Editorial

  • André Carlos Busanelli de Aquino Universidade de São Paulo

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Publicado
2019-05-31
Como Citar
Aquino, A. (2019). Editorial. Revista De Contabilidade E Organizações, 13, e158565. https://doi.org/10.11606/issn.1982-6486.rco.2019.158565
Seção
Editorial

Prezados leitores da Revista de Contabilidade e Organizações,

Abrimos o volume 13, relativo ao ano de 2019. Neste segundo ano em fluxo contínuo, a RCO oferece aos leitores uma coleção mais plural e procura ampliar o alcance da contabilidade para Empresas, Mercados & Governos. Trazemos temáticas que ficavam normalmente distantes do interesse e foco dos pesquisadores da área.

O fluxo contínuo, conhecido como ‘continuous publication model’ ou ‘rolling pass’, permite maior celeridade na divulgação. Veja mais detalhes da mudança no Editorial de 2018. Nosso tempo médio de Desk Review é atualmente 52 dias considerando os últimos 12 meses, comparado a 66 dias em 2018 e 40 dias em 2017. A taxa de rejeição em Desk Review é de 47% nos últimos 12 meses, 41% em 2018, e 49% em 2017.

A partir de junho de 2019, a RCO terá novo Editor-Chefe e Adjunto, Flávia Zóboli Dalmácio e Ricardo Luiz Menezes da Silva, ambos do Departamento de Contabilidade da FEA-RP/USP. A Profa. Flávia Dalmácio acompanha a RCO como Editora-Adjunta desde 2017, e assume agora a posição de Editora-Chefe, e o Prof. Ricardo da Silva, que atuou como Editor Associado em 2018, a posição de Adjunto.

Apresento este Editorial e aproveito para agradecer ao Comitê Executivo da RCO, na figura da Profa. Maísa Ribeiro, a confiança depositada e a oportunidade de dirigir esta jovem e dinâmica revista. Ainda, deixar meus votos de vida longa e sempre renovada à RCO! Por fim, agradeço às responsáveis pela Secretaria da RCO neste período em que dirigi a revista, Sra. Rogiene Batista dos Santos e Sra. Fernanda Massarotto Dandaro, duas profissionais de irretocável competência editorial e ética científica. Elas foram o porto seguro de todo processo.

A descrição a seguir neste editorial cobre a coleção divulgada em 2018 e a parte da coleção já publicada de 2019, sob minha responsabilidade. Em 2018, a convite do Editor, Andson Braga de Aguiar em ‘Reflexões e Tendências’ trouxe sugestões de desenhos alternativos de pesquisa para contabilidade gerencial.

Em artigos regulares, começo destacando um conjunto de artigos que foca o nível individual de análise. Primeiro, a discussão de traços sombrios na personalidade (Dark Triad) que afeta escolhas de carreira em estudantes de contabilidade. Em seguida, três estudos sobre o conhecimento financeiro de adolescentes, observando o efeito da família e das habilidades matemáticas na educação financeira desses jovens.

Escolha de carreira: o Dark Triad revela interesses de estudantes de Contabilidade, de Márcia Figueredo D'Souza e Gerlando Augusto Sampaio Franco de Lima (2018)

O efeito da família no comportamento financeiro de adolescentes em escolas públicas, de Cristian Baú Dal Magro, Marcello Christiano Gorla, Tarcísio Pedro da Silva e Nelson Hein (2018)

A influência da família tem algum efeito? Análise da remuneração dos executivos das empresas familiares e não familiares, de Thaisa Renata Santos e Júlio Orestes Silva (2018)

Habilidades matemáticas e o conhecimento financeiro no ensino médio, de

Marcella Alves da Silva, Edvalda Araujo Leal e Tamires Sousa Araujo (2018)

A RCO também deu espaço para estudos que abordam a influência da cultura organizacional. Com o uso de uma abordagem quantitativa, analisando empresas listadas na NYSE, até estudo de caso em um empreendimento do setor de alimentação (vejam vídeo gravado no canal facebook da RCO). A questão da cultura também foi discutida nos sistemas de controle aplicados no ambiente de inovação tecnológica de incubadoras de empresas.

Cultura organizacional e desempenho nas empresas estrangeiras listadas na NYSE, de Paulo Henrique Nobre Parente, Marcia Martins Mendes De Luca, Gerlando Augusto Sampaio Franco de Lima e Alessandra Carvalho de Vasconcelos (2018)

A Gestão Ordinária e suas práticas: o caso da Cafeteria Will Coffee, de Alexandre de Pádua Carrieri, Denis Perdigão, Paula Gontijo Martins e Ana Rosa Camillo Aguiar (2018)

Reflexos da cultura local nos sistemas de controle de incubadoras de empresas, de Iago França Lopes e Ilse Maria Beuren (2018)

Estas são iniciativas que devem ser valorizadas e impulsionadas, pois procuram fazer algo que contribui para toda área, que é elucidar o funcionamento interno das organizações, indo além das análises de grupos de organizações em mercados. Tais estudos ajudam a rever alguns pressupostos que já se mostraram de baixa utilidade nos estudos de Contabilidade & Organizações.

Divulgamos, também, análises mais tradicionais para a área, sempre buscando um avanço em relação ao que já se conhece. Por exemplo, a meta-análise de estudos de value relevance mostra uma falta de congruência instigante nos resultados sobre o tema. Alguns estudos indicam novos rumos para a pesquisa em suas áreas ao demonstrarem, por exemplo, que decisões de créditos não seguem princípios teóricos esperados na América Latina, ou demonstrarem que empresas realizam aquisições como uma estratégia para manter a competitividade, e que as expectativas de otimismo e pessimismo dos investidores são mais relevantes para o preço do petróleo e seu retorno no mercado de ações do que outros fatores indicados pela literatura.

O Value Relevance é relevante?, de Simone Miranda dos Santos, Sirlei Lemes e Flávio Luiz de Moraes Barboza (2019)

Efeitos do rating de crédito sobre a estrutura de capital das empresas latino- americanas, de Thiago Botta Paschoal, Matheus da Costa Gomes e Mauricio Ribeiro do Valle (2019)

Por que as empresas realizam aquisições com frequência?, de Daiana Paula Pimenta e Rafael Barreiros Porto (2018)

Recomendações aos comitês de auditoria em empresas brasileiras, de Alini da Silva, Paulo Roberto Da Cunha e Silvio Aparecido Teixeira (2018)

Os choques do preço do petróleo e a resposta assimétrica do mercado de ações, de Paulo Fernando Marschner e Paulo Sergio Ceretta (2018)

Divulgação de ativos biológicos e concentração acionária nas empresas brasileiras do agronegócio, de Júlia Peres Tortoli, Paulo Alexandre da Silva Pires, Ducineli Régis Botelho e Ilírio José Rech (2018)

Reflexões sobre o estabelecimento de preços a partir dos custos e dos preços das ofertas concorrentes: a lacuna pode não ser tão profunda, de Juliana Ventura Amaral e Reinaldo Guerreiro (2018)

Ainda nas análises tradicionais, apresentamos a falta de informação a respeito da extensão dos riscos e dos prejuízos ao ecossistema causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

Entendimento da Responsabilidade Social Corporativa da Samarco no rompimento da barragem de Fundão, de José Paulo Cosenza, Cintia de Melo de Albuquerque Ribeiro, Ariel Levy e Selma Alves Dios (2018)

Um tema que surge com cada vez mais força é o “Combate à corrupção”. A RCO declarou seu interesse na temática na comemoração de 10 anos da revista, e laçou a chamada temática “Fraudes e Combate à Corrupção”. Na coleção 2018-2019 tivemos 3 interessantes contribuições. Primeiro um estudo qualitativo sugerindo a influência histórica de padrões regionais de comportamento, que podem explicar o entendimento atual de atos eticamente contestáveis na administração pública. Em seguida, a análise quantitativa do uso da receita de royalties da mineração para práticas clientelistas, o que explica muitos casos de fracasso de municípios que supostamente teriam mais facilidade em ter ótimas políticas públicas implantadas. Por fim, a análise documental dos relatórios de guidance de empresas investigadas em Operações da Polícia Federal, e que nada relatam sobre tais operações, como se tais operações não existissem ou não importassem aos investidores.

Padrões discursivos sobre corrupção, de Cintia Rodrigues de Oliveira Medeiros e Luiz Romeu de Freitas Júnior (2019)

Riqueza mineral, instituições fracas e clientelismo: a maldição dos recursos naturais nos governos locais, de Alexandre de Cássio Rodrigues e Suzana Braga Rodrigues (2019)

Análise do relatório de guidance em empresas investigadas pela Polícia Federal: exame sob a perspectiva do gerenciamento de impressões de Vagner Alves Arantes, Ivonaldo Brandani Gusmão e Mayla Cristina Costa (2019)

Para finalizar essa visão geral da coleção 2018-2019, gostaria de destacar a atenção dada pela RCO ao tema de Contabilidade e Finanças no Setor Público, normalmente com pouco espaço editorial na área. A chamada proposta “Contabilidade organizacional e a organização da contabilidade no Setor Público”, não conseguiu ter artigos suficientes aprovados pela RCO para montar um número temático. Mas foi possível acompanhar como a indução de um tema pode apoiar autores a iniciarem suas pesquisas na área. O número de artigos na temática tem crescido, talvez pela percepção de maior espaço aberto pela RCO e outras revistas para todos tipos de temáticas.

Na coleção de 2018-2019, dois artigos tratam da ação dos Tribunais de Contas. O primeiro aborda a interpretação particular dada à Lei de Responsabilidade Fiscal, e o segundo mostra a dinâmica dos votos de relatores e conselheiros para a aprovação de contas públicas, mesmo havendo irregularidades graves apontadas nos relatórios de auditoria. Os dois artigos juntos são referências relevantes para quem estuda a questão de Finanças Públicas no Brasil.

Os Tribunais de Contas na interpretação da Lei de Responsabilidade Fiscal, de Selene Peres Peres Nunes, Gileno Fernandez Marcelino e César Augusto Tibúrcio Silva (2019)

Aprovação de contas municipais com irregularidades gravíssimas: quando a auditoria técnica não é suficiente Patricia Adriana Azambuja, Aridelmo Teixeira e Silvania Neris Nossa (2018)

Mudando o foco para o poder executivo, dois artigos dão pistas inéditas para o entendimento da dificuldade do avanço das reformas em contabilidade pública, a rotatividade dos servidores nos departamentos de contabilidade, e os diferentes estilos de aprendizagem daqueles que operam a função contábil em governos.

Efeitos da rotatividade de pessoal sobre práticas das equipes de contabilidade em municípios, de Ricardo Rocha de Azevedo, André Feliciano Lino e Josedilton Alves Diniz (2019)

Valores culturais e estilos de aprendizagem dos operadores da contabilidade do setor público brasileiro frente ao processo de adoção das normas internacionais, de Antonio Firmino da Silva Neto e José Dionísio Gomes da Silva (2019)

Por fim, em 2018 publicamos na seção “Casos e outras contribuições didáticas” o caso para ensino sobre metodológicas em uma abordagem quantitativa, de Jeferson Lana, Raul Beal Partyka, Anete Alberton e Rosilene Marcon, e a proposta de Marcelo Sanches Pagliarussi de aplicação de simulação de Monte Carlo para ensino do regressão linear.

Acreditamos que com essa maior pluralidade nas coleções das revistas da área conseguimos expandir nossa audiência além dos ‘muros’ das salas de contabilidade, permitindo um maior diálogo com outras áreas do conhecimento. Afinal, todos temos a mesma missão: construir uma sociedade melhor pela Ciência.

Desejamos a todos uma excelente leitura!