A invenção capuchinha do selvagem na época moderna

Palavras-chave: relatos missionários seiscentistas, capuchinos franceses, representação do selvagem, índios tupinambá

Resumo

Da experiência colonial francesa no Maranhão do início do século XVII, a França Equinocial, resultou a publicação de duas importantes narrativas pelos missionários capuchinhos Claude d’Abbeville e Yves d’Évreux. Esse corpus de obras francesas é marcado por transcrições em língua tupi, em particular de arengas de chefes indígenas. O índio tupinambá que surge dotado de fala nessas narrativas missionárias é também fruto de uma “herança” do relato do calvinista Jean de Léry, ao qual se atribui, legitimamente, a “invenção do selvagem”. Por sua vez, muito longe do pessimismo dogmático do huguenote sobre as possibilidades de conversão dos índios, marcado de primitivismo, a escrita missionária dos capuchinhos também contribuiu, utopicamente, para a “invenção do selvagem” na França, no interior da experiência mística que suas descrições encenam. 

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Biografia do Autor

Andrea Daher, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Andrea Daher tem doutorado em História pela École des hautes études en sciences sociales (1995) e pós-doutorado na mesma instituição (2003-2004). Foi professora da Universidade de São Paulo (1994-1995) e atualmente é professora titular de teoria e metodologia da História na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde coordena o Laboratório de pesquisa em história das práticas letradas. Ocupou a Cátedra Sérgio Buarque de Holanda da Maison des Sciences de l’Homme e Paris IV-Sorbonne, de 2010 a 2014.
Publicado
2018-03-08
Seção
República das Letras: evangelização, conhecimento e administração colonial