A Cabeça Branca da Hidra e seus pântanos

subsídios para novas pesquisas sobre comunidades indígenas, quilombolas e camponesas na Amazônia maranhense

Palavras-chave: Gamela, quilombola, Ka’apor, relações interétnicas, Maranhão

Resumo

Em 2013, os Gamela, até então considerados extintos, iniciaram várias manifestações para pressionar o Estado brasileiro a reconhecer sua identidade indígena e, assim, assumir a responsabilidade de proteger seus território e direitos específicos. Vários aspectos da história, da etnohistória e do processo de etnogênese dos Gamela abordados neste artigo ensejam reflexões significativas e ainda atuais sobre as relações interraciais e interétnicas na Amazônia, mais especialmente sobre as alianças e conflitos envolvendo comunidades quilombolas, indígenas e camponesas. Apresento, aqui, informações colhidas em projetos de extensão e pesquisa que atualizam e trazem novos subsídios a referências disponíveis a respeito.

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Biografia do Autor

István van Deursen Varga, Universidade Federal do Maranhão

Graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (1983), Mestrado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1995), Doutorado (2002) e pós-doutorado (2003) em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Coordenador da Comissão Executiva e Presidente da II Conferência Nacional de Saúde para os Povos Indígenas (1993). Foi Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) entre outubro/2003 e abril/2009. Atualmente é Professor Associado do Depto. de Sociologia e Antropologia da UFMA; Coordenador Geral do Núcleo de extensão e pesquisa com populações e comunidades Rurais, Negras quilombolas e Indígenas (NuRuNI) do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente da UFMA; integrante do Corpo Editorial da Revista de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo; avaliador Ad hoc da revista Saúde e Sociedade, da Revista de Nutrição e da Revista Fronteiras e Territórios. Membro associado da Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ) e da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Tem formação e experiência profissional no campo da Saúde Coletiva e das Ciências Sociais, e em suas produções, pesquisas e projetos de extensão, tem abordado principalmente os seguintes temas: política de saúde para os povos indígenas; política de saúde para a população negra; políticas de saúde para trabalhadores rurais; controle da malária, das DST/Aids e da hipertensão arterial; territorialidade e saúde em comunidades tradicionais; política indigenista; políticas de promoção da igualdade racial; História e Antropologia da Saúde; História e Etnologia Indígena; História e Antropologia de populações e comunidades afro-brasileiras; etnicidade

Referências

Referências bibliográficas

Fontes primárias: entrevistas e depoimentos citados

Universidade Federal do Maranhão (Ufma)/Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente (PPGSA)/Núcleo de Extensão e Pesquisa com Populações e Comunidades Rurais, Negras, Quilombolas e Indígenas (NuRuNI). Arquivos em video do projeto Qualidade de vida e controle da hipertensão arterial em comunidades quilombolas, no Maranhão. Entrevista registrada em vídeo com a sra. Servina Silva e o sr. Luís Carlos Teixeira, realizada na Unidade Escolar Boa Esperança da comunidade Imbiral, em Pedro do Rosário/MA, aos 27 de dezembro de 2015. Apoio Fapema. Edital Fapema 006/2015 TECS.

Universidade Federal do Maranhão (Ufma)/Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente (PPGSA)/Núcleo de Extensão e Pesquisa com Populações e Comunidades Rurais, Negras, Quilombolas e Indígenas (NuRuNI). Arquivos em video do projeto Comunidades quilombolas e indígenas entre as bacias dos rios Turiaçu e Gurupi: construindo agendas comuns, pela qualidade de vida. Entrevista registrada em vídeo com Valdemar Ka’apor, aos 24 de fevereiro de 2015, na então casa de apoio da Associação Ka’apor Ta Hury do rio Gurupi, em Zé Doca/MA. Apoio Fapema. Edital Fapema 022/2013 AEXT.

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Publicado
2019-03-18
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