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Sobre andamento, plágio e autoplágio 20

2019-09-23

Prezados autores e pareceristas

Boa parte das Submissões já foram aceitas e as sugestões, sempre oportunas, para aprimoramento encaminhadas, sendo outras recusadas. Constituem pressupostos iminentes e indispensáveis nesta etapa da vida cultural brasileira, quando se mutilam verbas e apoio para Educação.

Por outro lado surgem demandas numéricas por produção e alguns pesquisadores reenviam literalmente o que antes produziram, sem atualização entre outros tópicos, em - escrita, imagens, questões, diálogos, entrevistas, dados, fontes -, ferindo no caso da Revista ARA FAU USP o número 1 das  DIRETRIZES (originalidade e Indesitismo), a par da solicitação para documentar em Nota, se antes foi exposto., em que situação e como acessar.

Hoje há inúmeros aplicativos específicos, no país e fora, para aferir se houve o que se convencionou denominar - plágio ou autoplágio - termo este último criado há muitoCNPq e outros têm produzido definições muito claras sobre o que seria ou não, com acesso divulgado e sugiro consulta para fundamentar criação e pesquisa nas distintas áreas. As do CNPq transcrevo e encontram-se em Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa do CNPq no endereço 

https://www.cnpq.br/documents/10157/a8927840-2b8f-43b9-8962-5a2ccfa74dda/

"Plágio: consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado".

"Autoplágio: consiste na apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores" (CNPq, 2011, p.3).

Encerro informando que, dependendo do total de exigências solicitadas para aperfeiçoamento imprescindível, estamos concedendo de TRÊS dias a uma SEMANA para que os autores  possam refazer o apontado como indispensável.

Maria Cecília França Lourenço

Editora

 

 

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Edição Atual

v. 6 n. 6 (2019): ARA 6 Curadoria, Argumento, Fricção.

Entre argumentos [pesquisa, comunicação, educação, público, sociedade] talvez, se estabeleça o fazer curatorial.

Entre fricções [coleção, exposição, mediação, gestão, profissão] talvez, se manifeste o curador.

Aquela função e aquele sujeito, detentores de uma funcionalidade moderna, que desenvolvem projetos relacionados à elaboração de campos teóricos e reflexivos acerca das manifestações artísticas e seus processos.

O curador (comissário ou conservador) pode atuar em galerias de arte, museus, centros culturais e instituições afins e se define como o responsável pela concepção, ordenação, montagem e supervisão de uma exposição ou da amostragem de acervos e conjuntos artísticos, culturais e documentais. Geralmente considerado especialista, transita entre conceitos de linguagem, arte, história, filosofia e estética.

Da origem latina, curador [o sujeito: tutor] e curadoria [o substantivo: tutoria técnico-administrativa] fundem-se e se fundamentam na ação de comunicar, conservar e preservar obras artísticas e patrimoniais – materiais e imateriais, entre natureza, homem e cultura.

Essa consciência funcional e profissional teve seu surgimento em meados do século XX e adquiriu, no breve período de sua existência, significativa presença e relevância para a concepção de exposições.

Dos argumentos às fricções, o exercício dessa atividade tem por objetivo determinar o conteúdo da exposição, normalmente obtido por meio de agrupamentos e articulações de semelhanças ou diferenças perceptivas ou conceituais que as obras possam revelar. Para isso, geralmente determina-se um conceito ou tema, a partir do qual, funcionando como um fio condutor, elabora-se procedimentos para obtenção de uma unidade – ou, idealmente, a sua ordenação.

Mais do que cuidar e preservar, a curadoria deve apresentar argumentos e promover as suas fricções entre diferentes artefatos – obras de arte, objetos, documentos e toda sorte de materialidades e tecnologias – e diversificados públicos, em ambientes e espaços sociais.

A inerente demanda de articulação, vinculada ao curador e à curadoria, requer aguda multidimensionalidade: antevisão e planejamento, seleção e combinação, averiguação de mérito e medição de valor, exposição e mediação, comunicação e educação, arte e cotidianidade, patrimônio!

Decisões curatoriais exigem escolhas e renúncias, orientadas por concepções (limitadas) e seus recortes (aparentemente ilimitados).

Assim, a curadoria deveria proporcionar um diálogo tensional entre os artefatos expositivos e os conceitos neles encapsulados, responsabilizando-se por supervisionar a montagem da exposição, sua manutenção, a elaboração de textos de apresentação e divulgação, a fim de propiciar maior visibilidade e proximidade entre as obras e o público.

A curadoria, em sua concepção, deveria requerer: investimento criativo; inteligência relacional, capacidade de compartilhamento com artistas e público; conhecimentos artísticos, técnicos e culturais; pró-atividade em projetos infraestruturais.

A curadoria, então, deveria desempenhar um imprescindível papel na produção e na gestão cultural contemporânea, ao configurar: diversidades culturais, diversidades de públicos, diversidade de entendimentos, vozes, formas, pensamentos; intensas relações entre o público e o privado, entre o bem de todos e as novas formas de privatização; distribuição universal dos bens culturais como elementos fundamentais da expansão das práticas e consciências de linguagem; circulação de conhecimentos em arte e da produção simbólica como motor de sustentabilidade e mudanças na cidadania. Tudo para promover díspares visões e possibilitar novas formas de conhecimento – do não-verbal ao verbal.

No passado clássico, em O Simpósio, Platão declarou que beleza é ordem.

Seria esse, então, o fundamental empenho da curadoria, no presente?

Mas, como dar ordem ao contemporâneo pautado pela alucinante geração, circulação e interpretação de dados e, tão agudamente compreendido pelas fenomênicas artísticas contemplativas, interacionistas, interativas? Tudo ao mesmo tempo?

Ordem seria, então, a ideia de inteligibilidade?

Seria, desse modo, a tarefa do curador e da curadoria, com seus argumentos, promover fricções! Nos sentidos e nos pensamentos! Dar nova ordem, para nos depararmos com novas e outras belezas?

REFERÊNCIAS

Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas – ANPAP. Regimento: Artigo 25º; 2013.

Conselho Internacional de Museus – ICOM. Conceitos-chave da Museologia; 2013. Fundação Nacional de Arte – FUNARTE. http://www.funarte.gov.br/

Publicado: 2019-04-02

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