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  • Chamada para contribuições: Dossiê "Religião, cultura e política entre o progressismo e o conservadorismo"

    2020-05-19

    Organizadores: Brenda Maribel Carranza Dávila (PUC-Campinas), Renan William dos Santos (USP) e Luiz Vicente Justino Jácomo (USP)

    Data limite para submissão: 31/10/2020

    A pergunta que orienta este dossiê é: de que forma os temas de grande repercussão política vem impactando, nas últimas décadas, o pensamento, prática, pregação, alianças e ações da esfera religiosa no contexto brasileiro, e vice-versa? Em alguns casos, há uma reação que busca barrar o avanço de transformações sociais mais amplas, como a secularização ou a liberalização dos costumes. Em outros, trata-se de propor uma maior abertura aos novos costumes, práticas e concepções. Ainda, os mesmos atores, instituições e denominações religiosas podem se posicionar de uma maneira que consideram “progressista” em certo tema, e de maneira “conservadora” em outro. Mas não é só a autoconcepção dos grupos que conta. “Progressismo” e “conservadorismo” são categorias relacionais que variam conforme o tempo e dependem das disputas em jogo tanto no próprio campo religioso quanto no contexto social mais amplo.

    Nesse sentido, um primeiro ponto a se levar em conta é que a esfera religiosa, ainda que frequentemente referida no singular, é sempre mais bem representada no plural. A diversificação das crenças, denominações, pertenças e identidades da fé em nosso território, assim como no resto do mundo moderno, acontece não só por meio da criação de novas religiões, mas também como resultado da dinâmica interna e transformações nas religiões já há muito instituídas. Instituições teoricamente unificadas e hierarquizadas, como a Igreja Católica, por exemplo, comportam em seu interior um mundo extremamente diverso – e nem sempre harmônico. Nas inúmeras denominações que compõem o chamado segmento evangélico, por sua vez, a semelhança entre as igrejas às vezes é tamanha que mal se nota uma distinção para além da nomenclatura, e a própria disputa entre elas no mercado religioso tende a funcionar como um contraste que evidencia as diferenças. Isso sem falar na profusão mitológica e no caráter autônomo das religiões dos orixás, que vêm temperar ainda mais esse caldeirão de cultura religiosa no Brasil, ao qual se somam ainda pitadas de outras tantas espiritualidades e bricolagens individuais, o espiritismo kardecista, as religiões orientais, os misticismos new age etc. Em meio a esse pluralismo, pululam também múltiplas derivações políticas e culturais de concepções religiosas

    Este dossiê tem como propósito reunir análises voltadas à compreensão, mapeamento e classificação de alguns desses posicionamentos religiosos em relação a pautas que estão em debate no cenário político e cultural no Brasil. Serão aceitos trabalhos teóricos ou empíricos que versem sobre as relações entre dimensões da esfera religiosa brasileira e temas como ambientalismo, homofobia, tolerância, direitos humanos, controle de natalidade, aborto, uso de drogas, controle da violência, produção cultural etc. Além disso, são bem vindas resenhas e traduções de trabalhos importantes e recentes que tratem dessas questões.

    A Revista Plural convida todas e todos a submeterem artigos para o dossiê, com previsão de publicação no primeiro semestre de 2021. Os manuscritos devem ser todos submetidos pela plataforma: revistas.usp.br/plural . As instruções gerais, normas e outras diretrizes relevantes podem ser conferidas no endereço  www.revistas.usp.br/plural/about/submissions. O material recebido será submetido à avaliação externa - processo de double-peer-blind-review. Para maiores informações, por favor, escreva-nos: plural@usp.br

    As contribuições devem ser feitas pelo site da Revista Plural, na guia "Submissões", selecionando a opção Dossiê: "Religião, cultura e política entre o progressismo e o conservadorismo".

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