Avaliação oftalmológica de um grupo de motoristas profissionais de Campinas, São Paulo

  • Lucas Barasnevicius Quagliato Instituto Penido Burnier, Campinas, SP.
  • Carla Beatriz Carneiro da Cunha Soares Instituto Penido Burnier, Campinas, SP.
  • Marcus Vinícius Carneiro da Cunha Soares
  • Carla Júlia Segre Faiman Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho
Palavras-chave: Acuidade visual, Condução de veículos/estatística & dados numéricos, Transtornos da visão/diagnóstico, Registros médicos.

Resumo

Os condutores profissionais de veículos automotoresnecessitam de uma acuidade visual adequada, pois a visão é o elemento mais importante do ato de dirigir. OBJETIVO: avaliar as condições visuais de um grupo de 100 motoristas profissionais de Campinas, SP. MÉTODO: Nesse estudo retrospectivo foram revisados 100 prontuáriosoftalmológicos de motoristas profissionais em atividade, atendidos na Fundação Dr. João Penido Burnier, em Campinas,SP, Brasil, de 2006 a 2011. RESULTADOS: A média de idade dos profissionais foi de 52,8 anos, sendo todos do sexo masculino. As principais razões que motivaram a consulta foram avaliação periódica (36,8%) e queixa de baixa acuidade visual (33,6%). Relataram comorbidades sistêmicas 44%, sendo as mais prevalentes hipertensão arterial e diabetes Apresentaram 100% de visão 47% dos sujeitos e em 69,4% a visão foi igual ou superior a 0,66, avaliando-se cada olho separadamente. A acuidade visual foi inferior a 0,5 em um dos olhos em 22,1% dos motoristas. A afecção oftalmológica mais prevalente foi opacificação do cristalino (44,2%) e 16,8% delas tinham indicação de tratamento cirúrgico da catarata. Glaucoma ocorreu em 3,1%, pterígeo em 5,2%, pinguécula em 6,3% e aumento da pressão intraocular em 8,6%. A fundoscopia foi normal em 53,6% dos pacientes. As principais alterações do fundo de olho foram nervo óptico com escavação suspeita (10,5%), retinopatia diabética (8,4%), doença macular relacionada à idade (6,3%), retinopatia hipertensiva (3,1%), cicatrizes de corioretinite (3,1%), descolamento de retina (3,1%), coroidose miópica (3,1%) e hemorragia vítrea (2,1%). CONCLUSÕES: nesse grupo de motoristas profissionais as deficiências visuais apresentaram uma prevalência muito maior do que seria ideal nessa profissão. Pelo menos22,1% dos motoristas não poderiam ser profissionais, por não enxergarem 0,5 em um dos olhos. O número de motoristas que seriam reprovados nas categorias C, D e E possivelmente seria maior se fossem submetidos a uma perícia.

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Biografia do Autor

Lucas Barasnevicius Quagliato, Instituto Penido Burnier, Campinas, SP.
Médico especialista em Medicina do Tráfego pela USP, terceiro ano de especialização em Oftalmologia pelo Instituto Penido Burnier, Campinas, SP.
Carla Beatriz Carneiro da Cunha Soares, Instituto Penido Burnier, Campinas, SP.
Médica especialista em Medicina do Tráfego pela USP, segundo ano de especialização em Oftalmologia pelo Instituto Penido Burnier, Campinas, SP
Marcus Vinícius Carneiro da Cunha Soares
Médico especialista em Medicina do Tráfego pela USP.
Carla Júlia Segre Faiman, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho
Psicóloga do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da USP. Doutora em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da USP.
Publicado
2012-12-18
Como Citar
Quagliato, L., Soares, C. B., Soares, M. V., & Faiman, C. J. (2012). Avaliação oftalmológica de um grupo de motoristas profissionais de Campinas, São Paulo. Revista De Medicina, 91(4), 261-266. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v91i4p261-266
Seção
Artigos