Paisagens transformadas: a arqueologia de povos Jê no Paraná, sul do Brasil

Autores

  • Claudia Inês Parellada Museu Paranaense.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2016.137300

Palavras-chave:

Arqueologia do Paraná, Ceramistas Itararé-Taquara, Arqueologia da paisagem, Arqueologia Jê, Arte rupestre

Resumo

No estudo foram analisados sítios Itararé-Taquara no Paraná, especialmente paleo-aldeias e abrigos-sob-rocha, em relação à estrutura e à transformação da paisagem, discutindo dados geoarqueológicos e cronológicos, de 4.000 a 600 anos atrás. A disposição espacial de aldeias, habitações e áreas sagradas em relação ao relevo, a mobilização de terra com a construção de aterros com formatos circulares a lineares, a escavação de estruturas semi-subterrâneas, com funções variadas, permitem refletir sobre aspectos simbólicos dos povos Jê pré-coloniais no Paraná, sul do Brasil. Além disso, o uso de monolitos para observação astronômica visava uma melhor compreensão dos ciclos da natureza que refletia numa agricultura mais produtiva. No alto Ribeira, houve uma concentração Jê, entre 1000 e 700 anos atrás, com paisagens ocupadas, na planície litorânea ou em relevo montanhoso, com grandes desníveis altimétricos, através de domínio dos diferentes tipos de solos e rochas. Alguns locais foram selecionados e transformados para marcar o controle e o domínio do território, e assim perpetuar uma memória mítica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Araújo, A.G.M. 2001. Teoria e método em arqueologia regional: um estudo de caso no alto
Paranapanema, estado de São Paulo. Tese de
doutorado. Faculdade de Letras, Filosofia
e Ciências Humanas, Universidade de São
Paulo, São Paulo.
Araújo, A.G.M. 2007. A tradição cerâmica
Itararé-Taquara: características, áreas de
ocorrência e algumas hipóteses sobre a expansão dos grupos Jê no sudeste do Brasil.
Revista de Arqueologia (SAB), 20: 9-38.
Beber, M.V. 2004. O sistema de assentamento
dos grupos ceramistas do planalto sul-brasileiro:
o caso da tradição Taquara/ Itararé. Tese de
Doutorado. UNISINOS, São Leopoldo.
Bauermann, S.G. & Behling, H. 2009. Dinâmica paleovegetacional da floresta com
Araucária a partir do final do Pleistoceno:
o que mostra a palinologia. In: Fonseca,
C.R. et al. (Ed.). Floresta com Araucária:
ecologia, conservação e desenvolvimento sustentável. Ribeirão Preto, Holo, 35-44.
Borba, T.M. 1908. Actualidade indígena. Coritiba, Impressora Paranaense.
Chmyz, I. 1968a. Breves notas sobre petroglifos no segundo planalto paranaense,
sítio PR UV 5. Revista do CEPA-UFPR, 1:
53-63.
Chmyz, I. 1968b. Considerações sobre duas
novas tradições ceramistas arqueológicas
no Estado do Paraná. Pesquisas, Antropologia, 18: 115-125.
Chmyz, I. 1981. Relatório das pesquisas arqueológicas realizadas na área da Usina Hidrelétrica
de Salto Santiago (1979-80). Florianópolis/
Curitiba, ELETROSUL/ IPHAN.
Chmyz, I. 1995. Arqueologia de Curitiba.
Boletim Casa Romário Martins, 21: 3-54.
Chmyz, I. & Sauner, Z.C. 1971 Nota prévia
sobre as pesquisas arqueológicas no vale do
Piquiri. Dédalo, 13: 7-36.
Chmyz, I.; Sganzerla, E.M. & Volcov, J.E. 1999.
Arqueologia da área prioritária do projeto
hidroelétrico Tijuco Alto, rio Ribeira, São Paulo,
Paraná. Curitiba, CEPA.
Chmyz, I.; Sganzerla, E.M.; Volcov, J.E.; Bora,
E.; Ceccon, R.S. 2008. A arqueologia da
LT 750kV Ivaiporã-Itaberá III, Paraná-São
Paulo. Arqueologia, UFPR, 5: 1-305.
Chmyz, I.; Sganzerla, E.M.; Volcov, J.E.; Bora,
E.; Ceccon, R.S. 2009. A arqueologia da
Mina Dois Irmãos, em São Mateus do Sul
-Paraná. Arqueologia, UFPR, 6: 1-147.
Iriarte, J.; Copé, S.M.; Fradley, M.; Lockhart,
J.J.; Gillam, J.C. 2013. Sacred landscapes of
the southern Brazilian highlands: understanding southern proto-Jê mound and
enclosure complexes. Journal of Anthropological Archaeology, 32 (1): 74-96.
Laming, A. & Emperaire, J. 1959. A jazida de
José Vieira, um sítio Guarani e pré-cerâmico do interior do Paraná. Arqueologia UFPR,
1: 1-148.
Lanata, J.L. 1997. Los componentes del paisaje
arqueológico. Revista de Arqueologia Americana, 13: 151-165.
Langer, J. & Santos, S.F. 2002. Petróglifos e
megálitos no médio rio Iguaçu (PR/ SC).
Ensino & Pesquisa, UNESPAR, 1 (1): 74-100.
Maack, R. 1968. Geografia física do Estado do
Paraná. Curitiba, Papel. Max Roesner.
Mca I Manuscritos da Coleção De Angelis I.
1951 Jesuítas e Bandeirantes no Guairá (1549-
1640). Introdução por Jaime Cortesão. Rio
de Janeiro, Biblioteca Nacional.
Mota, L.T. 1998. O aço, a cruz e a terra: índios e
brancos no Paraná provincial (1853-1889). Tese
de doutorado. UNESP, Assis.
Mota, L.T.; Tomasino, K.; Nanni, R.; Noelli,
F.S. 2005. Monumentos arqueológicos na
Serra do Cadeado, Paraná. [CD-ROM].
Anais do 13 Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB). Campo Grande.
Morales, N. (org.). 2012. Projeto neotectônica do
Brasil - região Sul. Curitiba, UFPR-UNESP.
Neves, W.A. 1988. Paleogenética dos grupos pré
-históricos do litoral sul do Brasil (Paraná e
Santa Catarina). Pesquisas (Antropologia), 43:
1-178.
Nimuendaju, C. 1981. Mapa etno-histórico de
Curt Nimuendaju. Rio de Janeiro, IBGE.
Noelli, F.S.; Mota, L.T.; Silva, F.A. 1996. Pari:
armadilha de pesca no sul do Brasil e arqueologia. Coleção arqueologia, Porto Alegre,
1 (2): 435-446.
Parellada, C.I. 2003. Pinturas rupestres no centro-leste e nordeste paranaense [CD-ROM].
Anais do XII Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), São Paulo.
Parellada, C.I. 2005 Estudo arqueológico no alto
vale do rio Ribeira: área do gasoduto Bolívia
-Brasil, trecho X, Paraná. Tese de Doutorado.
Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.
Parellada, C.I. 2007. Arqueologia dos Campos
Gerais. In: MELO, M.S. et al. (Org.) Patrimônio natural dos Campos Gerais do Paraná.
Ponta Grossa, Editora UEPG, 163-170.
Parellada, C.I. 2008. Tecnologia e estética da
cerâmica Itararé-Taquara no Paraná: dados
etno-históricos e o acervo do Museu Paranaense. Revista de Arqueologia, 21 (1): 97-111.
Parellada, C.I. 2009. Arte rupestre no Paraná.
Revista da FAP, 5: 73-89.
Parellada, C.I. 2015. Arte rupestre no Paraná:
novas discussões. Revista Tecnologia e Ambiente, 21 (1): 45-69.
Renfrew, C. & Bahn, P.G. 1998. Arqueologia:
teoria, métodos y prática. Madrid: Akal.
Robrahn, E.M. 1989. A ocupação pré-colonial
do vale do rio Ribeira de Iguape, SP: os grupos
ceramistas do médio curso. Dissertação de
mestrado. Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas, Universidade de São
Paulo, São Paulo.
Saldanha, J.D.M. 2005. Paisagem, lugares e cultura material: uma arqueologia espacial nas terras
altas do sul do Brasil. Dissertação de mestrado. PUCRS, Porto Alegre.
Schmitz, P.I. 1988 As tradições ceramistas do
planalto sul-brasileiro. Documentos, 2: 75-130.
Schmitz, P.I. 1991. Áreas arqueológicas do litoral
e do planalto do Brasil. Revista do Museu de
Arqueologia e Etnologia, São Paulo, 1: 13-20.
Schmitz, P.I. & Rogge, J. H. 2008. Um sítio da
tradição cerâmica Aratu em Apucarana, PR,
Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia,
São Paulo, 18: 47-68.
Sousa, G.S. 1987. Tratado descritivo do Brasil em
1587. São Paulo, Cia Editora Nacional.
Souza, J.G. & Merencio, F.T. 2013. A diversidade dos sítios arqueológicos Jê do Sul do
Estado do Paraná. Cadernos do LEPAARQ,
10 (20): 93-130.
Staden, H. 2000. Duas viagens ao Brasil. São
Paulo, Beca.
Taunay, A.E. 1924. História geral das bandeiras
paulistas, t. I, São Paulo, Typografia Ideal.
Urban, G. 1992. A história da cultura brasileira
segundo as línguas nativas. In: Carneiro da
Cunha, M. História dos índios no Brasil. São
Paulo, Cia das Letras, 87-102

Downloads

Publicado

2016-12-24

Como Citar

Parellada, C. I. (2016). Paisagens transformadas: a arqueologia de povos Jê no Paraná, sul do Brasil. Revista Do Museu De Arqueologia E Etnologia, (27), 158-167. https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2016.137300