A obscuridade do poético em Paul Celan

  • Mauricio Mendonça Cardozo CNPq
Palavras-chave: Paul Celan, poesia contemporânea, obscuridade, hermetismo

Resumo

A partir da tensão entre variações do dito e do não-dito e entre figuras de luz e sombra, a obra de Paul Celan performa um certo enfrentamento da condição de silêncio e de obscuridade - de onde seu estigma como obra hermética -, rompendo, a um só tempo, com um certo modo de fazer poesia e de se relacionar com a realidade. Nesse sentido, a obra de Celan não se deixaria resumir a uma espécie de hermetismo, categoria demasiadamente vaga para dar conta da singularidade de sua obra. Em sua obra, dizer e calar seriam, antes, os termos de articulação de uma relação que instaura o espaço poético em que se inscreve o poema. Em diversas ocasiões o próprio poeta tentaria refutar a insistência de alguns críticos em rotular sua obra como obscura. A despeito de seu caráter fragmentário, o manuscrito recém-publicado de seu projeto de conferência intitulado Sobre a obscuridade do poético constitui uma das discussões mais extensas de Celan sobre a questão da obscuridade na poesia. Este trabalho tem por objetivo apresentar esse conjunto de fragmentos de seu projeto de conferência e apontar sua importância para a discussão da noção de obscuridade na obra de Paul Celan.

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Publicado
2012-07-01
Como Citar
Cardozo, M. (2012). A obscuridade do poético em Paul Celan . Pandaemonium Germanicum, 15(19), 82-108. https://doi.org/10.1590/S1982-88372012000100005
Seção
Literatura/ Cultura - Literatur-/Kulturwissenschaft