Literatura e Sociedade http://www.revistas.usp.br/ls <p>A <strong>Revista Literatura e Sociedade</strong>, vinculada ao <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://dtllc.fflch.usp.br/">Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada</a></span> da Universidade de São Paulo desde de seu primeiro número (1996), tem como objetivo promover, acolher e publicar ensaios, palestras e depoimentos sobre questões fundamentais do fenômeno literário, como a teoria dos gêneros, literatura e sociedade, literatura comparada, história da literatura, relações com outras artes e áreas do conhecimento, grandes autores e grandes obras, e métodos e práticas de crítica literária.</p><p>A revista aceita submissões de artigos de doutores do Brasil e do exterior, ligados à área de Teoria Literária e Literatura Comparada ou áreas afins. A submissão de ensaios é em fluxo contínuo, e a avaliação segue o padrão de parecer cego por pares indicados pela Comissão Editorial.</p><p>A partir de 2014, a <strong>Revista Literatura e Sociedade</strong> passou a ser publicada online no Portal de Revistas da USP, com periodicidade semestral. </p> Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pt-BR Literatura e Sociedade 1413-2982 Editorial http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152421 <p>Com este conjunto de ensaios a Revista Literatura e Sociedade dá continuidade ao dossiê do número anterior, dedicado a manifestações, em diversas literaturas, do chamado “Romance de Formação” (Bildungsroman), gênero historicamente associado ao nome de Goethe e a seu romance Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1795/96). Desta vez, porém, não é Wilhelm Meister que abre a coletânea, mas sim o primeiro grande herói romanesco da literatura ocidental, abordado (assim como seu escudeiro) justamente sob o aspecto da aprendizagem – e, portanto, também da formação – no ensaio “Cervantes: dom Quixote e Sancho Pança – fragmentos de uma aprendizagem deleitosa”.</p> Marcus Vinicius Mazzari ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 5 6 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p5-6 Cervantes: dom Quixote e Sancho Pança – fragmentos de uma aprendizagem deleitosa http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152426 <p>O presente trabalho tem a preocupação de destacar nas andanças de dom Quixote e Sancho Pança um processo implícito de formação educacional presente nas relações entre o cavaleiro e seu escudeiro, em outros termos, um intelectual e um analfabeto. Antes disso, cabe retomar a possível formação que teve Cervantes na Espanha do século XVI, assim como destacar alguns dos princípios de composição poética vigentes no período.</p> Maria Augusta da Costa Vieira ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 10 26 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p10-26 Goethe, o Meister: a experiência artística como narrativa da falha http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152427 <p>Este artigo pretende traçar um paralelo entre a formação de Goethe na Itália como aspirante à artista plástico e a formação estética do protagonista Wilhelm Meister. Ambas a trajetórias se dão, em última instância, sob o signo da falha e da renúncia.</p> Wilma Patricia Maas ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 27 43 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p27-43 Poesia recupera Amor http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152429 <p>A fim de compartilhar o fórum de reflexões literárias concernentes ao Bildungsroman, o artigo que apresento resulta da minha pesquisa sobre a literatura de Novalis, a partir da compreensão dos contextos e debates poéticos que concernem à composição de Heinrich von Ofterdingen, romance que permaneceu inconcluso e passível de interpretações dos manuscritos e da crítica dos prototextos, após a morte do escritor. A essa incompletude circunstancial soma-se a do caráter específico do gênero textual romance composto de abstrações de valores morais, religiosos e de personificações dos elementos do mundo orgânico e inorgânico, o que pressupõe a ocorrência de uma alegoria literária. Considerando a complexidade do texto, este estudo desencadeia a leitura crítica com os primeiros comentários identificadores resultantes da leitura atentiva, visando a tradução, a descrição, a análise e a interpretação de um fenômeno poético mais amplo, o Romantismo.</p> Maria Aparecida Barbosa ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 44 53 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p44-53 E. T. A. Hoffmann e a formação parodística http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152430 <p>As relações literárias entre E. T. A. Hoffmann e seu tempo estendem-se por diversas épocas e passam por diversos autores e temas. Entre eles, o romance de formação, tão caro à literatura do final dos séculos XVIII e seguintes, foi abordado de uma maneira inusitada por esse autor do romantismo tardio alemão. Este ensaio busca traçar, em primeiro lugar, as relações literárias entre o autor do romance de formação por excelência, Johann Wolfgang von Goethe (o primeiro Wilhelm Meister), e E. T. A. Hoffmann, seu contemporâneo. Em um segundo momento, buscar-se-á demonstrar como Hoffmann incorporou a ideia do romance de formação, porém acrescentando a ela um elevado conteúdo irônico e cômico, parodiando o conceito de formação (Bildung), no romance Reflexões do Gato Murr.</p> Rafael Rocca dos Santos Marcus Vinicius Mazzari ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 54 65 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p54-65 Formação de duas jovens esposas http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152432 <p>O ensaio enfoca o processo de construção do romance Mémoires de deux jeunes mariées, de Honoré de Balzac. Especial atenção é dispensada à correspondência de duas jovens aristocratas francesas da época da Restauração, Louise de Chaulieu e Renée de Maucombe, que trocam ideias sobre suas respectivas vidas afetivas e casamentos, depois de anos de convivência num convento de carmelitas, na qualidade de alunas internas. O objetivo principal do romancista consiste numa discussão sobre o casamento, tal como visto na época, e sobre duas perspectivas de amor – o afeto conjugal e a paixão – em suas relações com aquela instituição.</p> Gloria Carneiro do Amaral ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 66 82 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p66-82 Philip Pirrip as grandes e as perdidas ilusões http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152434 <p>Este artigo explora a aclimatação do paradigma do Bildungsroman no âmbito da tradição literária inglesa, discutindo suas ressonâncias no romance Grandes esperanças de Charles Dickens. Argumenta-se que as decisivas mudanças decorrentes dos processos de industrialização e urbanização, assim como a ascensão das classes médias, imprimem traços específicos à narrativa da trajetória do herói, a qual encarna as contradições de seu tempo.</p> Sandra Guardini Vasconcelos ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 66 82 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p83-101 Um adolescente à procura de seu eu http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152435 <p>O adolescente, de Doistoiévski, estrutura-se sobre a ideia de formação e educação, o que é incomum na vasta obra do escritor. Neste artigo é analisada a trajetória de formação do personagem que dá título ao romance em suas relações familiares, afetivas e sociais.</p> Paulo Bezerra ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 102 122 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p102-122 “Para governar a França, é preciso mão de ferro”: As ideias feitas no romance de Flaubert http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152437 <p>Neste artigo procuramos comentar alguns dos mais impor-tantes recursos formais empregados por Gustave Flaubert n’A Educação Sentimental: uso de herói negativo, de um enre-do frouxo, do indireto livre e, especialmente, da ideia feita. Um dos objetivos do artigo é discutir a distância que separa A Educação Sentimental, que narra a história de um jovem na capital francesa, dos romances escritos por seus antecessores românticos.</p> Alexandre Bebiano ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 123 138 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p123-138 O último cigarro, o primeiro lápis: a vida como rascunho em A consciência de zeno, de Italo Svevo http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152438 <p>Em sua obra prima, A consciência de Zeno, a autobiografia ficcional de um velho, Italo Svevo estabelece uma ligação íntima entre a velhice como retirada da vita activa, recolhimento à inutilidade, e as possibilidades de reinvenção do mundo abertas pela literatura, convertendo desistência em resistência. Estamos no âmbito de um romance moderno de deformação, em que a escrita se prova capaz de insuflar mobilidade, um sopro erótico e irônico, ainda que discreto, aos impasses do mundo desencantado.</p> Fábio de Souza Andrade ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 139 162 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p139-162 A Montanha Mágica: formação e fortuna de Hans Castorp http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152439 <p>O objetivo deste ensaio é refletir sobre o livro A Montanha Mágica, de Thomas Mann, como romance de formação. Se, por um lado, ele se tornou um clássico literário que vai além das fronteiras e do tempo, por outro, em sua concepção, pode ser interpretado no passo a passo de diálogos graças aos quais as escolhas do autor podem ser apreendidas. No recorte analítico aqui feito, destacam-se Schopenhauer e Nietzsche como interlocutores importantes para a construção e a concepção de formação subjacente ao livro, num momento crítico da história alemã e europeia.</p> Francisco José Ramires ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 163 182 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p163-182 O capítulo 19 de São Bernardo: fusão, transfusão, confusão http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152440 <p>O estudo procura observar, em termos críticos, os traços do realismo deformador em São Bernardo, de Graciliano Ramos. Centra-se, para tanto, na análise de um fragmento: o capítulo 19. Como núcleo das tensões que caracterizam o romance, tal passagem apanha na forma o movimento dramático entre a matéria e o sujeito sob uma perspectiva desfi-guradora. Em seu desenho, o capítulo apreende a síntese de todo o enredo com três lan-ces: perplexidade na enunciação das vivências; embaralhamento dos tempos em estado de delírio; volta sem escape ao escuro presente.</p> Erwin Torralbo Gimenez ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 183 193 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p183-193 Grande Sertão: Veredas, a formação pelo amor http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152442 <p>O trabalho propõe ao leitor acompanhar o percurso de formação do protagonista de Grande sertão: Veredas mediante a experiência do amor. Com o objetivo de analisar como esse sentimento promove em Riobaldo o aprendizado, o estudo descortina, por meio da constatação do pacto e pela busca do sentido da vida, seu constante processo de transformação interior.</p> Débora Domke Ribeiro Lima ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 194 212 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p194-212 A “aristocracia do pé no chão” e o herói popular em Belém do Grão-Pará de Dalcídio Jurandir http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152449 <p>Dalcídio Ramos Jurandir, um dos maiores romancistas do modernismo da Amazônia, militante atuante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e idealizador do Ciclo do Extremo Norte, construiu uma perspectiva de História sobre a cidade de Belém nos anos de 1920 no seu romance premiado Belém do Grão-Pará. Na sua narrativa sobre a cidade em crise econômica após o fausto da borracha, Jurandir apresenta uma outra possibilidade de história a partir da população pobre do interior do Estado, que, ao se rebelar contra o descaso dos poderes públicos, retoma a tradição do movimento cabano do século XIX, lutando em armas contra os que a exploravam. Nessa trama de descaso, opressão e resistência, surge um novo sol na cidade de Belém do Grão-Pará, através da “aristocracia do pé no chão”, a “gente comum”, da qual descende o próprio Dalcídio Jurandir e a personagem seu Lício, o herói de um universo em crise, porém engajada nas lutas do seu tempo.</p> Maíra Oliveira Maia Edgar Monteiro Chagas Júnior ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 213 230 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p213-230 Aspectos elementares da insurreição indígena: notas em torno a Os rios profundos, de José María Arguedas http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152445 <p>A leitura do romance Os rios profundos, do peruano José María Arguedas, é o ponto de partida para uma reflexão sobre os efeitos de revoltas populares em relatos de formação, em particular sobre suas noções de futuro e passado. O trabalho examina como essas questões escatológicas e arqueológicas ganham forma nos movimentos de oscilação e quebra que caracterizam as narrações na obra de Arguedas, esse conjunto de experimentos textuais elaborados em resposta às fraturas que atravessam a sociedade peruana. Destaca-se ainda como o problema do destinatário se torna decisivo para Arguedas, condição de (im)possibilidade da escrita.</p> Marcos Piason Natali ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 231 245 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p231-245 Aspectos diluídos do Bildungsroman em Extinção – Uma derrocada, de Thomas Bernhard http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152446 <p>O objetivo deste artigo é destacar algumas características do conceito de Bildungsroman presentes na obra Extinção – Uma derrocada (1986), de Thomas Bernhard. O termo Bildungsroman surge associado à obra Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1795-1796), de Goethe. No entanto, uma vez que os pressupostos históricos presentes no paradigma goethiano se alteraram, os elementos do Bildungsroman encontram-se diluídos nas obras que apresentam traços desse gênero. O romance Extinção possui semelhanças com o programa narrativo do Bildungsroman, contudo elas estão presentes de maneira diluída.</p> José Lucas Zaffani dos Santos Wilma Patricia Maas ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 246 262 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p246-262 No exílio entre o desejo e o sonho: sobre a “poética utópica” de Moacyr Félix http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152447 <p>O presente texto propõe uma leitura da obra de Moacyr Félix partindo da indicação de que sua “poética utópica” trava interlocução com a Teoria Crítica da Sociedade e com a Filosofia de Ernst Bloch. Busca explorar na figura do “exílio” a possibilidade de uma leitura da subjetividade e da realidade que põe em “crise” tanto a imagem do futuro (sonho utópico) quanto a de si. Em aproximação à psicanálise, sugere que sua poética “utópica” pode ser lida como uma poética do “desamparo”, que, ao duvidar tanto da imagem quanto da possibilidade de dizer a “palavra exata”, dá acesso à “verdade impossível” do desejo.</p> Diogo César Nunes ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 264 283 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p264-283 Entre o Oriente e o Ocidente: a problemática do duplo no romance Les Désorientés, de Amin Maalouf http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152448 <p>Comparado a um Ulisses moderno, nosso herói Adam sofre os percalços de ser estrangeiro e exilado na capital francesa, além de regressar à sua terra natal – Líbano – e confrontar-se com os fantasmas do passado. O romance Les désorientés, do escritor francês Amin Maalouf, publicado em 2012, apresenta, desde o seu título, a falta de orientação, a necessidade de um norte por parte das personagens. A escrita dupla do texto vai ao encontro das personagens que orbitam nosso protagonista, por vezes, reflexos invertidos de si mesmas. Buscar os rastros do duplo na trajetória de nosso narrador-personagem Adam é o que pretendemos nesse trabalho, bem como entender os diversos (re)encontros vividos por ele ao longo da travessia. Autoconhecimento, aprendizagem, alteridade são apenas algumas das experiências por que passa nosso herói que migra do Oriente ao Ocidente (e vice-versa) tentando, quiçá, encontrar a si mesmo.</p> Sheila Katiane Staudt ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 284 297 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p284-297 Do ‘sonho americano’ ao ‘sonho europeu’: o romance de emigração Estive em Lisboa e lembrei de você (2009), de Luiz Ruffato http://www.revistas.usp.br/ls/article/view/152450 <p>Luiz Ruffato, nascido em 1961, é considerado um dos mais interessantes e multifacetados escritores brasileiros da atualidade, das primeiras décadas do século XXI. Com ampla receção internacional, começou por ganhar visibilidade no espaço de língua alemã no ano de 2013, quando participou na Feira do Livro de Frankfurt, que teve o Brasil como país homenageado, e aí proferiu o discurso de abertura, controverso e bastante discutido, ou mais tarde, em 2014, quando publicou um artigo na revista Spiegel, pouco antes do início do campeonato mundial de futebol.</p> Verena Dolle ##submission.copyrightStatement## 2018-12-06 2018-12-06 23 28 298 316 10.11606/issn.2237-1184.v0i28p298-316