O tempo encantado ou as astúcias dos homens lentos

Um “hipócrita” diálogo com Michel de Certeau

  • Laurent Vidal Université de La Rochelle
Palavras-chave: Homens lentos, trabalho industrial, vida cotidiana, ritmos, resistência, cidades portuárias, criação musical

Resumo

Este texto dedica-se ao “murmúrio das sociedades”, ou seja, à dimensão ordinária da vida dos heróis anônimos das sociedades industriais. Assumindo a postura da braconagem com a obra do Michel de Certeau, seguimos, em primeiro lugar, o uso crítico da metáfora sugerida por Milton Santos para falar dos pobres – os homens lentos – desdobrando um diálogo com a obra do sociólogo Jean Duvignaud. Este fez da observação das atitudes anômicas uma maneira de observar a linguagem perdida de uma sociedade. Após ter mostrado como a dominação da velocidade na era industrial (“a idade mecânica”) torna a lentidão uma forma de estigma dos dominados, ilustramos as astúcias dos homens lentos para tornar a lentidão um elemento de resistência (diminuição do ritmo de trabalho), quando não de reexistência (a partir das práticas musicais e da dança).

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Publicado
2018-08-14
Como Citar
Vidal, L. (2018). O tempo encantado ou as astúcias dos homens lentos. Revista De Antropologia, 61(2), 40-54. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2018.148934
Seção
Dossiê – Michel de Certeau [em uso]