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Mapeamento cognitivo cerebral de auditores e contadores em julgamentos de continuidade operacional

César Valentim de Oliveira Carvalho Júnior, Edgard Cornacchione, Armando Freitas da Rocha, Fábio Theoto Rocha

Resumo


Este estudo tem por objetivo explicar em que extensão os padrões de mapeamento cerebral seguem padrões comportamentais de julgamentos de auditores e contadores quanto à avaliação de evidências para decisões relativas à continuidade operacional. Esta pesquisa multidisciplinar envolveu investigação da relação entre a teoria de atualização de crenças, a neurociência e a neurocontabilidade (neuroaccounting) em uma amostra de auditores e contadores. Desenvolvemos um estudo randomizado controlado com 12 auditores e 13 contadores. Os auditores e controladores apresentaram julgamentos semelhantes em continuidade operacional, demonstrando especialmente uma sensibilidade maior a evidências negativas. Apesar da semelhança de julgamentos, os resultados apresentaram padrões divergentes de processamento cerebral entre os grupos, ensejando que raciocínios distintos foram utilizados para chegar às estimativas de continuidade operacional. Durante o processo decisório, os auditores apresentaram padrões homogêneos de processamento cerebral, enquanto os contadores manifestaram conflitos e maior esforço cognitivo. Em ambos os grupos, observou-se a ocorrência de maximização (minimização) de julgamentos em áreas cerebrais associadas à identificação de necessidades e motivações vinculadas às relações dos indivíduos com seu grupo social. Isso é reforçado pela falta de diferenças significativas entre os mapas de regressão dos auditores e contadores, levando à interpretação dos resultados dos grupos como sendo um comportamento cerebral homogêneo. Apesar da familiaridade com as tarefas executadas e do conhecimento das normas de auditoria, a maior utilização do raciocínio algorítmico teve como resultado que os julgamentos dos auditores foram semelhantes aos dos contadores. Por outro lado, o esforço cognitivo maior dos contadores, por experimentarem maiores conflitos no processo de tomada de decisão, levou-os a usar mais capacidade de processamento quântico cerebral, responsável pelo raciocínio consciente. Isso foi observado nas maximizações (minimizações) das estimativas em áreas cerebrais relacionadas à preocupação com a repercussão social dos julgamentos, o que culminou com certo grau de “conservadorismo” em suas decisões. Ademais, esses resultados proporcionam outra oportunidade de discutir a hipótese do cérebro enquanto instituição contábil original.

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1808-057x201703430

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