Ureteroscópio flexível reutilizável versus de uso único: análise de custo para modelo de decisão

  • Giovanni Scala Marchini Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP Glickman Urological and Kidney Institute, Cleveland Clinic, Cleveland, Ohio http://orcid.org/0000-0003-4334-9803
  • Fábio César Miranda Torricelli Divisao de Urologia, Hospital das Clínicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP Glickman Urological and Kidney Institute, Cleveland Clinic, Cleveland, Ohio http://orcid.org/0000-0002-5845-0894
  • Manoj Monga Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP Glickman Urological and Kidney Institute, Cleveland Clinic, Cleveland, Ohio
  • Carlos Alfredo Batagello Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP Glickman Urological and Kidney Institute, Cleveland Clinic, Cleveland, Ohio
  • Fábio Carvalho Vicentini Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP
  • Alexandre Danilovic Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP http://orcid.org/0000-0002-6963-6117
  • Miguel Srougi Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP http://orcid.org/0000-0002-4545-0596
  • William Carlos Nahas Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP http://orcid.org/0000-0002-7395-8370
  • Eduardo Mazzucchi Divisao de Urologia, Hospital das Clinicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, SP http://orcid.org/0000-0003-3870-5922
Palavras-chave: Ureteroscopia, Ureterosocopia/instrumentação, Nefrolitíase, Análise custo-benefício, Reutilização de equipamento/enconomia, Reciclagem/econômia.

Resumo

Objetivo: As melhorias significativas nos ureterorrenoscópios flexíveis tornaram a ureteroscopia flexível a principal modalidade de tratamento para as patologias de trato urinário superior. O objetivo deste estudo foi avaliar criticamente toda a literatura sobre a custo-efetividade da ureteroscopia flexível comparando aparelhos de uso único com reutilizáveis. Métodos: Uma revisão sistemática da literatura online foi realizada nas bases de dados PubMed, Embase e Google Scholar. Dois urologistas distintos (GSM e FCT) realizaram a pesquisa online e revisaram todos os trabalhos considerados adequados e relevantes para esta análise. Devido à escassez de publicações de alta qualidade, não apenas as avaliações prospectivas, mas também os estudos de casos e séries de casos foram incluídos na análise final. Todos os fatores que potencialmente afetam os custos cirúrgicos ou os desfechos clínicos foram considerados na análise. Resultados: foram encontrados 741 estudos com os termos previamente eleitos. Destes, 18 eram duplicados e 77 não tinham relação com procedimentos de urologia e foram excluídos. Dos restantes 646 estudos, 59 publicados entre 2000 e 2018 foram considerados relevantes para as consultas pré-definidas e foram selecionados para análise posterior. As taxas de complicações e livres de cálculo foram semelhantes entre os escopos de uso único e reutilizáveis. Em especial, a taxa de infecção do trato urinário após ureteroscopia flexível não é inferior se um dispositivo de uso único for usado em vez de um reutilizável. O tempo cirúrgico foi em média 20% menor se um ureteroscópio digital foi usado, seja de uso único ou não. Há uma sugestão de que a curva de aprendizado é mais curta com dispositivos de uso único, mas isso não é consistente na literatura. A experiência do cirurgião afeta a longevidade do aparelho flexível. Os aparelhos digitais reutilizáveis parecem durar mais que os ópticos, embora a longevidade seja muito variável em todo o mundo. Os novos ureteroscópios costumam durar de três a quatro vezes mais do que os recondicionados e os ureterorrenoscópios de uso único apresentam boa resiliência em casos longos. Tanto o método de esterilização como o processo de limpeza impactam a longevidade do aparelho, sendo os melhores resultados alcançados com o Cidex e uma enfermeira dedicada para cuidar do processo de esterilização. Os principais fatores que impactam negativamente a longevidade do dispositivo em relação ao paciente e à doença são patologias do polo inferior, grande volume de cálculo e não uso de uma bainha de acesso ureteral. Conclusões: A relação custo-efetividade de um programa de ureteroscopia flexível é dependente de vários aspectos que devem ser considerados ao se decidir se deve escolher entre ureterorrenoscópio de uso único e reutilizável. Os dispositivos descartáveis já são uma realidade e se tornarão progressivamente o padrão a partir do momento que o preço de fabricação cair significativamente.

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Publicado
2018-07-18
Como Citar
Marchini, G. S., Torricelli, F. C., Monga, M., Batagello, C. A., Vicentini, F., Danilovic, A., Srougi, M., Nahas, W. C., & Mazzucchi, E. (2018). Ureteroscópio flexível reutilizável versus de uso único: análise de custo para modelo de decisão. Revista De Medicina, 97(3), 323-333. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v97i3p323-333
Seção
Artigos/Articles