Poder preditivo do desempenho de fundos brasileiros de ações a partir do R2 como medida do grau de seletividade

  • Marcelo dos Santos Guzella Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais
  • Carlos Heitor Campani Edhec-Risk Institute
Palavras-chave: seletividade de fundos de ações, mercado financeiro brasileiro, poder preditivo, índice Sharpe, alfa de Jensen

Resumo

Este trabalho investigou o impacto do grau de seletividade dos fundos em sua performance por meio de uma metodologia pioneiramente (até onde foi verificado) aplicada no mercado brasileiro. Como indicador do grau de atividade do fundo, propusemos o coeficiente de determinação (R2) da regressão de seus retornos sobre os retornos de mercado. Foram avaliados 867 fundos de ações brasileiros no período de novembro de 2004 a outubro de 2014. Foi testada a hipótese de que fundos mais seletivos apresentariam melhores retornos para compensar seus custos mais elevados. Essa hipótese foi confirmada no mercado brasileiro. A avaliação foi feita pela subdivisão da amostra em portfólios igualmente ponderados, de acordo com o R2 e alfas históricos dos fundos, com rebalanceamento mensal e janelas móveis de 12 meses. O portfólio construído por fundos mais seletivos obteve índice Sharpe de 0,0494, em base mensal, e aquele composto por fundos menos seletivos registrou um índice de -0,0314. A performance foi superior também na avaliação pelo excesso de retorno, pelo alfa de Jensen e pelo retorno acumulado, e na comparação com portfólios formados por fundos selecionados aleatoriamente. Além disso, a performance passada (medida pelo alfa de Jensen) também se mostrou um preditor de performance. Em particular, o portfólio formado por fundos com menor R2 e maior alfa históricos apresentou índice Sharpe de 0,1483 e alfa de Jensen (significativo a 1%) de 0,87%, enquanto aquele formado por fundos com menor grau de atividade e menor alfa histórico obteve índice Sharpe de -0,0673 e alfa de Jensen (significativo a 1%) de -0,32%.

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Publicado
2017-08-01
Como Citar
Guzella, M., & Campani, C. (2017). Poder preditivo do desempenho de fundos brasileiros de ações a partir do R2 como medida do grau de seletividade. Revista Contabilidade & Finanças, 28(74), 282-296. https://doi.org/10.1590/1808-057x201703590
Seção
Artigos