Vinte e um anos sem correção monetária no Brasil:

impactos na comparabilidade da informação contábil em empresas siderúrgicas e metalúrgicas

Palavras-chave: correção monetária, inflação, qualidade da informação, comparabilidade, investidor.

Resumo

O estudo teve por objetivo verificar empiricamente a existência ou não de distorção da comparabilidade da informação, quando omitidos os efeitos inflacionários nas demonstrações contábeis. Apesar de o Brasil vivenciar, desde o Plano Real, um cenário de inflação sob controle, com índices bem aquém dos registrados nas décadas de 1980 e 1990, discutir sobre a necessidade do reconhecimento contábil dos efeitos da inflação permanece como uma questão extremamente relevante e pertinente, em face da proposta da contabilidade de produzir informações fidedignas que reflitam o mais próximo à realidade econômica na qual operam as organizações. Os resultados da pesquisa evidenciam que a contabilidade financeira tem sido diretamente afetada pela omissão dos efeitos inflacionários nas demonstrações contábeis, chamando a atenção para os efeitos negativos causados à qualidade das informações por ela produzidas. Para operacionalização da pesquisa, aplicou-se, aos balanços de empresas brasileiras do subsetor de siderurgia e metalurgia listadas na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo, no período de 1996 a 2016, a correção monetária de balanços (CMB). A partir das variáveis lucro líquido, retorno sobre o patrimônio líquido (return on equity – ROE) e retorno sobre ativos (return on assets – ROA) e de dois eixos conceituais de comparabilidade (entre empresas e entre períodos), foram desenvolvidos os parâmetros estatísticos e definidas as hipóteses, as quais foram testadas por meio do teste paramétrico t de Student. A pesquisa mostra o prejuízo causado ao processo de tomada de decisão dos usuários externos, a quem se destinam as demonstrações contábeis quando estas são preparadas, desprezando-se os efeitos da inflação. Tal prejuízo é verificável pelas análises dos resultados obtidos, dentre as quais a observação de relevantes distorções entre as médias dos indicadores corrigidos e as médias dos indicadores históricos, como o caso do lucro líquido em 2001, 2002, 2012, 2013, 2014 e 2016 (33,98, 91,92, -65,54, -30,01, -53,59 e 26,30% de variação, respectivamente), do ROE (-67,16, -61,43, -53,06, -63,46, -133,81 e 65% de variações em 2008, 2009, 2010, 2011, 2014 e 2015, respectivamente) e do ROA (-26,70, -41,14, -33,34, -43,49, 98,83 e -413,68% em 2005, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2014, respectivamente).

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Biografia do Autor

Wellington Rodrigues Silva Souza

Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, Mestrado Acadêmico em Ciências Contábeis

Marcos Peters

Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, Mestrado Acadêmico em Ciências Contábeis

Aldy Fernandes da Silva

Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, Mestrado Acadêmico em Ciências Contábeis

Maria Thereza Pompa Antunes

Faculdade Fipecafi, Mestrado Profissional em Controladoria e Finanças

Publicado
2018-09-27
Como Citar
Souza, W., Peters, M., Silva, A., & Antunes, M. T. (2018). Vinte e um anos sem correção monetária no Brasil:. Revista Contabilidade & Finanças, 29(78), 355-374. https://doi.org/10.1590/rc&f.v29i78.150644
Seção
Artigos Originais