O século XIX e a invenção de uma cidade grega antiga

Revisitando Fustel de Coulanges

Palavras-chave: Fustel de Coulanges, cidade antiga, historiografia, Grécia antiga, Antiguidade Clássica

Resumo

De Numa Denis Fustel de Coulanges, La Cité Antique (A Cidade Antiga) figura entre os trabalhos mais relevantes da segunda metade do século XIX, cuja influência na historiografia francesa até 1930 foi singular, tendo ainda inspirado muitas reflexões na segunda metade do século XX. Este artigo propõe reavaliar a obra em questão à luz da crítica contemporânea, objetivando ampliar, especialmente junto à historiografia brasileira, os debates em torno de uma das obras que foi a base de muitas gerações de historiadores, arqueólogos e estudiosos das letras clássicas.

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Biografia do Autor

Guilherme Moerbeck, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutor em História Antiga (UFF-2013), Pós-doutorado em Ensino de História (FGV-2016) e Visiting Research Fellow, Department of Classics, Brown University. Lecionou por catorze anos no ensino Básico, nas redes pública e privada. Atualmente, é professor adjunto da área de Teoria e Ensino no Departamento de História da UERJ, chercheur associé da Faculté des Sciences de l’Éducation - Université de Montréal e pós-doutorando junto ao LABECA/MAE-USP, sob supervisão da Profª Maria Beatriz Florenzano. Autor de dois livros em História Antiga: Guerra, Política e Tragédia na Grécia Clássica (Paco Editorial, 2014); Entre a religião e a política: Eurípides e a Guerra do Peloponeso (Prismas, 2017) e de artigos nesta e em outras áreas. Foi laureado como Destaque no Prêmio Professores do Brasil/MEC – 2017.

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Publicado
2019-10-08
Seção
Artigos