Villa-Lobos e Tom Jobim

uma análise de influências

  • Juliana Ripke Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Villa-Lobos, Tom Jobim, música erudita, música popular, análise, influência, recepção

Resumo

A influência de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) em compositores de música popular brasileira, especialmente Antonio Carlos Jobim (1927-1994), é algo já bastante comentado, tornando-se praticamente um senso-comum. Apesar disso não encontramos, ainda, trabalhos de análise voltados de forma aprofundada para esta comparação entre obras dos dois compositores, além de outros aspectos. Desta forma, abordaremos alguns diferentes aspectos a respeito de possíveis análises sobre a influência de um sobre o outro, e vice-versa. A primeira parte deste artigo pretende discutir, então, a respeito das conexões entre Villa-Lobos e Tom Jobim a partir do conceito de influência, sob dois aspectos diferentes. O primeiro é a partir de reflexões sobre a influência que Tom Jobim sofreu de Villa-Lobos, seja mediante depoimentos feitos pelo próprio Jobim – ou por amigos e colegas músicos que possuíram alguma ligação com o compositor–, seja por meio de estudos analíticos feitos por estudiosos acadêmicos de Villa-Lobos e Tom Jobim. O segundo consiste em comentar de que modo a obra de Villa-Lobos tem sido lida nas últimas décadas como tendo um viés de música popular (com uma influência diacrônica de Jobim sobre Villa-Lobos), mudando a forma de recepção e de apropriação da obra (e mesmo da imagem) de Villa-Lobos. A segunda parte do artigo traz algumas análises comparativas entre trechos de determinadas obras dos dois compositores, empregando ferramentas analíticas como a teoria dos conjuntos e a teoria neoriemanniana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Juliana Ripke, Universidade de São Paulo

Juliana Ripke é Doutoranda e Mestre em Musicologia pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) sob orientação do Prof. Dr. Paulo de Tarso Salles, e bacharel em Piano pela Faculdade Cantareira sob orientação do pianista cubano Yaniel Matos. Atualmente é professora e pianista correpetidora no Instituto Baccarelli; professora na EMESP (Escola de Música do Estado de São Paulo), e pianista do Coral Jovem do Estado de SP. É membro integrante do PAMVILLA (Perspectivas Analíticas para a Música de Villa-Lobos), grupo de estudos dedicado à reavaliação e reinterpretação da obra de Heitor Villa-Lobos, e editora assistente da Revista Música (Programa de pós-graduação em Música da ECA/USP). Recentemente, ainda, tem apresentado sua pesquisa em diversos congressos nacionais e internacionais.

Referências

ABRAMOVAY, Juliano. Quarteto de cordas em sol menor de Claude Debussy: reiterações e aspectos formais. 2014. 115 f. Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

ADNET, Mário. Villa-Lobos é o pai da música brasileira contemporânea: Depoimento. Entrevista concedida ao Álbum Itaú Cultural. São Paulo, 12 nov. 2012. Disponível em: <https://bit.ly/2zUbJcM>. Acesso em 5 out. 2018.

ALBUQUERQUE, Joel. Simetria intervalar em Tom Jobim: Chovendo na Roseira, um legado de Villa-Lobos?. In: ENCONTRO INTERNACIONAL DE TEORIA E ANÁLISE MUSICAL, 4., 2017, São Paulo. Anais… São Paulo: USP, 2017.

______. Simetria intervalar e rede de coleções: análise estrutural dos Choros no 4 e Choros no 7 de Heitor Villa-Lobos. 2014 Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo São Paulo.

ALBUQUERQUE, Joel; SALLES, Paulo de Tarso. Teoria dos conjuntos versus teoria neo-riemanniana: duas abordagens interdependentes na análise dos choros n. 4 e choros n. 7 de Villa-Lobos. Revista da Tulha, Ribeirão Preto, v. 1, n. 1, p. 104-126, nov. 2015.

BLOOM, Harold. A angústia da influência: uma teoria da poesia. Tradução de Arthur Nestrovski. Rio de Janeiro: Imago, 1991.

CABRAL, Sérgio. Elisete Cardoso: uma vida. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2010.

CASTRO, Ruy. Chega de saudade: a história e as histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

CHEDIAK, Almir. Songbook Tom Jobim. Rio de Janeiro: Lumiar, 1990. v. 2.

COELHO DE SOUZA, Rodolfo. Influência e intertextualidade na Suite Antiga de Alberto Nepomuceno. Música em Perspectiva, Curitiba, v. 1, n. 2, p. 53-82, out. 2008.

DOUTHETT, Jack; STEINBACH, Peter. Parsimonious graphs: a study in parsimony, contextual transformations and modes of limited transposition. Journal of Music Theory, New Haven, v. 42, n. 2, p. 241- 263, 1998.

GUÉRIOS, Paulo Renato. Heitor Villa-Lobos: o caminho sinuoso da predestinação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.

JOBIM, Antônio Carlos. Brasília: Sinfonia da Alvorada. Nova York: Columbia, 1961. 1 Partitura. Orquestra. Disponível em: <http://www.jobim.org/jobim/handle/2010/10968>. Acesso em: 17 jul. 2018.

______. Crônica. Manuscrito. Caderno 19. 1987. Disponível em <https://bit.ly/2E6fFuR>. Acesso em: 08/10/2018.

______. Cancioneiro Jobim: biografia. Rio de Janeiro, Jobim Music, 2002.

______. Jobim, por Antônio Brasileiro – a influência de Villa-Lobos: depoimento. 1990. Entrevista concedida à Rádio Cultura Brasil. Disponível em <https://bit.ly/2RxtYeK>. Acesso em 08/10/2018.

______. Tom Jobim: depoimento. São Paulo, 20 dez. 1993. Entrevista concedida ao programa Roda Viva. Disponível em: <https://bit.ly/2QC3aZz>. Acesso em: 8 out. 2018.

JOBIM, Helena. Antonio Carlos Jobim, um homem iluminado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.

LEWIN, David. Generalized musical intervals and transformations. New Haven: Yale University Press, 1987.

MARILIA Gabriela entrevista Tom Jobim – Canal Livre – Tom 60 anos – 1987. 19’55”. Roberto Antonio Cera. YouTube. 2014. Disponível em: <https://bit.ly/2E9tSHx>. Acesso em: 8 out. 2018.

MANFRINATO, Ana Carolina; QUARANTA, Daniel; DUDEQUE, Norton. Tempo e música: considerações a respeito de influência e intertextualidade. In: ENCONTRO INTERNACIONAL DE TEORIA E ANÁLISE MUSICAL, 3., 2013, São Paulo. Anais… São Paulo: ECA-USP, 2013.

NASSIF, Luís. O maestro Léo Peracchi. Folha de São Paulo, São Paulo, dez. 2002. Disponível em: <https://bit.ly/2E7ot3O>. Acesso em: 8 out. 2018.

______. Villa-Lobos e a alma brasileira. Folha de São Paulo, São Paulo, 26 ago. 2001. Disponível em: <https://bit.ly/2E5Z76n>. Acesso em: 8 out. 2018.

PARKS, Richard. Tonal analogues as atonal resources and their relation to form in Debussy’s ‘Chromatic Etude’. Journal of Music Theory, [s.l.], v. 29, n. 1, p. 33-60, 1985.

RIPKE, Juliana. Tópicas afro-brasileiras a partir de Villa-Lobos e suas influências em outros compositores brasileiros: canto de xangô e berimbau. In: CONGRESSO DA ANPPOM, 27., 2017, Campinas. Anais… Campinas: ANPPOM, 2017a.

______. Tom Jobim e a Bossa Nova: uma análise comparativa de possíveis influências e conexões. In SIMPÓSIO VILLA-LOBOS, 3., 2017, São Paulo. Anais… São Paulo: ECA-USP, 2017b. v. 1. p. 1-20,.

______. Canto de Xangô: uma tópica afro-brasileira. ORFEU, Florianópolis, v. 1, n. 1, p. 44-73, 2016.

ROIG-FRANCOLÍ, Miguel. Understanding post-tonal music. Boston: McGraw-Hill, 2008.

ROSADO, Clairton. Brasília – Sinfonia da Alvorada: estudo dos procedimentos composicionais da obra sinfônica de Tom Jobim. 2008. 141 f. Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

SALGADO, Michele Botelho da Silva. Canções de amor de Cláudio Santoro, análise e contextualização da obra. 2010. Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.

SALLES, Paulo de Tarso. A concisão modernista da Seresta n. 9 (Abril) de Villa-Lobos. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, [s.l.], n. 59, p. 79-96, dez. 2014.

______. A forma sonata nos Quartetos de Villa-Lobos. In: SALLES, Paulo de Tarso; DUDEQUE, Norton (Orgs.). Villa-Lobos, um compêndio: novos desafios interpretativos. Curitiba: Editora UFPR, 2017.

______. Os quartetos cordas de Villa-Lobos: o discurso da Besta. 2016. Tese (Livre Docência) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

______. Villa-Lobos: processos composicionais. Campinas: Editora da Unicamp, 2009.

SALLES, Paulo de Tarso; DUDEQUE, Norton (Orgs.). Villa-Lobos, um compêndio: novos desafios interpretativos. Curitiba: Editora UFPR, 2017.

STRAUS, Joseph. Introdução à teoria pós-tonal. 3. ed. São Paulo: Editora da Unesp; Salvador, Edufba, 2013.

SUZIGAN, Maria Lúcia Cruz. Tom Jobim e a moderna música popular brasileira – os anos 1950/60. 2011. 175 f. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

TYMOCZKO, Dmitri. A geometry of music: harmony and counterpoint in the extended common practice. New York: Oxford University Press, 2011.

TOM JOBIM – As nascentes. 53’47”. TV Cultura Digital. YouTube. 2017. Disponível em: <https://bit.ly/2O4HOaz>. Acesso em: 11 jul. 2018.

VENTURA, Zuenir. 3 Antônios e 1 Jobim – histórias de uma geração: o encontro de Antônio Callado, Antônio Candido, Antônio Houaiss, Antônio Carlos Jobim. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1993.

WOLFF, Daniel. Tênues diferenças: canções populares de Tom Jobim escondem referências a Villa-Lobos e ao romantismo enquanto obras sinfônicas assumem os acordes da bossa nova. Continente Multicultural, Recife, n. 73, 2007. Disponível em: <https://bit.ly/2O9kMzb>. Acesso em: 08/10/2018.

Publicado
2018-09-13
Como Citar
Ripke, J. (2018). Villa-Lobos e Tom Jobim. Revista Da Tulha, 4(1), 35-68. https://doi.org/10.11606/issn.2447-7117.rt.2018.148725
Seção
Artigo