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Dossiê - Autonomia universitária no Brasil, 30 anos (1988-2018): história, projetos e impasses.

2019-08-17

Autonomia universitária no Brasil, 30 anos (1988-2018)

: história, projetos e impasses.

 

Publicação contínua (em andamento):

http://www.revistas.usp.br/ran/issue/view/11474

 

A autonomia das universidades brasileiras começou a ser construída durante o processo de redemocratização política do país em 1988. Em 2018, essa construção ainda inalcançada completou 30 anos. Entre avanços e recuos, percebe-se que processos diferentes marcaram as trajetórias das universidades públicas (federais e estaduais) e privadas. Enquanto algumas instituições estaduais puderam aprofundar consideravelmente a sua autonomia (seja em termos administrativo-financeiros, seja relação à esfera didático-científica), outras nem tanto. O mesmo pode ser dito em relação às universidades federais, que pouco avançaram na real conquista da autonomia administrativo-financeira. Por sua parte, as instituições privadas talvez tenham desfrutado de uma situação privilegiada, sobretudo do ponto de vista didático-científico, dado que houve uma profusão de cursos novos, diversificando as áreas tradicionais. O que não significa, evidentemente, que essa autonomia tenha resultado em uma maior qualidade acadêmica, pois houve uma proliferação de fundações universitárias privadas de baixa ou baixíssima qualidade, verdadeiras máquinas industriais de acumulação e lucro sem qualquer preocupação real com a produção e difusão de conhecimentos científicos.

Diante desse quadro, o objetivo principal do Dossiê aqui proposto é avaliar a trajetória histórica da autonomia universitária brasileira nesses três conjuntos: universidades federais, estaduais e privadas. É fundamental levar em consideração os possíveis subtemas derivados dos dois principais pilares da autonomia: o administrativo-financeiro e o didático-científico. Também nos interessa mapear os dissensos e conflitos em relação ao processo de autonomia (no passado e no presente), atualizando as expectativas da sociedade em relação aos objetivos da universidade brasileira. Nesse sentido, a Revista Angelus Novus (RAN) abre o espaço para apresentação de textos fundamentados tanto em pesquisa acadêmica quanto na experiência de vida marcada pela atuação pública no tema que inspira o dossiê.

Serão aceitos e recebidos para avaliação textos que reflitam sobre momentos importantes da construção da autonomia universitária e que analisem os desafios contemporâneos do problema. Convidamos a todos os pesquisadores, professores universitários, gestores e organizações engajadas na defesa do princípio da autonomia universitária a enviarem as suas contribuições.

 

PERFIL DAS CONTRIBUIÇÕES

1) Artigos científicos e resenhas críticas (conforme orientações disponíveis na página oficial da RAN)

http://www.revistas.usp.br/ran/about/submissions

2) Intervenções críticas, levantamento de dados e informações sobre o tema, depoimentos etc. (extensão mínima de 3 e extensão máxima de 10 páginas; utilizar fonte Times New Roman, corpo 12 e entre linhas com espaço de 1,5cm; as margens da página devem ser obedecer aos limites: 3 cm superior e à esquerda e 2 cm inferior e à direita. Ser redigido em língua portuguesa, inglesa ou espanhola. Os textos serão submetidos à avaliação do Conselho Editorial da RAN e receberão parecer específico).

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Saiba mais sobre Dossiê - Autonomia universitária no Brasil, 30 anos (1988-2018): história, projetos e impasses.

Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de fatos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés. Ele gostaria de parar para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruído. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já não as consegue fechar. Esse vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta as costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até o céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval.

Walter Benjamin, Sobre o conceito da história: tese IX (1940).