“O meu avô deu a ayahuasca para o Mestre Irineu”: reflexões sobre a entrada dos índios no circuito urbano de consumo de ayahuasca no Brasil

  • Beatriz Caiuby Labate Centro de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação em Antropologia Social, Centro de Pesquisa e Ensino em Economia, Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos
  • Tiago Coutinho Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Ayahuasca, Santo Daime, rituais, xamanismo, grupos indígenas

Resumo

Este artigo faz uma reflexão sobre a entrada dos índios no circuito urbano da ayahuasca. Descrevemos o processo de contato de diferentes populações indígenas, tais como os Kaxinawa, Guarani, Apurinã, Kuntanawa e Yawanawa com as religiões ayahuasqueiras e os neoayahuasqueiros. Observamos a reivindicação de alguns destes grupos de que teriam sido os responsáveis por introduzir a ayahuasca ao Mestre Irineu, o fundador do Santo Daime. Contemplamos a penetração do discurso de alguns destes atores no debate público, tentando entender sua reinvindicação de participação indígena no processo de reconhecimento da ayahuasca como patrimônio cultural imaterial junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Analisamos em que medida a entrada dos índios neste circuito, ou a participação de não índios em cerimônias em aldeias no Acre, está reconfigurando o campo religioso ayahuasqueiro brasileiro. 

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Publicado
2014-12-19
Como Citar
Labate, B., & Coutinho, T. (2014). “O meu avô deu a ayahuasca para o Mestre Irineu”: reflexões sobre a entrada dos índios no circuito urbano de consumo de ayahuasca no Brasil. Revista De Antropologia, 57(2), 215-250. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2014.89113
Seção
Artigos