Os “Anos de Chumbo” e a USP Hoje: a Transmissão de um Trauma

  • Belinda Mandelbaum Universidade de São Paulo (USP)
Palavras-chave: Ditadura militar, Universidade, Trauma.

Resumo

A partir de um fato recente de nossa História, a cerimônia oficial no Palácio do Planalto, em novembro de 2011, que criou a Comissão da Verdade – órgão que tem por função coordenar
os trabalhos de investigação sobre os crimes de natureza política cometidos durante o período da ditadura militar em nosso país – e na qual a representante dos familiares dos desaparecidos políticos, a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Vera Paiva, foi impedida na última hora de ler o seu discurso, a autora faz uma reflexão sobre o emudecimento das vítimas de violência e de seus familiares, apontando o transtorno produzido por este silêncio
no trabalho com a memória familiar e social. Utilizando concepções advindas dos estudos psicanalíticos de grupos e instituições, em particular os achados sobre a transmissão intergeracional do trauma, a autora propõe a hipótese de que acontecimentos violentos nos dias atuais em nossa universidade podem ter como um de seus determinantes uma espécie de compulsão à repetição (Freud, 1920), uma reprodução em ato de acontecimentos que a USP viveu nos “anos de chumbo” e não pôde ainda esclarecer e reparar.

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Biografia do Autor

Belinda Mandelbaum, Universidade de São Paulo (USP)
Professora associada do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (PST-IP-USP)
Publicado
2012-05-01
Como Citar
Mandelbaum, B. (2012). Os “Anos de Chumbo” e a USP Hoje: a Transmissão de um Trauma. Revista De Cultura E Extensão USP, 7, 79-84. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9060.v7i0p79-84
Edição
Seção
Artigos