O Turismo em Ruínas e sua Relação com as Categorias do Método Geográfico

uma análise a partir da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Sabará, MG, Brasil

Autores

  • José Ângelo Carneiro Universidade Federal Fluminense
  • Valéria Lima Guimarães Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v30i1p98-116

Palavras-chave:

Ruínas, Espaço urbano, Categorias do método geográfico, Turismo em ruínas, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Sabará-MG

Resumo

Este artigo aborda as ruínas sob o ponto de vista das categorias do método geográfico, considerando os processos que levam à modificação de sua forma, função e estrutura. O objetivo foi entender as ruínas como elementos ativos na composição das paisagens e de que maneira elas interferem na dinâmica das cidades. Para tal, realizou-se um levantamento teórico-bibliográfico, cuja intenção foi provocar reflexões acerca do papel das ruínas no contexto urbano, vislumbrando novas possibilidades de usos; notadamente, o uso turístico. Sob a denominação de turismo em ruínas, este estudo apresenta uma forma diferenciada de olhar este tipo de patrimônio tão ameaçado e pouco valorizado nas cidades. Com o intuito de aclarar tais ideias, foram utilizados os conceitos sugeridos por Milton Santos sobre as categorias do método geográfico que abarcam forma, função, processo e estrutura, que alinhados à proposta estética de Walter Benjamim e à filosófica de Georg Simmel contribuem para a desmistificação das ruínas como meros restos de edificações sem valor no tecido urbano. Ilustrando este artigo, temos as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Sabará-MG, como objeto empírico e elucidativo, que deu o suporte necessário para a compreensão das ruínas como elementos relevantes para o turismo no espaço urbano.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

José Ângelo Carneiro, Universidade Federal Fluminense

Mestre em Turismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. Docente do curso Técnico em Turismo do Colégio Estadual João de Oliveira Botas, Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, Brasil

Valéria Lima Guimarães, Universidade Federal Fluminense

Doutora em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, Brasil. Docente do Programa de Pós-Graduação em Turismo da Universidade Federal
Fluminense (UFF), Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.

Referências

Bakhtin, M. (1998). Formas de tempo e de cronotopo no romance: Ensaio de poética histórica. In Questões de literatura e de estética: A teoria do romance (pp. 349-363). São Paulo, SP: Editora Unesp.

Benjamin, W. (1984). A origem do drama barroco alemão. (S. P. Rouanet, trad.). São Paulo, SP: Brasiliense.

Benjamin, W. (1987). Magia e técnica, arte e política: Ensaios sobre literatura e história da cultura (Obras escolhidas, 3a ed., Vol. 1). (S. P. Rouanet, trad.). São Paulo, SP: Brasiliense.

Benjamin, W. (1989). Charles Baudelaire: Um lírico no auge do capitalismo. In Obras Escolhidas III (pp. 112-154). São Paulo, SP: Brasiliense.

Carlos, A. F. A. (2007). O lugar no/do mundo. São Paulo, SP: Labur.

Coriolano, L. N. M. T., & Silva, S. B. M. (2005). Turismo e Geografia: Abordagens críticas (1a ed.). Fortaleza, CE: Eduece.

Feitosa, A. R. V. (2013). Ruínas e(m) memórias da(na) histórica Laranjeiras/SE. Comunicação apresentada no XXIX Congresso Latinoamericano de Sociología, Santiago, Chile.

Ferreira, A. B. H. (2010). Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (5a ed.). Curitiba: Positivo.

Fortuna, C. (2016). Património com Futuro… Ou sobre a resiliência das cidades. Revista Património, (4), 6-13.

Fratucci, A. C. (2008). A dimensão espacial nas políticas públicas brasileiras de turismo: As possibilidades das redes regionais de turismo. (Tese de doutorado), Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil.

Instituto Estrada Real. [ca. 2000]. Estrada Real: História. Recuperado de http://www.institutoestradareal.com.br/estradareal

Lowenthal, D. (1975). The past is a foreign country. Cambridge, UK: Cambridge Univ. Press.

Matos, O. (2007). Notas soltas sobre a “descoberta” da arqueologia no século XIX. Práxis Archaelogica, (2), 75-96.

Meneguello, C. (2003). Da construção das ruínas: Fragmentos e criação do passado histórico. Comunicação apresentada no XXII Simpósio Nacional de História da Anpuh, João Pessoa, PB, Brasil.

Nicolas, D. H. (2001). Elementos para uma análise sociogeográfica do turismo. In A. B. Rodrigues (Org.), Turismo e Geografia: Reflexões teóricas e enforques regionais (pp. 38-50). São Paulo, SP: Hucitec.

Nora, P. (1993). Entre memória e história: a problemática dos lugares. In Lugares de memória (pp. 7-28). (Obra original publicada em 1984).

Oliveira, E. A. (2012). A ruína e a força histórico-destrutiva dos fragmentos em Walter Benjamin. Cadernos Walter Benjamin, 9, 28-39.

Paiva, R. A. (2013). Sobre a relação turismo e urbanização. Pós, 20(33), 126-145.

Paraizo, M. A. (2006). As cidades folheadas de Borges e Benjamin. Interletras, 1(5), 1-10.

Santos, M. (1988). Espaço & método. São Paulo, SP: Nobel.

Santos, M. (1999). A natureza do espaço: Técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo, SP: Hucitec.

Saquet, M. A, & Silva, S. S. (2008). Milton Santos: concepções de geografia, espaço e território. Revista Geo Uerj, 2(18), 24-42.

Sarmento, J., & Pereira, R. (2019). Achados, diálogos e percepções: A vida informal das ruínas. In E. Brito-Henriques, C. Cavaco, M. Labastida (Orgs.), Ruínas e terrenos vagos: Explorações, reflexões e especulações (pp. 36-41). Lisboa, Portugal: Universidade de Lisboa.

Simmel, G. (2005). As ruínas. In J. Souza, B. Öelze (Orgs.), Simmel e a modernidade (2a ed., pp. 137-144). Brasília, DF: UnB.

Publicado

2020-04-28

Como Citar

Carneiro, J. Ângelo, & Guimarães, V. L. (2020). O Turismo em Ruínas e sua Relação com as Categorias do Método Geográfico: uma análise a partir da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Sabará, MG, Brasil. Revista Turismo Em Análise, 30(1), 98-116. https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v30i1p98-116

Edição

Seção

Artigos e Ensaios