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Prorrogação Prazo Submissão 18/08/19

2019-07-12

Horizontes extremos: desafios ou fronteiras

é o tema da sétima ediçao da Revista ARA, com submissão aberta até 18/08/2019.

O texto de Marcia Sandoval Gregori e Angela Maria Rocha chama ao debate estudantes, professores, pesquisadores e profissionais interessados em participar da ARA 7.

 

Horizontes extremos: desafios ou fronteiras,

por Marcia Sandoval Gregori e Angela Maria Rocha 

O que chamamos princípio é quase sempre o fim
E alcançar um fim é alcançar um princípio.
Fim é o lugar de onde partimos.  T.S. Eliot 

ARA 7 chama ao debate sobre horizontes, desafios e fronteiras na ágora da publicação acadêmica. Evoca e reitera a urgente necessidade de reflexão, conhecimento e prática na expansão da consciência sobre as relações na pólis. Elementos fundantes e indissociáveis da experiência coletiva e da própria academia, no que compreende estudos de arquitetura, artes, geografia, cultura, sociologia, filosofia, antropologia, seja em formato de ensaios literários, fotográficos, artísticos ou híbridos, seja na forma de artigos em que o texto acadêmico é o protagonista.

Gestar e projetar horizontes na ligeira desarticulação da vida, valendo-se das pequenas folgas que respiram entre o existir, desafios e fronteiras, é ser – ter comportamento – contemporâneo. A atitude, propõe o filósofo Giorgio Agamben, não se limita ao momento atual, mas é procedimento atemporal capaz de desarmar e profanar o ambíguo [des]conforto dos hábitos consagrados. Trata-se da habilidade de perceber desajustes sutis, evidenciá-los e subverter um estado de coisas que perdura, incrustado nas diferentes instâncias e escalas da existência enquanto relações de poder – por isso tensas, dinâmicas e mutáveis –, em forma de dispositivos que ordenam, disciplinam e adestram ações, pensamentos e práticas humanas desde sua escala global até o nível individual, no âmbito do próprio corpo.

A possibilidade de exploração dessas frestas e rachaduras, diria o filósofo Michel Foucault, será uma atribuição, uma prerrogativa ou, mais precisamente, uma capacidade das ciências humanas – embora não se possa classificá-las estritamente como ciências, dada a acepção humanista do termo, que Foucault reputa problemático por sua origem utilitária e evolucionista. É neste lugar/nexo penumbroso e denso, nas pequenas deslocalizações e desvios da vida cotidiana, que talvez seja possível vislumbrar novos caminhos e sopros de esperança. Cenários que evoquem aquilo que o geógrafo Milton Santos chamou de nova globalização: uma configuração em que a solidariedade, a troca pacífica, ao contrário da belicosidade do processo competitivo, dão o tom.

O momento atual contempla a diversificação e multiplicação dos fenômenos e instituições culturais, bem como a de seus agentes, nem sempre contabilizados por catracas. Ampliaram-se as alternativas para incluírem-se nesse rol a cultura imaterial, a cultura popular, a memória das práticas e dos fazeres cotidianos, os espaços sistematicamente desvalorizados, como ruas, praças, muros e calçadas, além de outros, devidamente mercantilizados.

Ao convidar-nos à reflexão sobre as bordas que limitam e exercem pressão de estrangulamento e ao exame de práticas do espectro sócio-cultural que distendam, desafiem e dessacralizem as forças de retração das fronteiras do hábito e das tradições, ARA 7 convoca, pois, a atitude contemporânea do olhar crítico, que vê no agora as raízes de horizontes possíveis, extremos horizontes, divergentes ou convergentes, que alimentem as ações e decisões no presente.

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Edição Atual

v. 6 n. 6 (2019): ARA 6 Curadoria, Argumento, Fricção.

Entre argumentos [pesquisa, comunicação, educação, público, sociedade] talvez, se estabeleça o fazer curatorial.

Entre fricções [coleção, exposição, mediação, gestão, profissão] talvez, se manifeste o curador.

Aquela função e aquele sujeito, detentores de uma funcionalidade moderna, que desenvolvem projetos relacionados à elaboração de campos teóricos e reflexivos acerca das manifestações artísticas e seus processos.

O curador (comissário ou conservador) pode atuar em galerias de arte, museus, centros culturais e instituições afins e se define como o responsável pela concepção, ordenação, montagem e supervisão de uma exposição ou da amostragem de acervos e conjuntos artísticos, culturais e documentais. Geralmente considerado especialista, transita entre conceitos de linguagem, arte, história, filosofia e estética.

Da origem latina, curador [o sujeito: tutor] e curadoria [o substantivo: tutoria técnico-administrativa] fundem-se e se fundamentam na ação de comunicar, conservar e preservar obras artísticas e patrimoniais – materiais e imateriais, entre natureza, homem e cultura.

Essa consciência funcional e profissional teve seu surgimento em meados do século XX e adquiriu, no breve período de sua existência, significativa presença e relevância para a concepção de exposições.

Dos argumentos às fricções, o exercício dessa atividade tem por objetivo determinar o conteúdo da exposição, normalmente obtido por meio de agrupamentos e articulações de semelhanças ou diferenças perceptivas ou conceituais que as obras possam revelar. Para isso, geralmente determina-se um conceito ou tema, a partir do qual, funcionando como um fio condutor, elabora-se procedimentos para obtenção de uma unidade – ou, idealmente, a sua ordenação.

Mais do que cuidar e preservar, a curadoria deve apresentar argumentos e promover as suas fricções entre diferentes artefatos – obras de arte, objetos, documentos e toda sorte de materialidades e tecnologias – e diversificados públicos, em ambientes e espaços sociais.

A inerente demanda de articulação, vinculada ao curador e à curadoria, requer aguda multidimensionalidade: antevisão e planejamento, seleção e combinação, averiguação de mérito e medição de valor, exposição e mediação, comunicação e educação, arte e cotidianidade, patrimônio!

Decisões curatoriais exigem escolhas e renúncias, orientadas por concepções (limitadas) e seus recortes (aparentemente ilimitados).

Assim, a curadoria deveria proporcionar um diálogo tensional entre os artefatos expositivos e os conceitos neles encapsulados, responsabilizando-se por supervisionar a montagem da exposição, sua manutenção, a elaboração de textos de apresentação e divulgação, a fim de propiciar maior visibilidade e proximidade entre as obras e o público.

A curadoria, em sua concepção, deveria requerer: investimento criativo; inteligência relacional, capacidade de compartilhamento com artistas e público; conhecimentos artísticos, técnicos e culturais; pró-atividade em projetos infraestruturais.

A curadoria, então, deveria desempenhar um imprescindível papel na produção e na gestão cultural contemporânea, ao configurar: diversidades culturais, diversidades de públicos, diversidade de entendimentos, vozes, formas, pensamentos; intensas relações entre o público e o privado, entre o bem de todos e as novas formas de privatização; distribuição universal dos bens culturais como elementos fundamentais da expansão das práticas e consciências de linguagem; circulação de conhecimentos em arte e da produção simbólica como motor de sustentabilidade e mudanças na cidadania. Tudo para promover díspares visões e possibilitar novas formas de conhecimento – do não-verbal ao verbal.

No passado clássico, em O Simpósio, Platão declarou que beleza é ordem.

Seria esse, então, o fundamental empenho da curadoria, no presente?

Mas, como dar ordem ao contemporâneo pautado pela alucinante geração, circulação e interpretação de dados e, tão agudamente compreendido pelas fenomênicas artísticas contemplativas, interacionistas, interativas? Tudo ao mesmo tempo?

Ordem seria, então, a ideia de inteligibilidade?

Seria, desse modo, a tarefa do curador e da curadoria, com seus argumentos, promover fricções! Nos sentidos e nos pensamentos! Dar nova ordem, para nos depararmos com novas e outras belezas?

REFERÊNCIAS

Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas – ANPAP. Regimento: Artigo 25º; 2013.

Conselho Internacional de Museus – ICOM. Conceitos-chave da Museologia; 2013. Fundação Nacional de Arte – FUNARTE. http://www.funarte.gov.br/

Publicado: 2019-04-02

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