Memorial da Resistência: um instrumento de políticas de memória, de educação em direitos humanos e de luta contra o esquecimento

Autores

  • Alessandro Soares da Silva Universidade de São Paulo
  • Victória Lustosa Braga Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.11606/rgpp.v9i1.176278

Palavras-chave:

Ditadura militar, Lugares de memória, Ação pública, Justiça de transição, Políticas públicas de memória

Resumo

O presente artigo analisa o Memorial da Resistência de São Paulo como lugar de memória que ocupa um papel relevante nas políticas de memória e enfrentamento Nossa análise se dá a partir das noções de justiça, memória e verdade que conformam a ideia de justiça transicional. A criação do Memorial da Resistência de São Paulo é estratégica para que a história, a memória e a educação em direitos humanos possa contribuir na transmissão geracional e na reforma das instituições que sustentaram a ditadura brasileira, pois no instante em que outras visões do passado são reconhecidas e apresentadas à população, novas legitimidades são constituídas e a polissemia da verdade ganha vida e permite que um passado autoritário e antidemocrático se repita. Assim o memorial se constitui como um espaço de produção de consciência política e um instrumento de ação pública. Nesse sentido, o artigo possibilita refletir sobre em que medida um espaço museológico voltado à memória da ditadura militar é capaz de fornecer um conhecimento sobre as violações desse período que reflita diretamente em lutas e ações contínuas na defesa de direitos e de combate ao esquecimento e ao oficialismo.

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Biografia do Autor

Alessandro Soares da Silva, Universidade de São Paulo

Filósofo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil, mestre e doutor em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil, e Livre Docente em Economia, Gestão e Políticas Públicas na área de Sociedades Complexas, Multiculturalismo e Direitos pela Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Atualmente é Professor Associado 1, docente no Bacharelado em Gestão de Políticas Públicas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social do Instituto de Psicologia, líder do Grupo de Estudos e pesquisas em Psicologia Política, Políticas Públicas e Multiculturalismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Victória Lustosa Braga, Universidade de São Paulo

Graduanda em Gestão de Políticas Públicas e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicologia Política, Políticas Públicas e Multiculturalismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

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Publicado

2019-08-16 — Atualizado em 2019-08-16

Como Citar

Silva, A. S. da, & Braga, V. L. (2019). Memorial da Resistência: um instrumento de políticas de memória, de educação em direitos humanos e de luta contra o esquecimento. Revista Gestão & Políticas Públicas, 9(1), 101-122. https://doi.org/10.11606/rgpp.v9i1.176278