Bebendo perigosamente? Jovens torcedores de futebol, álcool e masculinidade no Brasil

  • Heloisa Helena Baldy dos Reis Universidade Estadual de Campinas
  • Mariana Zuaneti Martins Instituto Federal do Sul de Minas
  • Ramón Spaaij Victoria University
  • Felipe Tavares Paes Lopes Universidade de Sorocaba
Palavras-chave: Futebol, Álcool, Torcidas organizadas, Masculinidade, Fanatismo

Resumo

Este artigo analisou os jovens membros das torcidas organizadas de futebol e sua relação com o álcool. Essa relação foi investigada com base em um survey por meio do qual foram entrevistados 804 torcedores do estado de São Paulo, Brasil. Os resultados do survey indicaram que o percentual de jovens que se envolve com o uso abusivo de álcool é consideravelmente mais alto que a média da faixa etária no Brasil. Comparando com jovens de outros países, argumentamos que essa taxa alta é relacionada às práticas culturais que envolvem os jovens torcedores, nas quais beber “perigosamente” é um elemento constituinte da masculinidade no contexto do futebol.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Heloisa Helena Baldy dos Reis, Universidade Estadual de Campinas

Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brazil.

Mariana Zuaneti Martins, Instituto Federal do Sul de Minas

Instituto Federal do Sul de Minas, Pouso Alegre, MG, Brazil.

Ramón Spaaij, Victoria University

Victoria University, Footscray, VIC, Australia.

Felipe Tavares Paes Lopes, Universidade de Sorocaba

Universidade de Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil.

Referências

Nicholson M, Hoye R, Brown K. Alcohol and community football in Australia. Int Rev Sociol Sport. 2014;49(3/4):293-310.

Adams J, Coleman J, White M. (2014). Alcohol marketing in televised international football: frequency analysis. BMC Public Health. 2014;14:473.

Dunning, E. (2000) Towards a sociological understanding of football hooliganism as a world phenomenon. Eur J Crim Pol Res. 2000;8(2):141-62.

Peitersen B. Roligan: un modo d’essere dei tifosi danesi. In: Roversi A, editor. Calcio e violenza in Europa. Bologna: Il Mulino; 1990; p. 169-86.

Giulianotti R. Football and the politics of carnival: an ethnographic study of Scottish fans in Sweden. Int Rev Sociol Sport. 1995;30(2):191-220.

Frosdick S, Marsh P. Football hooliganism. Cullompton: Willan; 2005.

Lemle R, Mishkind ME. Alcohol and masculinity. J Subst Abuse Treat. 1989;6:213-22.

Palmer C. Key themes and research agendas in the sport-alcohol nexus. J Sport Soc Issues. 2011;35(2):168-85.

Giulianotti R. Scotland’s tartan army in Italy: The case for the carnivalesque. Sociol Rev. 1991;39(3):503-27.

Robson G. No one likes us, we don’t care: the myth and reality of Millwall fandom. Oxford: Berg; 2000.

Pearson G. An ethnography of English football fans: cans, cops and carnivals. Manchester: Manchester University Press; 2012.

Alabarces P. “Aguante” and repression: Football, politics and violence in Argentina. In: Dunning E, Murphy P, Waddington I, Astrinakis AE, editors. Fighting fans: football hooliganism as a world phenomenon. Dublin: University College Dublin Press; 2002. p. 23-36.

Pearson G, Sale A. On the lash: revisiting the effectiveness of alcohol controls at football matches. Policing Soc. 2011;21(1):1-17.

Lopes FTP. Discursos sobre violência envolvendo torcedores de futebol: ideologia e crítica na construção de um problema social [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2012.

Murad M. Violência e o futebol: dos estudos clássicos aos dias de hoje. Rio de Janeiro: Editora FGV; 2007.

Thompson K, Palmer C, Raven M. Drinkers, non-drinkers and deferrers: reconsidering the beer/footy couplet amongst Australian Rules football fans. Aust J Anthropol. 2011;22(3):388-408.

Pimenta CAM. Torcidas organizadas de futebol: violência e auto-afirmação – aspectos da construção das novas relações sociais. São Paulo: Vogal; 1997.

Russell GW. Sport riots: a social-psychological review. Aggress Violent Behav. 2004;9:353-78.

Monteiro RA. Torcer, lutar, ao inimigo massacrar: Raça Rubro-Negra! Uma etnografia sobre futebol, masculinidade e violência. Rio de Janeiro: Editora FGV; 2003.

Spaaij R. Men like us, boys like them: violence, masculinity, and collective identity in football hooliganism. J Sport Soc Issues. 2008;32(4):369-92.

Armstrong G. Football hooligans: knowing the score. Oxford: Berg; 1998.

Hughson J The boys are back in town: soccer support and the social reproduction of masculinity. J Sport Soc Issues. 2000;24(1):8-23.

Garriga Zucal J. “Soy macho porque me la aguanto”: etnografía de las prácticas violentas y la conformación de identidades de género masculinas. In: Alabarces P, Conde M, Dorado C, editores. Hinchadas. Buenos Aires: Prometeo; 2005. p. 39-58.

Spaaij R, Geilenkirchen M. Ta(l)king sides: ethical and methodological challenges in comparative fieldwork on avid football rivalries. Soccer Soc. 2011;12(5):633-51.

Reis HHB. Lei Geral da Copa e o processo de criação da legislação sobre violência. Movimento. 2012;18(1):69-99.

Rodrigues VMB. Bebidas alcoólicas e estádios de futebol. Jus Navigandi [Internet]. 2012 [citado 2019 mar. 1];17(3352). Disponível em: https://jus.com.br/artigos/22554/o-esporte-bretao-a-copa-do-mundo-e-as-bebidas-alcoolicas.

España. Dictamen de la Comisión Especial de Investigación de la Violencia en los Espectáculos Deportivos, con especial referencia al fútbol. Madrid: Senate; 1990.

Buford B. Entre os vândalos: multidão e a sedução da violência. São Paulo: Companhia das Letras; 1992.

Garriga Zucal J. Pibitos chorros, fumancheros y con aguante. El delito, las drogas y la violencia como mecanismos constructores de identidad en una hinchada. In: Alabarces P, Conde M, Dorado C, editores. Hinchadas. Buenos Aires: Prometeo; 2005.

Costa Neto PL. Estatística. São Paulo: Edgard Blucher; 1977.

Gil AL. Como elaborar projetos de pesquisa. 5a ed. São Paulo: Atlas; 2010.

Romera L, Reis HHB. Uso de álcool, futebol e torcedores jovens. Motriz. 2009;15(3):541-51.

Saunders J, Aaslang O, Babor T, De La Fuente J, Grant M. Development of the Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT): WHO collaborative project on early detection of persons with harmful alcohol consumption, II. Addiction. 1993;88:791-804.

Mendez EB. Uma versão brasileira do AUDIT (Alcohol User Disorders Identification Test) [tese]. Pelotas (RS): Universidade Federal de Pelotas; 1999.

Lima CT, Freire ACC, Silva APB, Teixeira RM, Farrell M, Prince M. Concurrent and construct validity of the AUDIT in an urban Brazilian sample. Alcohol Alcohol. 2005;40(6):584-89.

Martins RA, Manzatto JA, Cruz LN, Poiate SMG. Scarin ACCF. Utilização do AUDIT para identificação do consumo de álcool entre estudantes do ensino médio. Interam J Psychol. 2008;42(2):307-16.

Martins RA. Uso de álcool, intervenção breve e julgamento sócio-moral em adolescentes que bebem excessivamente [tese]. Marília: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho; 2006.

Mendoza-Sassi RA, Béria JU. (2003) Prevalence of alcohol use disorders and associated factors: a population-based study using AUDIT in southern Brazil. Addiction. 2003;98(6):799-804.

Barros MBA, Botega NJ, Dalgalarrondo P, Marín-León L, Oliveira HB. (2007) Prevalence of alcohol abuse and associated factors in a population-based study. Rev Saúde Pública. 2007;41(4):502-9.

Laranjeira R, Pinsky I, Zalesky M, Caetano R. I Levantamento Nacional Sobre padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira. Brasília: Senad; 2007.

Alabarces P. Crónicas del aguante: fútbol, violencia y política. Buenos Aires: Capital Intelectual; 2004.

Alabarces P. “Aguante” and repression: football, politics and violence in Argentina. In: Dunning E, Murphy P, Waddington I, Astrinakis AE, editors. Fighting fans: football hooliganism as a world phenomenon. Dublin: University College Dublin Press; 2002, p. 23-36.

Escher TA, Reis HHB. Os supostos espaços de discussão futebolística na televisão: as mesas redondas. Rev Bras Ciênc Esporte. 2012;34(1):197-215.

Becker HS. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar; 2009.

World Health Organization (WHO). (2011) Global Status Report on Alcohol and Health. Geneva; 2011.

Reis HHB. Futebol e violência. Campinas: Autores Associados; 2006.

Reis HHB. A violência nos estádios: estudo comparado entre Brasil e Espanha [tese]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2004.

Publicado
2018-12-20
Como Citar
Reis, H., Martins, M., Spaaij, R., & Lopes, F. (2018). Bebendo perigosamente? Jovens torcedores de futebol, álcool e masculinidade no Brasil. Revista Brasileira De Educação Física E Esporte, 32(2), 277-288. https://doi.org/10.11606/1807-5509201800020277
Seção
Artigos