Narração postmortem em A casa dos mastros, de Orlanda Amarílis

Trauma pela lente marginal das mulheres cabo-verdianas

  • Diana Simões University of Massachusetts Dartmouth, USA
Palavras-chave: fantástico, narração póstuma, marginalidade, mulheres, Cabo Verde

Resumo

Em 1989, a escritora cabo-verdiana Orlanda Amarílis publica A Casa dos Mastros, coletânea em que dois dos sete contos, “A Casa dos Mastros” e “Laura,” são narrados por mulheres defuntas, ambas com finais trágicos: uma suicidou-se saltando de uma varanda, e a outra foi atropelada ao atravessar a rua. Quem são estas mulheres? Por que morreram? Por que são as suas histórias importantes? Defendo que as narradoras póstumas dos contos de Amarílis, enquanto figuras transcendentes, têm a autoridade de falar a verdade, podendo, por fim, expressar-se livremente acerca dos seus próprios traumas ou dos traumas dos que as rodeiam. A sua posição marginal de mulheres defuntas dá-lhes, no entanto, a agência ativa que lhes fora recusada em vida, tempo em que foram silenciadas pela sociedade pelo facto de serem mulheres. As mulheres resistem a partir da margem, ainda que seja uma margem tão intransponível como a morte. Este artigo explora a necessidade de contar a sua história postmortem, bem como as implicações sociais e políticas das suas ações.

Biografia do Autor

Diana Simões, University of Massachusetts Dartmouth, USA
Doutoranda do programa Luso-Afro-Brazilian Studies and Theory do Departamento de Português da Universidade de Massachusetts Dartmouth
Publicado
2018-10-31
Como Citar
SIMÕES, D. Narração postmortem em A casa dos mastros, de Orlanda Amarílis. Literartes, v. 1, n. 9, p. 95-118, 31 out. 2018.