Nostalgia e demonização

o senso comum do apoio ao intervencionismo militar no Brasil antes de Bolsonaro

Palavras-chave: Ditadura, Intervencionismo Militar, Bolsonaro, Ideologia

Resumo

Este trabalho é produto da busca por compreender os fundamentos das ideias sustentadas pelos apoiadores do intervencionismo militar no Brasil e, nesse sentido, sintetiza os resultados de uma pesquisa qualitativa realizada no 2º semestre de 2017, em Goiânia-GO, um ano antes da eleição de Bolsonaro. Os dados mostraram haver um encadeamento de fatores na base do apoio ao militarismo, tais como o medo, a adoção da ideologia fascista, a descrença seguida do desejo de destruir a democracia e erigir outro Estado, com características contraditoriamente liberais e nacionalistas, e a participação na opinião pública para angariar espaço e validade discursiva, características que, aglutinadas, compuseram um tipo de senso comum de direita, cuja rede argumentativa oscila entre a nostalgia da ditadura militar, vista como período ordeiro e seguro, e o ódio à esquerda, rejeitada ao ponto da demonização.

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Biografia do Autor

Luiz Signates, Universidade Federal de Goiás

Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (FIC-UFG) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás). Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

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Publicado
2019-07-04
Como Citar
Signates, L. (2019). Nostalgia e demonização. Novos Olhares, 8(1), 20-32. https://doi.org/10.11606/issn.2238-7714.no.2019.153583
Seção
ARTIGOS