco por volta de fins do século VII por Isaac de Nínive. Trabalho minucioso, realizado com base no confronto dos quatro testemunhos supérstites em que a tradução foi preservada. É uma edição crítica com o objetivo de restituir a forma genuína do texto, a forma original da tradução portuguesa do livro em questão. Como o próprio autor afirma, trata-se de um "trabalho de síntese de um conjunto de estudos sobre o tema feitos entre maio de 1996 e abril de 2017" (CAMBRAIA, 2017, p. XIII). O livro apresenta, de modo muito bem fundamentado, quatro partes. Da primeira, constam informações relevantes sobre a vida de Isaac de Nínive e suas obras, especificamente sobre o Livro de Isaac, seu conteúdo, circulação na Idade Média portuguesa, percurso histórico, descrição dos testemunhos que compõem a sua tradição, características linguísticas, o estema e sua fortuna editorial. Da segunda, o texto crítico, as normas de edição, os critérios para a escolha do texto-base e variantes, a transcrição, casos especiais e o aparato crítico. Da terceira, o glossário seletivo. Da quarta, o índice de citações e referências bíblicas e patrísticas.

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Publicado
2018-09-13
Como Citar
Fachin, P. (2018). Livro de Isaac: edição crítica da tradução medieval portuguesa da obra de Isaac de Nínive. Linha D’Água, 31(2), 177-186. https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v31i2p177-186
Seção
Resenhas

O estudo realizado por César Nardelli Cambraia, publicado em 2017, vem à luz como a primeira edição a divulgar o texto crítico da tradução medieval portuguesa do Livro de Isaac, tratado ascético escrito originalmente em siríaco por volta de fins do século VII por Isaac de Nínive. Trabalho minucioso, realizado com base no confronto dos quatro testemunhos supérstites em que a tradução foi preservada. É uma edição crítica com o objetivo de restituir a forma genuína do texto, a forma original da tradução portuguesa do livro em questão. Como o próprio autor afirma, trata-se de um “trabalho de síntese de um conjunto de estudos sobre o tema feitos entre maio de 1996 e abril de 2017” (CAMBRAIA, 2017, p. XIII).

O livro apresenta, de modo muito bem fundamentado, quatro partes. Da primeira, constam informações relevantes sobre a vida de Isaac de Nínive e suas obras, especificamente sobre o Livro de Isaac, seu conteúdo, circulação na Idade Média portuguesa, percurso histórico, descrição dos testemunhos que compõem a sua tradição, características linguísticas, o estema e sua fortuna editorial. Da segunda, o texto crítico, as normas de edição, os critérios para a escolha do texto-base e variantes, a transcrição, casos especiais e o aparato crítico. Da terceira, o glossário seletivo. Da quarta, o índice de citações e referências bíblicas e patrísticas.

Com um público-alvo principal voltado a estudiosos interessados, sobretudo, na doutrina de Isaac presente na tradução medieval portuguesa, tais como pesquisadores das áreas de religião, história e literatura, para a edição apresentada Cambraia utiliza normas que tornam a leitura mais fluente, por meio de uma regularização estritamente gráfica, preservando características linguísticas que possibilitam ainda estudos de outras naturezas, como morfológica, sintática, semântica e lexical.

A leitura do livro conduz o leitor pelos caminhos do labor filológico e da Crítica Textual, no sentido, respectivamente: da exploração exaustiva e conjunta dos mais variados aspectos de um texto: linguístico, literário, crítico-textual, sócio-histórico; da recuperação do patrimônio cultural escrito de uma dada cultura, assim como a contribuição para a sua transmissão e preservação.

Nesse caminho, primeiramente o leitor é apresentado a duas importantes fontes sobre a vida de Isaac. O Livro de Castidade, escrito entre 860 e 870 por Isho’denah de Barsa, composição sobre curtas histórias de monges da Mesopotâmia, e um texto anônimo, de data e origem desconhecidas. Com base nessas fontes, Cambraia reconstitui, de acordo com a delimitação dos textos consultados, a história de vida do autor da obra editada, para assim poder apresentar o seu conteúdo, sistematizado anteriormente por importantes referências na área e pelo próprio Cambraia: uma doutrina ascética que visava à orientação do monge em seu caminho a Deus, a chamada conversaçom (conversão). O caminho doutrinário a ser percorrido é longo e árduo, pois há diversas etapas a serem cumpridas e vários obstáculos a serem enfrentados. Uma conversão baseada num processo composto essencialmente de três etapas: conversão corporal, da alma e espiritual. Uma preparação para a vida após a morte, perdurável, a glória do paraíso. O acompanhamento do conteúdo da obra, do processo de conversão e de suas implicações, se dá por meio de citações do próprio texto, o que resulta numa aproximação muito relevante entre o leitor e o Livro de Isaac em edição.

A discussão a respeito da sua circulação e provável chegada da obra a Portugal por meio do contexto religioso rende ao leitor um importante panorama sobre os testemunhos existentes no Mosteiro de Alcobaça, sua relação doutrinal com algumas tendências em desenvolvimento no período e com o florescimento em Portugal de uma literatura religiosa e mística em vernáculo. Exemplificam esse contexto, além de Livro de Isaac, Castelo Perigoso, de Fr. Roberto (Cartucho Francês), Vergel de Consolação, de Fr. Jacobo de Benavente (dominicano italiano), Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis, Diálogos de São Gregório, entre diversas hagiografias e muitas outras obras, com destaque para o Bosco Deleitoso, com o qual apresenta semelhança notável em relação à fala de uma personagem conhecida como abade Isaac. Fato que, de acordo com Cambraia, após o estabelecimento de um diálogo com outras obras da época, atesta que a figura de Isaac teria circulado no imaginário medieval português.

Sobre a tradição do livro, o leitor acaba por compreender qual a abrangência do conjunto textual que circulou sob a tutela desse título, na tradução medieval portuguesa. Originalmente escrita em siríaco ocidental, língua semítica do ramo aramaico, uma parte teria sido traduzida para o grego entre fins do século VIII e princípios do IX, do qual teria sido realizada uma tradução para o latim, com diferentes propostas de estudos para a sua datação. Nesse percurso, houve também agregações de outros textos ao de Isaac, capítulos, carta, apêndice de origem variada, ora como capítulo autônomo ora como parágrafo final de capítulo. As transformações são diversas, desde autoria por meio de citações a atribuição de títulos e redivisão de capítulos: “A partir da tradição latina, da qual se identificam até o momento 100 testemunhos manuscritos e 12 impressos, realizaram-se, direta ou indiretamente, as traduções medievais românicas, a saber: portuguesa, espanhola, catalã, francesa e italiana” (CAMBRAIA, 2017, p. XLIV ). Além da detalhada apresentação desse percurso, ainda apresenta um quadro (CAMBRAIA, 2017, p. XLVII) com a correspondência entre capítulos, de acordo com tais traduções românicas, o qual enriquece ainda mais o conhecimento sobre a sua tradição e sua abrangência no conjunto documental do Livro de Isaac.

Na apresentação dos quatro testemunhos supérstites, descreve com muito rigor cada um deles, considerando a descrição física sumária, em que aborda o suporte material e aspectos como reclamos, assinaturas, estrutura, tipo de escrita, presença de capitulares, encadernação, lombada, colofão, conteúdo, sua datação e história. Tudo em constante diálogo com pesquisadores que se debruçaram sobre a mesma matéria. Os testemunhos são estes: Cód. 50-2-15, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (PR), Cód. alc. 461 da Biblioteca Nacional de Portugal (PL), Cód. alc. 281, da Biblioteca Nacional de Portugal (PL2) e Cód. CXIII/1-40, da Biblioteca Pública de Évora (PE).

Situados, com base em propostas abordadas por Cambraia na edição, entre os séculos XIV e XV, o estudo das características linguísticas funciona como estratégia acertada para contextualizar com maior segurança os testemunhos temporal e espacialmente, com questões importantes respondidas: Quando o livro teria sido traduzido para o português? Quando teriam sido copiados os testemunhos do livro? Qual seria a relação cronológica entre os testemunhos?

De modo geral, distribuídos os testemunhos, quanto à língua, em dois grupos, com alternância entre formas vernaculares e latinizadas, verifica-se uma tendência bem mais acentuada em favor das latinizadas. De modo específico, em comparação com o estado linguístico de outras obras do período, os testemunhos do Livro de Isaac foram analisados tendo em conta, sobretudo, fatos linguísticos para fins de datação, cobrindo diferentes níveis linguísticos: 1) traços aparentemente galegos e espanhóis; 2) representação gráfica de hiatos com vogais de mesma abertura x de crase; 3) representação gráfica das terminações nasais; 4) morfema da 2a. pessoa do plural; 5) vogal temática do particípio passado dos verbos de 2a. conjugação; 6) pronomes pessoais possessivos ma, ta, e sa; 7) conjunções pero e porém; 8) concordância entre particípio passado e complemento direto. Observando-se o estudo linguístico e o parâmetro comparativo utilizado, destaca-se o contributo para o conhecimento não só dos testemunhos editados, mas também do conjunto documental que circulou por diferentes vias, espaços e períodos, que, de alguma forma, compõem um importante diálogo na produção medieval em língua portuguesa.

Após a análise dos dados, a resposta à primeira questão (quando o livro teria sido traduzido para o português?) revelou ser posterior a 1375. Com base no resultado alcançado, Cambraia supõe que a tradução do Livro de Isaac deve ter sido realizada entre 1375 e 13850-1390 ou, mais genericamente, ao último quarto do século XIV. À segunda questão (quando teriam sido copiados os testemunhos do livro?), depois da reanálise dos dados linguísticos, com destaque para o estudo da vogal temática, da presença dos pronomes possessivos ma, ta e sa e da existência de tempo composto, para Cambraia convém situar o processo de cópia dos testemunhos para depois de 1435, mas antes de 1500. A verificação das diferenças de porcentagem nas inovações entre os testemunhos em relação aos fatos analisados possibilita responder à terceira questão (qual seria a relação cronológica entre os testemunhos?), apresentada na obra de forma detalhada e bem exemplificada.

Determinada a relação entre os testemunhos e partes da tradição portuguesa do Livro de Isaac, sua provável datação de passagem para o português e do processo de cópia, o leitor depara-se com a tarefa mais essencial para a realização da edição crítica, o estabelecimento da relação genética entre os testemunhos.

Antes vale ressaltar o cuidado de Cambraia em explorar a existência de vínculo/correspondência entre as tradições ibero-românicas, analisando possibilidades de difusão e transformação, por meio da observação de erros conjuntivos e separativos. Cambraia constata que não poderiam ter partido de traduções independentes, o que permite concluir que existe uma relação de filiação entre as tradições portuguesa e espanhola. Faltando, nesse contexto, determinar qual teria prioridade sobre a outra. Três critérios são utilizados como balizadores: a questão da divisão em capítulos, quanto mais fragmentada uma tradição, provavelmente mais distante está do original; a repetição, na numeração dos códices, do cap. 20 como cap. 48 na tradição portuguesa; a língua dos testemunhos, hipótese de transferência linguística no processo tradutório para o português por influência de uma fonte em espanhol; a existência de um precedente particular, o caso do Vergel de Consolação, obra de uma tradução medieval portuguesa de sua versão em espanhol. A apuração dos dados sugere que a tradição espanhola tenha a prioridade.

O estabelecimento da relação genética entre os testemunhos de língua portuguesa é realizado por meio da análise de lugares críticos, ou seja, pontos divergentes existentes, constatados por meio de excertos do Livro de Isaac. Entre formas genuínas, ausentes em alguns deles e presentes em outros, Cambraia traça o seu cotejo. Para o leitor é essencialmente uma tarefa aprimorada de aplicação dos procedimentos presentes em obra consagrada do editor, no contexto da edição crítica de textos, intitulada Introdução à crítica textual, publicada em 2005.

Com as hipóteses formuladas e confirmadas a respeito da relação entre os testemunhos, Cambraia chega à seguinte conclusão quanto à representação genética no contexto português e sua relação com testemunho ES da tradição espanhola: uma tradução do espanhol do Livro de Isaac (*E), provavelmente de fins do século XIV, deu origem ao texto espanhol impresso de 1497 (ES) e a uma tradução portuguesa (*P), também, com grande possibilidade de ser de fins do século XIV; essa tradução portuguesa original foi realizada com a consulta também a um outro testemunho, acredita-se que igualmente latino (*L), e dela foram realizadas pelo menos duas cópias (PR e *P2); a segunda cópia foi executada com a consulta também a outro testemunho, certamente latino (*L), e dela foram realizadas também pelo menos duas cópias (PL e PL2), provavelmente no Mosteiro de Alcobaça; de um dos testemunhos de Alcobaça (PL) foi realizada uma cópia em forma de antologia (PE), conforme é possível verificar no estema que segue (CAMBRAIA, 2017, p. CI):

Estema final

Figura 3: Estema final

A fixação do texto crítico mantém o mesmo rigor observado nas etapas anteriores do trabalho. Cambraia considera os testemunhos portugueses, apresenta as siglas utilizadas no aparato crítico, as normas de edição, o texto-base e a sua justificativa, os critérios para a escolha das variantes, o processo de transcrição do texto e, por fim, o texto crítico propriamente dito e o seu aparato. Descreve em detalhes as características dos testemunhos, destaca a integralidade do texto da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro frente aos outros, incompletos: o da Biblioteca Nacional de Portugal, estendendo-se do cap. 3, o ponto correspondente no texto crítico a de fora (9.13) ao cap. 47, no ponto correspondente no texto crítico a Isaac (204.12); o segundo da Biblioteca Nacional de Portugal estende-se pelo cap. 48 (renumerado 47 no texto crítico), do ponto correspondente a cuspas (197.10) ao correspondente a Isaac (204.12); O da Biblioteca Pública de Évora está constituído por 40 excertos correspondentes, no texto crítico, a diversos trechos.

Diante desse conjunto documental, Cambraia indica as normas utilizadas para a edição, tomando o cuidado de selecioná-las de modo apropriado ao tipo de edição pretendido, sua finalidade. Nesse caso, opera-se com a regularização estritamente gráfica do texto, procurando ainda garantir a utilização da edição para estudos de outras naturezas.

A escolha do texto de base se pautou pela proximidade com o original da tradução medieval portuguesa, isto é, o testemunho da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Fato confirmado por Cambraia pela forte correspondência entre seu texto e o do testemunho espanhol ES. O editor ainda esclarece que, por causa de processo de contaminação com testemunhos latinos, ocasionaram-se correções pelas quais muitas lacunas foram preenchidas por meio de novas traduções de trechos extraídos dos referidos testemunhos. A fixação do texto, dessa forma, apresenta a seguinte hierarquia:

  1. quando há forma idêntica em todos os testemunhos portugueses, ela é mantida, mesmo que esteja em desacordo com o texto de ES;

  2. quando há variantes entre os testemunhos portugueses, adota-se a que mais se aproxima do texto de ES;

  3. quando há variantes entre os testemunhos portugueses e nenhuma se aproxima do texto de ES, adota-se a que melhor se enquadrar segundo critérios internos (contexto, estilo, etc.);

  4. quando há variantes entre os testemunhos portugueses, nenhuma se aproxima do texto de ES e são equivalentes, adota-se a do texto-base.

Quanto à transcrição, as normas adotadas referem-se a: a) caracteres alfabéticos; b) sinais abreviativos; c) diacríticos; d) sinais de pontuação; e) caracteres de leitura impossível; f ) caracteres riscados e apagados; g) caracteres modificados; h) caracteres nas entrelinhas e/ou nas margens; i) separação vocabular; j) paragrafação; l) inserções, supressões e mudanças de ordens conjecturais; m) mudança de fólio e face; n) particularidades; o) numeração de linha; p) citações e referências bíblicas; q) aparato crítico. Ainda fazem parte da transcrição levar em consideração alguns casos especiais, como: a) adoção de formas antigas; b) correção de erros óbvios ou aparentes; c) inserção ou supressão de marca de nasalidade; d) supressão de caracteres intrusivos; e) grupo inicial st-; f ) falhas por suporte danificado.

O aparato crítico, parte de uma edição crítica que contém a história da génese do texto, anotações críticas ou extratos de outras versões, é composto por indicação apenas de lições divergentes entre os testemunhos, conhecido, neste caso, como aparato crítico negativo. Está estruturado com a indicação do número de linha, em negrito, transcrição da variante adotada no texto crítico, colchete de fechamento, sigla amplificada do testemunho cuja variante não foi adotada, dois-pontos, transcrição da(s) variante(s) não adotada(s) no texto crítico, ponto-e-vírgula para separar variante(s) na mesma linha ou barras inclinadas duplas para marcar mudança de linha.

Apresentado o caminho percorrido ao longo do processo de edição crítica em busca da forma original da tradução portuguesa do Livro de Isaac, seu rigor e cuidado em apresentar cada um dos testemunhos, suas relações, por meio de excertos da própria obra, e o zelo em demonstrar o resultado por meio da fixação do texto com normas coerentes com todo o processo, pode-se afirmar que o livro publicado por César Nardelli Cambraia contribui significativamente para os estudos medievais portugueses, para as pesquisas sobre a História da Língua Portuguesa e para um aprimoramento dos trabalhos com os textos, gênese, difusão e transformação, sendo exemplar no modo como editar textos com fidedignidade. O resultado do seu trabalho justifica o fato de constar com um dos grandes nomes da Crítica Textual brasileira e portuguesa.

Historicamente, a busca pelo estabelecimento dos textos, com o intuito de reconstituí-los à sua genuinidade, em recuperar o patrimônio de uma cultura através da edição e sua reconstrução, literários ou não, tem sido acompanhada por um conjunto, muitas vezes conflitantes, de teorias e métodos, diferentes maneiras de olhar o texto, sua tradição e o seu estabelecimento. Diante de uma complexa história metodológica, por meio de publicações como a de Cambraia, o entendimento desse processo, sem perder de vista as particularidades de cada testemunho, passa por um emaranhado de complexidades, mas compreensíveis por transparecer todo o caminho percorrido e os procedimentos utilizados para a concretização da edição crítica. Por essa razão, além de um público-alvo principal voltado a estudiosos interessados sobretudo na doutrina de Isaac presente na tradução medieval portuguesa, tais como pesquisadores das áreas de religião, história e literatura, também interessa consideravelmente a alunos de graduação, de pós-graduação e a pesquisadores voltados para esse tipo de estudo que valoriza os textos genuinamente estabelecidos. A preparação de um glossário seletivo contribui também para o acesso a pessoas pouco familiarizadas com as particularidades do português medieval, facilitando assim melhor compreensão da obra. São 770 itens com vocábulos que já caíram em desuso, com forma incomum ou que apresentam atualmente significado distinto em relação ao do texto.

Cambraia enfrenta os textos, a sua história, em busca de sua forma de transmissão, de identificar suas particularidades, e mostra ao leitor como a história da tradução medieval portuguesa da obra de Isaac de Nínive se apresenta e o caminho a percorrer para alcançar o objetivo de reconstituir a sua história ao seu estado mais próximo ao genuinamente original. Nesse percurso, concretiza o seu objetivo e presenteia o leitor com um material riquíssimo para o conhecimento metodológico aplicado a trabalhos de Crítica Textual com textos medievais.