Espaços autoritários: a estrada de ferro Noroeste do Brasil e a burocracia do império

  • Claudio Amaral Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)
  • Bruno Mancini Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)
  • Wilson Barbosa Alves Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)
  • Pedro Hungria Cabral Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)
Palavras-chave: Estrutura administrativa autoritária. Teoria de Frederick Taylor. Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Império. Burocracia

Resumo

Este ensaio trata dos espaços do poder autoritário nas administrações públicas do Brasil. Parte-se da estrutura administrativa assim como dos espaços de seus escritórios sob a influência da monografia Princípios de administração cientifica do engenheiro mecânico Frederick Taylor na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. No entanto, já se conhecia as gestões autoritárias desde a vinda da família Real Portuguesa ao país quando trouxeram o modelo administrativo no formato de uma Burocracia. O advento do organograma e do fluxograma para gerenciar espaços da produção social sempre se pautou pelo desenho da extrema divisão do trabalho associada a práticas de controles e vigilância. A separação entre os que mandam dos que obedecem foi a tônica desta divisão do trabalho. Mesmo quando o taylorismo foi substituído por outras teorias ditas democráticas, como a Teoria das Relações Humanas, o intuito sempre foi intensificar a exploração da força de trabalho através da destituição de seu poder. A prática das organizações administrativas desenhadas por organogramas de extrema divisão do trabalho tem servido para separar os que mandam dos que executam auxiliadas por fluxogramas direcionados ao curso das informações que mantém desinformados os que obedecem e informados os que decidem e dificultando o acesso dos primeiros aos segundos. É possível dizer que esta pratica autoritária de gestão persiste ainda hoje nas administrações públicas brasileiras. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Claudio Amaral, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)

Arquiteto Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC. Doutor e Mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Pós-doutorado pela
Ruskin Library and Research Centre, Universidade de Lancaster, Reino Unido, bolsa Fapesp. Atualmente e professor na Faculdade de Arquitetura, Artes e  Comunicação da Unesp.
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Avenida Luiz Edmundo Carrijo Coube, 14-01
17033-360 - Bauru, SP, Brasil
(11) 3082-6971

Bruno Mancini, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)

Arquiteto, aluno da Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp.

Wilson Barbosa Alves, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)

Designer, aluno da Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP

Pedro Hungria Cabral, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação. Bauru (SP)

Aluno da graduação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp.

Referências

AMARAL, C. S. Escritório, o espaço da produção administrativa em São Paulo. São Paulo: Hedra e Editora da Cidade, 2011.

BAER, W. A industrialização e o desenvolvimento econômico no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1975.

BARAN, B.; Office automation and woman work, the technological transformation of the Insurance Industry. In: CASTELLS, M. High technology space and society. Berverly Hills: Sage, 1985. BAUSBAUM L., História sincera da República. São Paulo: edt. Alfa Omega, 1976.

BAZIN, G. História da história da arte. São Paulo: Martins Fontes, s/d.

BRAVERMANN, H.; Trabalho e capital monopolista – A degradação do trabalho no século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.

CAMPOS, E. , Sociologia da burocracia. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

CARVALHO M. J., A Construção da Ordem, a elite política Imperial. Brasília: edt. Universidade de Brasília, 1980.

CHAUI, M., Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1997.

COSTA, V. E., Da Monarquia à República, momentos decisivos. São Paulo: edt. Ciencias Humanas, 1979.

CHAFEC, A.; Practical business manual. New York: McGraw-Hill, 1938.

CROZIER, M. , A sociedade bloqueada. Brasília: Universidade de Brasília, 1981.

DIDEROT, D. Da interpretação da Natureza. São Paulo: Iluminuras, 1989.

DIDEROT, D. Pensamientos sueltos sobre la pintura. Madrid: Editorial Tecnos, 1988.

ETZIONE, A. As organizações modernas. São Paulo: Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais, 1984.

FASNACHT, H. How to use business machines. New York: McGraw Hill, 1962.

FAUNCE, F. The practical manual for office workers. New York, London: McGraw Hill, 1945.

FOUCAULT M. Discipline and punish the birth of prison. Londres: Clays Ltd. 1977.

FREIRE, N. Teoria e prática da mecanografia. São Paulo: Atlas, 1961.

FOLSCHEID, D.; WUNENBURGER J. J.; Metodologia Filosófica. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

GAMA, R. A tecnologia e o trabalho na história. São Paulo: Nobel, 1986.

GORZ, A. Divisão social do trabalho, ciência, técnica e modo de produção capitalista. Lisboa: Escorpião, 1974.

GAMA, R. A Tecnologia e o Trabalho na História. São Paulo: Nobel Edusp, 1986. GRENZ, S., J. Pós-Modernismo, um guia para entender a Filosofia de nosso tempo. São Paulo: Vida Nova, 2008.

GUERRA, C. Fordismo, sua crise e o caso brasileiro. In: Cadernos Cesit. Campinas: Unicamp, 1993.

HOBSBAWN E. A Era das Revoluções, 1789 – 1848. São Paulo: Paz e Terra, 2014.

HOBSBAWN, E. A era do capital (1848-1875). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009.

KRAUZ, R. O poder das organizações. São Paulo: Nobel, 1988. LEFFINGWELL, H. Textbook of office manegement. New York: McGraw Hill, 1950.

LYNCH, C. E. C. Da monarquia à oligarquia. São Paulo: Alameda, 2014. MACEDO, H. Manual de classificação e arquivamento de papéis e documentos comerciais e civis. São Paulo: Melhoramentos, 1931.

MacGREGOR. O Lado humano da empresa. São Paulo: Martins Fontes, 1980.

MARX, C. O capital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971. v. 1-11.

MATTOS, A. A organização de escritórios. São Paulo: 1943.

NEUNER, J. Office administration. New York: McGraw Hill, 1954.

QUIRINO, J. A conquista do espaço: trabalho e utopia nos escritórios de São Paulo. 1985. 316p. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1985.

RAGO, M.L.; MOREIRA, E.F.P. O que é o Taylorismo. São Paulo: Brasiliense, 1984.

RAMOS, G. Uma introdução ao histórico da organização racional do trabalho. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1950.

RELATÓRIOS ANUAIS DA ESTRADA DE FERRO NOROESTE DO BRASIL – EFNOB (1906 a 1957).

SALERNO, M. Flexibilidade, organização e trabalho operativo: elementos para análise da produção na indústria. 1991. Tese (Doutorado em Engenharia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1991.

SEGNINI, L.R.P. Ferrovia e Ferroviários. São Paulo: Cortez, 1982.

SCHUMPETER, J. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961.

STRICKER, H. Toward simplified office procedure. New York: McGraw Hill, 1943.

TAYLOR, F. Princípios de administração científica. São Paulo: Atlas, 1995.

Publicado
2015-12-18
Como Citar
Amaral, C., Mancini, B., Alves, W., & Cabral, P. (2015). Espaços autoritários: a estrada de ferro Noroeste do Brasil e a burocracia do império. Pós. Revista Do Programa De Pós-Graduação Em Arquitetura E Urbanismo Da FAUUSP, 22(38), 140-156. https://doi.org/10.11606/issn.2317-2762.v22i38p140-156
Seção
Artigos