Sherlockismos de “O Mistério”

Ficção policial e humor na Primeira República (1907-1928)

Palavras-chave: ficção policial, literatura de sensação, humor, Sherlock Holmes, sherlockismo

Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar o humor na ficção policial brasileira da Primeira República, tomando como fonte principal o romance O mistério, escrito a oito mãos em 1920 por Afrânio Peixoto, Viriato Correia, Medeiros e Albuquerque e Coelho Netto. Nossa tese é que esse romance representa sobretudo a recepção da ficção policial difundida no país desde 1907. Focaremos a recepção dos textos policiais de Conan Doyle por terem marcado a imaginação dos leitores brasileiros. Sherlock Holmes ensejou imitadores de tal modo que suas deduções foram aplicadas pelos leitores de jornal e jornalistas na solução dos crimes noticiados na imprensa, servindo também de modelo à investigação policial, marcada por uma criminologia científica bastante difundida no período. Mostraremos como esses fenômenos estão presentes em O mistério, mobilizados para uma sátira da polícia e da sociedade brasileira.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Leandro Antonio de Almeida, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia / USP

Doutor em História, com estágio pós-doutoral realizado no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Professor do curso de Licenciatura em História do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Referências

Fontes

A POLÍCIA e os anarquistas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10/09/1919, p. 5.

ALBUQUERQUE, Medeiros e (pseudônimo de José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque). Quinze dias. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, 16/07/1910, p. 18-19.

BARRETO, Lima. Correspondência, v. 1. São Paulo: Brasiliense, 1956.

BOATOS de Rua. Olho da Rua, Curitiba 22/07/1911, p. 15.

BRASIL. Decreto nº 6.440, de 30 de março de 1907. Dá novo regulamento ao serviço policial do Districto Federal. Diario Official, Rio de Janeiro, 31/03/1907, p. 2167.

BROCA, Brito. Memórias. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1968.

COELHO NETTO, Henrique Maximiano et al. O mysterio. 3ª edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1928.

DORIA, Escragnolle. Aspectos de S. Paulo: a Faculdade de Direito. Jornal do Comércio, Rio, 13/6/1916, p. 3.

DOYLE, Arthur Conan. As aventuras de Sherlock Holmes. Leitura para Todos, Rio de Janeiro, ano 2, n. 15, maio 1907, p. 83-96. Disponível em: <https://bit.ly/2kFmydF>. Acesso em: 10 set. 2019.

DUARTE, Paulo. Memórias: v. 1: Raízes Profundas. 3a edição. São Paulo: Hucitec, 1976.

FERRI, Enrico (pseud.). Humorismo e criminologia. Phanal, São Paulo, n. 2, p. 24-25, outubro 1924, p. 24-25 In: COELHO NETTO et al. O mysterio. 3. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1928, p. 265-271

LIMA SOBRINHO, Barbosa. A epidemia do sherlockismo. Jornal do Recife, Recife, 20/12/1920, p. 1.

MARIA Rosa, Sherlock amadora. O Imparcial, Rio de Janeiro, 06/05/1915, p. 5.

O FIM de Jack, o Estripador. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 10/09/1908, p. 1.

O GATO da semana. O Gato, Rio de Janeiro, 10/08/1912, p. 17.

O NOSSO Folhetim. Correio da Tarde, São Luís, 01/12/1909, p. 1. Disponível em: <https://bit.ly/2kapdMp>. Acesso em: 10 set. 2019.

O SECRETA de ontem e o agente de hoje. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 07/04/1908, p. 1.

OS LIVROS novos. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 20/09/1908, p. 5. Disponível em: <https://bit.ly/2m9oNqb>. Acesso em: 10 set. 2019.

PARAÍSO dos Ladrões. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 08/06/1911, p. 7.

PEQUENOS echos. A Notícia, Rio de Janeiro, 22/11/1910, p. 1.

RIO, João do. Os dias passam…. Porto: Lello & Irmão, 1912.

SHERLOCK Holmes. Careta, Rio de Janeiro, ano 3, n. 102, 14/05/1910, p. 18

SHERLOCK Holmes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 21/05/1914, p. 2

TOPICOS & noticias. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 20/03/1917, p. 1

Bibliografia

ALBUQUERQUE, Paulo Medeiros e. O mundo emocionante do romance policial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979.

BRETAS, Marcos. You Can’t!: the daily exercise of police authority in Rio de Janeiro: 1907-1930. Tese de doutorado em História, Open University, London, 1995.

CARDOSO, Athos Eichler. Fascículos semanais e literatura popular: bem cultural no início do século XX. Intercom, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 168-178, 1992. Disponível em: <https://bit.ly/2kekRnw>. Acesso em: 23 jun. 2018. doi: http://dx.doi.org/10.1590/rbcc.v15i2.1295.

CARVALHO, Elysio. Sherlock Holmes no Brasil. Rio de janeiro: Casa A. Moura, 1920.

FREYRE, Gilberto. Ordem e progresso. São Paulo: Global, 2013.

GINZBURG, Carlo. Sinais: raízes de um paradigma indiciário. In: GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas e sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 143-180.

HALLEWELL, Lawrence. O livro no Brasil. 2ª edição. São Paulo: Edusp, 2005.

MARTINS, Marcelo Thadeu Quintanilha. A Civilização do Delegado: modernidade, polícia e sociedade nas primeiras décadas da República, 1889-1930. Tese de doutorado em História Social, Universidade de São Paulo, 2012.

NEEDELL, Jeffrey. Belle Epoque tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

PÖPPEL, Hubert. Dos modernidades literarias en Brasil: la novela policiaca colectiva O Mysterio (1920) y Macunaíma de Mario de Andrade (1928). Universitas Humanistica, Bogotá, v. 29, n. 54, p. 43-59, 2002.

PORTO, Ana Gomes. “Sherlock Holmes e suas imitações mais ou menos grosseiras”: literatura de crime no Brasil. Revista de Letras, São Paulo, v. 51, n. 2, p. 191-208, 2011. ISSN 1981-7886. Disponível em: <https://bit.ly/2m2cLia>. Acesso em 10 set. 2019.

PORTO, Ana Gomes. Novelas sangrentas: literatura de crime no Brasil (1870-1920). Tese de doutorado em História, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.

PORTO, Ana Gomes. The roman judiciaire and Brazilian literature: reception, meanings and appropriations. In: ABREU, Martha (ed.) The transatlantic circulation of novels between Europe and Brazil, 1789-1914. London: Palgrave Macmillan, 2017, p. 61-77.

QUEIROZ, Tito. Guerra e controle de informação: Brasil, 1914-1919. Comum, Rio de Janeiro, v. 16, n. 36, p. 79-98, 2014. ISSN 0101-305X. Disponível em: <https://bit.ly/2m5rCsc>. Acesso em: 10 set. 2019.

REIMÃO, Sandra. Cicatriz de viagem: a literatura policial brasileira: presença do cômico. Tese de doutorado em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1987.

REIMÃO, Sandra. Literatura policial brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

REIMÃO, Sandra. Literatura policial brasileira: dificuldades e especificidades. Miscelânea, Assis, v. 16, p. 15-33, 2014. ISSN 1984-2899. Disponível em: <https://bit.ly/2m7EttX>. Acesso em 23 jun. 2018.

REIS, Antonio Simões dos. Pseudônimos brasileiros, 5ª série, v. 1. Rio de Janeiro: Zélio Valverde editor, 1942.

SALIBA, Elias Thomé. A dimensão cômica da vida privada na República. In: SEVCENKO, Nicolau (org.). História da vida privada no Brasil III: República: da Belle Époque à era do rádio. 5ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2002a, p. 289-365.

SALIBA, Elias Thomé. Raízes do riso. São Paulo: Companhia das Letras, 2002b.

SANT’ANA, Moacir Medeiros de. Hildebrando de Lima e o romance policial. Maceió: Arquivo Público de Alagoas, 1984.

SEVCENKO, Nicolau (org.). História da vida privada no Brasil III: República: da Belle Époque à era do rádio. 5ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

SEVCENKO, Nicolau. A Capital Irradiante. In: SEVCENKO, Nicolau (org.). História da vida privada no Brasil III: República: da Belle Époque à era do rádio. 5ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 513-619.

SEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina. 2a edição. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SÜSSEKIND, Flora. O cronista & o secreta amador. In: SÜSSEKIND, Flora. A voz e a série. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998, p. 179-212.

Publicado
2020-02-07
Seção
Artigos