Cena de conflitos entre exploração, preservação e patrimonialização da natureza: o caso de Chapada Gaúcha

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-4506.v18i2p50-64

Palavras-chave:

Cerrado, Agrobusiness, Preservação, Desenvolvimento territorial

Resumo

A Chapada Gaúcha é uma cidadezinha rural do norte semiárido do Estado de Minas Gerais (Brasil). É o cenário de confrontos de representações da natureza completamente opostas: grandes cooperativas agrícolas que exportam monoculturas (soja, capim, gado), a sede do Parque Nacional Grande Sertão-Veredas, um território de propulsão do Mosaico de áreas protegidas Sertão Veredas-Peruaçu que apoia atividades de desenvolvimento sustentável, como o extrativismo vegetal sustentável do cerrado. A natureza é vista tanto como um recurso para explorar (para os gaúchos), um complexo natural, a preservar (para os naturalistas) ou um sistema eco-social para conservar (para os defensores das comunidades locais e seus usos tradicionais de recursos naturais). Os usos permitidos ou não do cerrado geram acessos diferenciados à natureza e muitos conflitos entre: agricultores intensivos, naturalistas e comunidades locais / agricultores familiares; cujas estratégias e ações são desiguais. O estabelecimento do Mosaico de Áreas Protegidas permite um diálogo territorial construtivo e inicia um esforço de planejamento regional para realmente regular a antropização do território e reduzir formas predatórias para ambientes naturais e, portanto, desigualdades sociais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

D’ABBUNDO A., 2018. Avec Bolsonaro, le champ est libre pour l’agrobusiness au Brésil. La Croix, le 26/11/2018.

ACSERALD, H., 2010. As práticas espaciais e o campo dos conflitos ambientais. In Acselrad, H. (Org.), Conflitos ambientais no Brasil, Rio de Janeiro, Relume, pp. 7-12.

AGUIAR L.; MACHADOR R.; FRANÇOSO R.; FERREIRA G.; NEVES A.C.; FERNANDES G.W.; PEDRONI F.; LACERDAM M.; SILVA J.; BUSTAMANTEM M.; DINIZ S.; 2015. Cerrado, terra incógnita do século 21, Ciência Hoje, octobre 2015, pp. 3237.

BARBOSA, G.T.O; MARQUES, F. C.; MEYER G., 2015. Entidades performáticas e desestabilização: o desenvolvimento local para além do mainstream, Interações, Campo Grande, MS, v.17, nº1, pp. 33-35, jan./mar/2015.

BERTRAND N.; MOQUAY P.; 2004. La gouvernance locale, un retour à la proximité. Economie Rurale, n°280, p.77-95.

BRASIL, 2000, Decreto Nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, Brasília: Diário Oficial.

BRASIL, 2002, Decreto Nº. 4.340 de 23 de agosto de 2002, regulamenta os artigos da Lei Nº. 9.985, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, Brasília: Diário Oficial.

CAMPOS, D. S., 2013. Quando a mata se torna Atlântica: dilemas da gestão integrada de Mosaicos de Áreas Protegidas. Dissertação do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

DELELIS C. J.; REHDER T.; Cardoso Mota, T.; 2010. Mosaïques d’aires protégées réflexions et propositions de la coopération franco-brésilienne. Brasília, Ministério do Meio Ambiente, Embaixada da França no Brasil - CDS UnB.

HEREDIA, B.; Palmeira, M.; Leite. S.P.; 2010. A sociedade e economia do “agronegócio. RBCS, vol.25, no. 74, out/2010, pp. 159-196.

GATINOIS, C., 2019. Au Brésil, la mise en place d’une politique de destruction de l’environne-ment. Le Monde, Le 2/05/2019.GUICHARD-ANGUIS, S. et HÉRITIER, S., 2008. Le patrimoine naturel entre culture et ressource, Ed. L’Harmattan, Paris, 149 p.

JACINTO, A. B., 1998. Afluentes da memória: Itinerários, Taperas e Histórias no Parque Nacional Grande Sertão Veredas. Dissertação, Faculdade de Ciências Sociais, Campinas: Universidade de Campinas, 182p.

LEFEBVRE H., 1983. La presencia y la ausencia: contribución a la teoría de las representaciones, Madrid: Morata, 244 p.

LELOUP F.; MOYART L.; PECQUEUR B., 2005. La gouvernance territoriale comme nouveau mode de coordination territoriale ?.Géographie, économie, société, v.7, n.4, pp. 321331.

LOCATEL, C.; Lima, F. L.; 2017. Agronegócio e poder político: políticas agrícolas e o exercício do poder no Brasil, Sociedade e Território, v. 28, n. 2, pp. 57-81

MEDEIROS, C. P., 2010. No rastro de quem anda: comparações entre o tempo do Parque e o hoje em um assentamento no noroeste mineiro, Tese de Doutorado em Antropologia Social, Rio de Janeiro: PPGAS/Museu Nacional/UFRJ.

MEYER, G., 2015. O campo artístico-cultural em terras de Guimarães: uma entrada para o desenvolvimento. Doutorado em Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, 257 p.

MORÈRE, L., 2017. La participation institutionnelle dans les espaces protégés habités – Quelles contributions à l’éco-acteurisation et au développement territorial ? Regards croisés sur six initiatives de développement du Parc naturel régional Scarpe-Escaut (France) et de la Mosaïque Sertão Veredas-Peruaçu (Brésil). Thèse de doctorat, Université Lille 1 et Université Fédérale du Minas Gerais, Lille, 555 p.

SACCA, C. et CUBIZOLLZ, H., 2008. La patrimonialisation des zones humides : l’exemple de tourbières de l’Est de la France. In Sylvie Guichard-Anguis et Stéphane Héritier (Dir.), Le patrimoine naturel entre culture et ressource, Ed. L’Harmattan, Paris, pp.11-26.

SIMIONATTO, I. et COSTA, C. R., 2012. Como os dominantes dominam : o caso da bancada ruralista,Temporalis, Brasília (DF), v. 12, n. 24, pp. 215-237

THÉRY, H., 2004. La vague déferlante du soja brésilien. M@ppemonde, Maison de la géographie.

ZHOURI, A.; LASCHEFSKI, K. et PEREIRA D., 2005. A insustentável leveza da política ambiental: desenvolvimento e conflitos socioambientais, Belo Horizonte, Autêntica Editora.

Downloads

Publicado

2020-09-01

Como Citar

Morère, L., Campos, D., & Pereira, D. (2020). Cena de conflitos entre exploração, preservação e patrimonialização da natureza: o caso de Chapada Gaúcha. Risco - Revista De Pesquisa Em Arquitetura E Urbanismo, 18(2), 50-64. https://doi.org/10.11606/issn.1984-4506.v18i2p50-64