Na varanda, o silêncio

Hanseníase, esquecimento e esgotamento narrativo na Colônia de Antônio Diogo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2020.168624

Palavras-chave:

Narrativas, Hanseníase, Esquecimento, Sofrimento

Resumo

O presente trabalho, resultado da pesquisa de campo que vem sendo desenvolvida na maior Colônia outrora destinada ao tratamento da hanseníase no Ceará, descreve um conjunto de situações etnográficas que apontam para práticas que tem que ver com uma certa resistência ao ato de narrar a dor da internação. Com o fim da política estatal de internação compulsória e a permanência dos antigos internos nas dependências da colônia, aparentemente os velhos moradores estão menos interessados em perguntas sobre os anos de reclusão, do que em diálogos sobre o que fizeram de suas vidas. O artigo, portanto, é uma tentativa de produzir uma etnografia da doença que desloca o foco da investigação da memória, em favor da atenção aos silêncios e aos processos de esquecimento.

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Biografia do Autor

Rafael Antunes Almeida, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Rafael Antunes Almeida é doutor em Antropologia pela Universidade de Brasília. É professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira e do Programa Associado de Pós-Graduação em Antropologia UFC-UNILAB.

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Publicado

2020-04-09

Como Citar

Almeida, R. A. (2020). Na varanda, o silêncio: Hanseníase, esquecimento e esgotamento narrativo na Colônia de Antônio Diogo. Revista De Antropologia, 63(1), 35 - 58. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2020.168624

Edição

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Artigos