A errância como potência em Dom Quixote

Palavras-chave: Dom Quixote, Errância, Desconstrução

Resumo

A partir da recusa de Dom Quixote em buscar cortes ou cidades, explicitada em um diálogo com Sancho Pança no 21º capítulo da primeira parte do livro de Cervantes, este artigo reflete sobre sua errância, como perambulação pelo descampado, mas também como comportamento não orientado por funções e como identidade em constante invenção. Esta reflexão, com as várias referências filosóficas e literárias que levanta, encontra não uma peculiaridade do cavaleiro manchego, mas uma tensão permanente em nossa cultura, propondo o Quixote como uma reversão do modo a que estamos habituados a lê-la.

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Biografia do Autor

Gabriel Pedrosa, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica

Pós-doutorando no programa de estudos pós-graduados em comunicação e semiótica da pontifícia universidade católica de são paulo, possui graduação, mestrado e doutorado em arquitetura e urbanismo pela universidade de são paulo. professor dos cursos de design industrial e arquitetura do centro universitário senac, da escola da cidade e do curso de pós-graduação design para a movelaria do senac. desenvolve, paralelamente, trabalhos de arte-educação, design gráfico e literatura.

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Publicado
2019-12-12
Como Citar
Pedrosa, G. (2019). A errância como potência em Dom Quixote. Pós. Revista Do Programa De Pós-Graduação Em Arquitetura E Urbanismo Da FAUUSP, 26(49), e147568. https://doi.org/10.11606/issn.2317-2762.posfau.2019.147568
Seção
Artigos