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PROSTITUIÇÃO COLONIAL E NACIONALISMO: COLABORAÇÃO CORPORAL EM CIEL DE PORPHYRE DE AICHA LEMSINE

Guettafi Sihem, Soltani Wassila

Resumo


As prostitutas eram úteis no período colonial, pois, por um lado, a sexualidade representava para o colonizador francês uma das formas mais perniciosas da dominação e um elemento fundamental de submissão: estas mulheres argelinas indígenas se tornavam um verdadeiro tema do imaginário erótico colonial. E, por outro lado, estas mulheres representavam para os nacionalistas combatentes argelinos uma verdadeira força de informações para profeito da FLN (o partido político: Fronte de Liberação Nacional que desencadeou a guerra da Argélia de 1954), pois elas ficavam em contato regular com policiais ou militares em exercício. De Dalila, a prostituta a serviço do colonizador, a Houria, prostituta, anjo guardião e libertadora das pulsões acumuladas pelos moudjahiddinos, Ciel de Porphyre de Aicha Lemsine se abre e se encerra por uma leitura das ações de prostitutas durante a guerra de liberação argelina. Nossa reflexão se voltará para o papel da mulher argelina indígena que participou da luta armada vendendo seu corpo e enfrentando violências sexuais para servir à boa causa, demonstrando como Aicha Lemsine, através de seu romance Ciel de Porphyre, trata as ações de prostitutas patriotas, isto é, a serviço de seu país: a Argélia livre e independente? Como no romance Ciel de Porphyre a equação Nacionalismo – prostituta é percebida? Como a autora estabelece esta colaboração corporal e carnal? E, finalmente, como medir o alcance dessa colaboração entre jovens indígenas/argelinas com europeus / colonizadores franceses?

Palavras-chave


Prostituição colonial; Ficção; Mulheres; Literatura; nacionalismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-3976.v6i11p88-108

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