Escravidão, cidadania, recrutamento militar e liberdade:

Brasileiros no Estado Oriental do Uruguai (1838-1864)

Palavras-chave: Império do Brasil, Uruguai, escravidão, Rio da Prata, cidadania

Resumo

Durante as décadas de 1840 a 1860 a relação do Império do Brasil com o Estado Oriental do Uruguai foi permeada pela presença de criadores de gado brasileiros no norte deste país e, mais precisamente, pela reprodução de um determinado modelo produtivo implantado por estes estancieiros. Durante a Guerra Grande, conflito civil que opôs colorados e blancos, houve duas declarações de abolição da escravidão: a dos colorados, em 1842, que atingiu mormente aqueles que estavam em Montevidéu; e a dos blancos, em 1846, que atingiu em cheio todos os que possuíam cativos na campanha, entre eles os brasileiros ao norte. O objetivo é demonstrar que, muito mais do que títulos, perceber-se como cidadão oriental ou como súdito do Império era encontrar abrigo às próprias aspirações à liberdade ou à posse escrava.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carla Menegat, Instituto Federal Sul-Rio-Grandense

Doutora em história pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense, no campus Gravataí, junto ao Departamento de Ensino, Pesquisa e Extensão.

Coordenadora do GT Fronteiras e Territorialidades ANPUH-RS

Referências

ALADRÉN, Gabriel. Liberdades negras nas paragens do Sul: alforria e inserção social de libertos em Porto Alegre, 1800-1835. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009.

ALADRÉN, Gabriel. Sem respeitar fé nem tratados: escravidão e guerra na formação histórica da fronteira sul do Brasil (Rio Grande de São Pedro, c. 1777-1835). Tese de doutorado em História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2012.

ARAÚJO, Thiago Leitão de. Escravidão, fronteira e liberdade: políticas de domínio, trabalho e luta em um contexto produtivo agropecuário (Vila de Cruz Alta, província de São Pedro, 1834-1932). Dissertação de mestrado em História, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

BELL, Stephen. Campanha Gaúcha: a Brazilian ranching system (1850-1920). Standford: Standford University Press, 1998.

BENTON, Lauren. “The laws of this country”: foreigners and the legal construction of sovereignty in Uruguay, 1830-1875. Law and History Review, Cambridge. v. 19, n. 3, 2001, p. 479-511. DOI: http://dx.doi.org/10.2307/744271.

BORUCKI, Alex et al. Esclavitud y trabajo: un estudio sobre los afrodescendientes en la frontera uruguaya (1835-1855). Montevideo: Pulmón Ediciones, 2004.

BORUCKI, Alex. From shipmates to soldiers: emerging black identities in Rio de la Plata. Albuquerque: University of New Mexico Press, 2015.

CAETANO, Gerardo. Historia conceptual: voces y conceptos de la política oriental (1750-1870). Montevideo: Ediciones de la Banda Oriental, 2013.

CANSANELLO, Oreste Carlos. Itinerarios de la ciudadanía en Buenos Aires: la ley de elecciones de 1821. Prohistoria, Rosario, v. 5, n. 5, 2001, p. 143-169.

CARATTI, Jônatas Marques. O solo da liberdade: as trajetórias da preta Faustina e do pardo Anacleto pela fronteira rio-grandense em tempos do processo abolicionista uruguaio (1842-1862). São Leopoldo: Oikos; Editora Unisinos, 2013.

CARVALHO, Daniela Vallandro de. Fronteiras da liberdade: experiências escravas de recrutamento, guerra e escravidão: Rio Grande de São Pedro, c. 1835-1850. Tese de doutorado em História Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.

CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

CHIARAMONTE, José Carlos. Ciudades, provincias, Estados: orígenes de la Nación Argentina (1800-1846). Buenos Aires: Ariel, 1997.

CHUST, Manuel & FRASQUET, Ivana (eds.). Los colores de las independencias iberoamericanas: liberalismo, etnia y raza. Madrid: CSIC, 2009.

DUFFAU, Nicolas. Propuestas orientales, concreciones rioplatenses: redes delictivas, extradición criminal y colaboración policial en el río de la Plata (1854-1865), p. 138-165. Revista Historia y Justicia, Santiago, n. 8, abr. 2017a.

DUFFAU, Nicolas. ¿El indio Amarillo sitia El Salto?: reconstrucción histórica y reflexiones metodológicas em torno a um confuso episodio (Salto, 1853). Revista Historia para Todos, Provincia de Córdoba, v. 3, n. 5, jun. 2017b, p. 23-33.

ETCHECHURY BARRERA, Mario. Periferias imaginadas: guerras facciosas y sueños protectorales em el Río de la Plata (1838-1865). Prohistoria, Rosario, v. 17, n. 22, dez. 2014b. Disponível em: <http://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1851-95042014000200003&lng=es&nrm=iso>. Acesso em: 25 set. 2018.

FLORES, Mariana Flores da Cunha Thompson. Crimes de fronteira: a criminalidade na fronteira meridional do Brasil (1845-1889). Porto Alegre: EdiPUCRS, 2014.

FREGA, Ana et al. Esclavitud y abolición en el Río de la Plata en tiempos de revolución y república. In: VON-HOOFF, Herman (org.). La ruta del esclavo en el Río de La Plata: su historia y sus consecuencias: memoria del Simposio. Montevideo: Unesco, 2005. p. 115-147.

GOLDMAN, Noemí & SALVATORE, Ricardo (org.) Caudillismos rioplatenses: nuevas miradas a un viejo problema. Buenos Aires: Eudeba, 1998.

GRINBERG, Keila (org.). As fronteiras da escravidão e liberdade no sul da América. Rio de Janeiro: 7Letras, 2013.

GRINBERG, Keila. O fiador dos brasileiros: cidadania, escravidão e direito civil no tempo de Antônio Pereira Rebouças. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

LIMA, Rafael Peter de. “A nefanda pirataria de carne humana”: escravizações ilegais e relações políticas na fronteira do Brasil meridional (1851-1868). Dissertação de mestrado em História, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

MACÍAS, Flavia. Ciudadanos armados y fuerzas militares en la construcción republicana decimonónica. Real Instituto Elcano, Madrid, 2010. Disponível em: <https://bit.ly/2Pi0lkt>. Acesso em: 28 ago. 2019.

MALLO, Silvia & TELESCA, Ignacio (eds.). Negros de la patria: los afrodescendientes en las luchas por la independencia en el antiguo virreinato del Río de la Plata. Buenos Aires: Editorial SB, 2010.

MAMIGONIAN, Beatriz. O Estado nacional e a instabilidade da propriedade escrava: a Lei de 1831 e a matrícula dos escravos de 1872. Almanack, Guarulhos, n. 2, 2011, p. 20-37. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2236-463320110203

MATHEUS, Marcelo Santos. Manejando a fronteira: estratégias escravas e senhoriais em torno dos limites entre o Brasil e o Uruguai (província de São Pedro do Rio Grande do Sul, século XIX). In: GRINBERG, Keila (org.). As fronteiras da escravidão e liberdade no sul da América. Rio de Janeiro: 7Letras, 2013. p. 129-147.

MUGGE, Miqueias H.; COMISSOLI, Adriano (Org.). Homens e armas: recrutamento militar no Brasil: século XIX. São Leopoldo: Oikos, 2011.

OSÓRIO, Helen. O império português no sul da América: estancieiros, lavradores e comerciantes. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007.

PARRON, Tâmis. A política da escravidão no Império do Brasil (1826-1863). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

PETIZ, Silmei de Sant’Ana. Buscando a liberdade: as fugas de escravos da província de São Pedro para o além-fronteira (1815-1851). Passo Fundo: EdiUPF, 2006.

SABATO, Hilda. Soberania popular, cidadania e nação na América Hispânica: a experiência republicana do século XIX. Almanack Braziliense, São Paulo, n. 9, maio 2009, p. 5-22. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1808-8139.v0i9p5-22.

SALA DE TOURON, Lucía & ALONSO ELOY, Rosa. El Uruguay comercial, pastoril y caudillesco. Montevideo: Ediciones de la Banda Oriental, 1986.

YOUSSEF, Alain El. Miguel Maria Lisboa: escravidão, geopolítica global e economia imperial durante a Guerra Civil norte-americana (1860-1871). Cadernos do CHDD, Brasília, DF, v. 15, n. 29, 2017, p. 29-50.

Publicado
2019-10-21
Seção
escravos, escravização