Perfil do risco cardiovascular de mulheres adultas triadas para um programa de exercício físico

  • Fernanda dos Santos Neri Universidade Estadual de Londrina
  • Beatriz Simões Galera Universidade Estadual de Londrina
  • Camila Bossoni Russo Universidade Estadual de Londrina
  • Erick Henrique Pereira Eches Universidade Estadual de Londrina
  • Isabella dos Santos Laqui Universidade Estadual de Londrina
  • Crivaldo Gomes Cardoso Júnior niversidade Estadual de Londrina
Palavras-chave: Atividade motora, Saúde da mulher, Cardiopatias, Fatores de risco

Resumo

O objetivo do estudo foi descrever o perfil de risco cardiovascular (RCV) de mulheres adultas triadas para participação de um programa de exercício físico. Foram avaliadas 409 mulheres, com idade entre 20 e 59 anos. Seguiu-se a recomendação de triagem e estratificação do RCV proposta pelo Colégio Americano de Medicina Esportiva por meio da aplicação de um questionário face a face que identificou o Risco Alto (RA) pela presença de doença cérebro-cardiovascular ou sintomas de instabilidade cardíaca, Risco Moderado pela presença de três ou mais fatores de risco e o Risco Baixo pela presença de até dois fatores de risco para mulheres com idade inferior a 55 anos. Entretanto, para atender ao desfecho primário do estudo (prevalência do alto risco) foram agrupadas as categorias de risco baixo e moderado (RBM). A frequência das mulheres para o RA foi de 35,2%, sendo: 22,9% cardiopatas, 56,9% apresentavam dispneia, 45,1% vertigem e 32,6% dor no peito. A frequência de mulheres classificadas como RBM, foi de 64,8%. O fator de risco mais prevalente foi a obesidade, sendo 47,5% no RBM e 61,8% no RA, seguido da hipertensão para o RA (43,1%). Houve correlação entre RA e hipertensão (r=0,193; p<0,01); diabetes (r=0,108; p<0,05); obesidade (r=0,158; p<0,01) e sintomatologia climatérica (r=0,150; p<0,01). Para o RA, não houve diferença estatisticamente significante na proporção de mulheres que se autodeclaram hipertensas (χ²=0,071; p>0,05) e diabéticas (χ²= 0,500; p>0,05). Entretanto, houve diferença significante em favor de uma maior proporção de mulheres obesas e que foram classificadas na condição cardiovascular de RA (χ²= 6,367; p =0,01). Em conclusão, há grande prevalência de mulheres classificadas como RA, reforçando a importância da triagem pré-participação ao exercício.

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Biografia do Autor

Fernanda dos Santos Neri, Universidade Estadual de Londrina

Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

Beatriz Simões Galera, Universidade Estadual de Londrina

Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

Camila Bossoni Russo, Universidade Estadual de Londrina

Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

Erick Henrique Pereira Eches, Universidade Estadual de Londrina

Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

Isabella dos Santos Laqui, Universidade Estadual de Londrina

Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

Crivaldo Gomes Cardoso Júnior, niversidade Estadual de Londrina

Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

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Publicado
2018-12-20
Como Citar
Neri, F., Galera, B., Russo, C., Eches, E., Laqui, I., & Cardoso Júnior, C. (2018). Perfil do risco cardiovascular de mulheres adultas triadas para um programa de exercício físico. Revista Brasileira De Educação Física E Esporte, 32(2), 181-188. https://doi.org/10.11606/1807-5509201800020181
Seção
Artigos