Percepções de jornalistas brasileiros sobre privacidade

Palavras-chave: Privacidade, Jornalistas, Reportagem, Tecnologia, Ética Jornalística

Resumo

As transformações tecnológicas e culturais das últimas décadas têm mudado valores importantes para a vida social, entre eles a privacidade. Diariamente, jornalistas precisam ponderar sobre os limites entre as esferas pública e privada, e decidir se violam as suas fronteiras ou atendem às expectativas de resguardo das fontes. Este artigo objetiva saber como os jornalistas brasileiros se relacionam com a privacidade em seu cotidiano profissional e como orientam suas condutas em dilemas éticos. Para isso, aplicamos uma survey online para 120 jornalistas questionando sobre suas condutas em apurações e divulgações. Os sujeitos da pesquisa são profissionais de redação homens e mulheres, com diversas trajetórias e experiência, de todas as regiões do país. Os resultados sugerem que os jornalistas brasileiros valorizam mais a privacidade de suas fontes que as próprias, que existe um comportamento oscilante na divulgação de temas delicados como estupro, sequestro e suicídio, e que há muitas incertezas em como agir diante de novas tecnologias, como o uso de drones.

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Biografia do Autor

Rogério Christofoletti, Universidade Federal de Santa Catarina

Docente do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde é um dos coordenadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS). Bolsista de produtividade do CNPq.

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Publicado
2019-09-02
Como Citar
Christofoletti, R. (2019). Percepções de jornalistas brasileiros sobre privacidade. MATRIZes, 13(2), 179-202. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v13i2p179-202
Seção
Em Pauta/Agenda