Ambiente médico: o impacto da má notícia em pacientes e médicos – em direção a um modelo de comunicação mais efetivo

Autores

  • Ariadne Juna Fernandes do Prado Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.
  • Ediane Arimatéa Silva Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.
  • Vinícius Anjos de Almeida Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.
  • Renério Fráguas Júnior Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v92i1p13-24

Palavras-chave:

Revelação da verdade, Comunicação, Educação médica, Estresse psicológico, Relações médico-paciente.

Resumo

As más notícias fazem parte da rotina dos médicos, no entanto, seu impacto em ambos os médicos e paciente, não é bem conhecido. Com esse conhecimento, os médicos seriam capazes de transmitir estas notícias de forma mais eficaz. O objetivo deste estudo é revisar o impacto fisiológico e psicológico das más notícias em ambos, médico e paciente, e estratégias para melhorar as habilidades de comunicação e minimizar estes efeitos. Ao transmitir uma má notícia, médicos podem ter um aumento na frequência cardíaca, pressão arterial e débito cardíaco de forma tão expressiva que pode ser um fator de risco para hipertensão. Alterações nos níveis de cortisol e as respostas imunes também estão relacionadas a estas situações. Médicos relataram que dar más notícias envolve um risco de perder o controle de diferentes maneiras, com relação às emoções, profissionalismo e confiança. Em relação ao impacto nos pacientes, até o momento, nenhuma pesquisa investigou os efeitos fisiológicos; entretanto, os pacientes reagem com choro, seus “corpos podem agitar” e eles podem sentir uma “sensação de frio no estômago”. Os pacientes precisam de tempo para se adaptar a informação dada; eles querem que seus médicos sejam sensíveis e respondam as suas perguntas no mesmo dia, dando-lhes a sensação de que eles estão sabendo de tudo. Dados mostram desde os que de estudantes de medicina a médicos experientes sentem desconforto e despreparo em transmitir más notícias. Isso enfatiza a necessidade de um modelo eficiente para o desenvolvimento de habilidade na revelação. Questões pessoais, institucionais, de treinamento e linguagem vêm sendo reconhecidas como potenciais barreiras para a transmissão de más notícias. Estratégias que estão sendo desenvolvidas para melhorar a transmissão de más notícias incluem o uso de diretrizes como o SPIKES e programas de treinamento intensivo. Tais estratégias têm sido comprovadas para minimizar o impacto em ambos, pacientes e médicos. Assim, é necessária a inclusão destas estratégias na graduação de medicina, residência e programas de treinamento médico.

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Biografia do Autor

Ariadne Juna Fernandes do Prado, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.

Acadêmica de Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Ediane Arimatéa Silva, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.

Acadêmica de Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Vinícius Anjos de Almeida, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.

Acadêmico de Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Renério Fráguas Júnior, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina.

Supervisor dos acadêmicos, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Endereço para correspondência: Renério Fraguas Júnior. Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, Departamento de Psiquiatria. Rua: Dr. Ovídio Pires de Campos s/n - Térreo - sala 4 - Grupo de Interconsultas do IPq HC-FMUSP. Cerqueira César. 05403-010 - São Paulo, SP - Brasil. e-mail: fraguasr@gmail.com

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Publicado

2013-03-20

Como Citar

Prado, A. J. F. do, Silva, E. A., Almeida, V. A. de, & Fráguas Júnior, R. (2013). Ambiente médico: o impacto da má notícia em pacientes e médicos – em direção a um modelo de comunicação mais efetivo. Revista De Medicina, 92(1), 13-24. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v92i1p13-24

Edição

Seção

Artigos