Ureteroscópio flexível reutilizável versus de uso único: análise de custo para modelo de decisão

Palavras-chave: Ureteroscopia, Ureterosocopia/instrumentação, Nefrolitíase, Análise custo-benefício, Reutilização de equipamento/enconomia, Reciclagem/econômia.

Resumo

Objetivo: As melhorias significativas nos ureterorrenoscópios flexíveis tornaram a ureteroscopia flexível a principal modalidade de tratamento para as patologias de trato urinário superior. O objetivo deste estudo foi avaliar criticamente toda a literatura sobre a custo-efetividade da ureteroscopia flexível comparando aparelhos de uso único com reutilizáveis. Métodos: Uma revisão sistemática da literatura online foi realizada nas bases de dados PubMed, Embase e Google Scholar. Dois urologistas distintos (GSM e FCT) realizaram a pesquisa online e revisaram todos os trabalhos considerados adequados e relevantes para esta análise. Devido à escassez de publicações de alta qualidade, não apenas as avaliações prospectivas, mas também os estudos de casos e séries de casos foram incluídos na análise final. Todos os fatores que potencialmente afetam os custos cirúrgicos ou os desfechos clínicos foram considerados na análise. Resultados: foram encontrados 741 estudos com os termos previamente eleitos. Destes, 18 eram duplicados e 77 não tinham relação com procedimentos de urologia e foram excluídos. Dos restantes 646 estudos, 59 publicados entre 2000 e 2018 foram considerados relevantes para as consultas pré-definidas e foram selecionados para análise posterior. As taxas de complicações e livres de cálculo foram semelhantes entre os escopos de uso único e reutilizáveis. Em especial, a taxa de infecção do trato urinário após ureteroscopia flexível não é inferior se um dispositivo de uso único for usado em vez de um reutilizável. O tempo cirúrgico foi em média 20% menor se um ureteroscópio digital foi usado, seja de uso único ou não. Há uma sugestão de que a curva de aprendizado é mais curta com dispositivos de uso único, mas isso não é consistente na literatura. A experiência do cirurgião afeta a longevidade do aparelho flexível. Os aparelhos digitais reutilizáveis parecem durar mais que os ópticos, embora a longevidade seja muito variável em todo o mundo. Os novos ureteroscópios costumam durar de três a quatro vezes mais do que os recondicionados e os ureterorrenoscópios de uso único apresentam boa resiliência em casos longos. Tanto o método de esterilização como o processo de limpeza impactam a longevidade do aparelho, sendo os melhores resultados alcançados com o Cidex e uma enfermeira dedicada para cuidar do processo de esterilização. Os principais fatores que impactam negativamente a longevidade do dispositivo em relação ao paciente e à doença são patologias do polo inferior, grande volume de cálculo e não uso de uma bainha de acesso ureteral. Conclusões: A relação custo-efetividade de um programa de ureteroscopia flexível é dependente de vários aspectos que devem ser considerados ao se decidir se deve escolher entre ureterorrenoscópio de uso único e reutilizável. Os dispositivos descartáveis já são uma realidade e se tornarão progressivamente o padrão a partir do momento que o preço de fabricação cair significativamente.

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Publicado
2018-07-18
Como Citar
Marchini, G. S., Torricelli, F. C., Monga, M., Batagello, C. A., Vicentini, F., Danilovic, A., Srougi, M., Nahas, W. C., & Mazzucchi, E. (2018). Ureteroscópio flexível reutilizável versus de uso único: análise de custo para modelo de decisão. Revista De Medicina, 97(3), 323-333. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v97i3p323-333
Seção
Artigos/Articles