Desvelando o mito de Lilith e o de Circe em María - personagem da obra de Gustavo Adolfo Bécquer, “La ajorca de oro”

Palavras-chave: Representações, Mito, Feminino.

Resumo

O objetivo deste trabalho é desvelar o mito de Lilith e o de Circe evidenciado na personagem María, da lenda de Gustavo Adolfo Béquer, “La ajorca de oro” (2007), segundo as concepções que se apresentam na subjetividade do fantástico, à luz do modelo teórico-crítico, a estética da recepção (1994), de Hans Robert Jauss. A obra de Gustavo Adolfo Bécquer desenha-se por um requinte de textos, transformando as tradições populares, místicas, lendárias, literárias e filosóficas em preciosas fontes de diálogo. A possibilidade de uma relação inesgotável, livre e inventiva de compreensão de um texto se descobre em autores como Bataille, Bosi, Barthes, Todorov, Eco, Rouanet e outros para a criação de uma literatura de palavras verdadeiras em uma quimera. Bécquer apresenta um território aberto a pluralidades de enunciados enredando o leitor em imagens discursivas que o seduzem a um jogo aberto à imaginação. Assim, os protagonistas María e Pedro afastam-se da dimensão “real” das personagens, produzindo um efeito de divagação para suas histórias. Ele, pela dualidade em pensamentos de culpa que o leva a uma decisão pela loucura hígida ou insana; ela, por uma aproximação com estereótipos femininos de sedução que levam os homens ao aniquilamento.

Biografia do Autor

Josiane Brunetti Cani, Universidade Federal de Minas Gerais
Doutoranda em Linguística Aplicada pela UFMG, Mestre em Educação, possui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Colatina, com pós-graduação em Planejamento Educacional e em Gestão Integradora: Supervisão Escolar, Orientação Escolar e Inspeção Escolar. Atualmente, exerce a função de Técnico em Assuntos Educacionais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, atuando na área de Comunicação e Eventos, professora do curso de Letras, da Faculdade "Castelo Branco". É membro do grupo de Estudos e Pesquisa do Ifes: Língua, Literatura e Educação, com interesse acadêmico em questões atinentes ao diálogo entre os três eixos articulados, oferecendo perspectiva de pesquisa com desdobramentos pragmáticos, sobretudo na área de linguagem e tecnologia.
Elizabete Gerlania Caron Sandrini, Universidade Federal do Espírito Santo
Doutoranda em Letras pela UFES - Universidade Federal Do Espírito Santo. Mestra em Letras pela UFES (2012). Tem especialização em Gestão Escolar Integradora: Supervisão, Orientação e Inspeção Educacional (2007) e especialização em Língua Portuguesa (1999). Possui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Colatina (1997). Atuou como Coordenadora do Ensino Fundamental, por sete anos, e do PAEBES - Programa de Avaliação Básica do Espírito Santo, na Secretaria Municipal de Educação de Colatina. É professora da disciplina Mercado, Governo e Estado do curso de Pós-Graduação em Gestão Pública do Ifes - campus Colatina e servidora pública federal do Ifes-campus Colatina. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação. 

Referências

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco; Poética /Aristóteles; seleção de textos de José Américo Motta Pessanha. 4. ed. — São Paulo: Nova Cultural, 1991. (Os pensadores; v. 2)

BARTHES, Roland. Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França, pronunciada dia 7 de janeiro de 1977. Tradução e posfácio de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 2007.

BATAILLE, Georges. O erotismo. Tradução de Antonio Carlos Viana. Porto Alegre: L&PM, 1987.

BÉCQUER, Gustavo Adolfo. La cruz del diablo y otras leyendas – 1. ed. Buenos Aires: Eudeba, 2007.

BOSI, Alfredo. Fenomenologia do Olhar. In: Novaes, Adauto (org.). O Olhar. São Paulo, Cia. das Letras, 1988, p. 80.

DERRIDA, Jacques. Gramatologia. Trad.: Miriam Shneiderman e Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Editora Perspectiva, 2008.

ECO, Humberto. A Obra Aberta. São Paulo: Editora Perspectiva, 1991.

GOMES, Antonio Maspoli de Araújo & ALMEIDA, Vanessa Ponstinnicoff de. O Mito de Lilith e a Integração do Feminino na Sociedade Contemporânea. In: Âncora – Revista digital de estudos em religião. Ano II, Vol. II, Junho 2007.

ISER, Wolfgang. O jogo do texto. In: LIMA, Luiz Costa (org). A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. 2. ed. São Paulo: Paz e terra, 2002, p. 105-118.

JAUSS, Hans Robert. A história da literatura como provocação à teoria literária. Tradução de Sérgio Tellaroli. São Paulo: Ática, 1994.

JAUSS, Hans Robert. et al. A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. Coordenação e tradução de Luiz Costa Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.

LIMA, Luiz Costa. A Literatura e o leitor: textos de estética da recepção. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

POMMIER, Gérard. A exceção Feminina: os impasses do gozo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.

ROBLES, Martha. Mulheres, mitos e deusas: o feminino através dos tempos/Martha Robles; tradução de William Lagos, Débora Dutra Vieira. São Paulo: Aleph, 2006.

ROUANET, Sérgio Paulo. Razão e Paixão. In: NOVAES, Adauto. (Org.). Os sentidos da paixão. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 437-466.

SICUTERI, Roberto. The Vampire Book. Copyright © 1994 by Gale

Research, uma divisão da International Thomson Publishing Inc.

TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica. Tradução do francês p/ espanhol: Silvia Delpy. São Paulo: Perspectiva, p. 15-16, 1992.

Publicado
2017-12-23