PERÍMETRO CEFÁLICO: POR QUE MEDIR SEMPRE

  • Luzita M. L. Macchiaverni Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas - UNICAMP.
  • Antonio A. Barros Filho Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas - UNICAMP.
Palavras-chave: Cefalometria. Transtornos da Nutrição Infantil. Desenvolvimento Infantil. Saúde Pública. Antropometria.

Resumo

Este trabalho procura revisar algumas observações relatadas na literatura, referentes ao perímetro cefálico, como as técnicas antropométricas, as curvas de referência, a tendência secular, sua relação com o crescimento cerebral, sua relação com a desnutrição precoce, com o desenvolvimento neuromotor e com algumas patologias da idade adulta, resgatando a pertinência de usá-lo, não só para avaliação nos três (3) primeiros anos de vida, mas, também, em idades posteriores, como indicador de agravos nutricionais no início da vida. Os autores descrevem as características do crescimento cerebral, que diferentemente de outras partes do corpo, tem 83,6% de seu crescimento completado dentro do primeiro (1º) ano de vida. Assim sendo, o perímetro cefálico (P.C.) é uma medida antropométrica que pode fornecer dados sobre a nutrição ocorrida nos dois (2) primeiros anos de vida. Assinalando os períodos de maior vulnerabilidade do cérebro humano, e os insultos nutricionais, apontam as evidências das seqüelas da desnutrição precoce para o cérebro, como a redução da massa cerebral, redução do número de células gliais, de células granulosas cerebelares, de Purkinje e do tamanho das redes, dos padrões de ramificação e do número de sinapses. Apresentam estudos realizados em populações que sofreram desnutrição nos dois (2) primeiros anos de vida e que mostram prejuízo no potencial para o desenvolvimento neuromotor, que é agravado ou minimizado pelas condições ambientais. Estudos recentes sugerem que a desnutrição precoce está correlacionada com o aumento das doenças cardiovasculares na idade adulta, conseqüente aos mecanismos de adaptação da gestante e do lactente à situação nutricional. O perímetro cefálico menor também é fator de risco para a instalação mais precoce e gravidade da doença de Alzheimer, em adultos predispostos. Os autores recomendam que a medida do perímetro cefálico conste em estudos de avaliação de saúde e nutrição populacionais, ao lado de outras medidas antropométricas comumente usadas.

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Biografia do Autor

Luzita M. L. Macchiaverni, Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas - UNICAMP.
Assistente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas - UNICAMP.
Antonio A. Barros Filho, Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas - UNICAMP.
Docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas - UNICAMP.
Publicado
1998-12-30
Como Citar
Macchiaverni, L., & Barros Filho, A. (1998). PERÍMETRO CEFÁLICO: POR QUE MEDIR SEMPRE. Medicina (Ribeirao Preto. Online), 31(4), 595-609. https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v31i4p595-609
Seção
Revisão