Edição Atual

v. 10 n. 13 (2019): RUS - Revista de Literatura e Cultura Russa

Apresentar ao nosso leitor esta edição N. 13 da RUS – Revista de Literatura e Cultura Russa, reunindo um conjunto de ensaios que representam uma amostra exemplar do amplo leque temático coberto pelos estudos russos no Brasil, e também pesquisas desenvolvidas no exterior, constitui um motivo de grande satisfação e alegria para o Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura Russa da USP.  

Pela diversidade apresentada pelos ensaios, decidimos abrir este número com um artigo de Aurora Bernardini, por oferecer uma abordagem panorâmica sobre a pesquisa em Semiótica Russa desenvolvida na USP, que colocou em circulação no contexto brasileiro as ideias dos mais proeminentes estudiosos do chamado Estruturalismo Russo e Soviético dos estudos da Linguagem. Na mesma linha, abrimos a seção de traduções com o ensaio “O Mito e o Conto Maravilhoso”, de Eleazar Meletínski, em tradução de Ekaterina Vólkova Américo e Rafael Bonavina, em que o autor apresenta diferentes pontos de vista sobre a distinção entre mitos e contos (skazka) primitivos e propõe, como tentativa de síntese, um sistema de traços capaz de distinguir os dois gêneros narrativos.

Em sua contribuição a este número, Alessandro Niero reconstrói o envolvimento de Angelo Maria Ripellino com a tradução do poema “Lênin”, de Vladímir Maiakóvski, ressaltando a preocupação do tradutor com as características formais da obra, até mesmo em detrimento de seu conteúdo ideológico, talvez com o propósito de chamar a atenção do leitor para Maiakóvski mais como “poeta revolucionário” do que como “poeta da Revolução”. Em seguida, Arlete Cavaliere procura mostrar como as “extravagâncias futuristas” da dramaturgia maiakovskiana, moduladas pela poética cênica do diretor russo de vanguarda Vsévolod Meyerhold, levaram aos palcos soviéticos as experimentações teatrais mais inusitadas, até então inimagináveis.

No artigo “Uma tempestade que se esconde além das montanhas”, a autora, Cecília Rosas, analisa a correspondência mantida por Marina Tsvetáieva e Boris Pasternak, em que os autores muitas vezes fazem das cartas um laboratório poético, como que buscando constituir uma linguagem amorosa original. Em seguida, no ensaio “Dostoiévski e Graciliano Ramos: literaturas do subsolo”, Paulo Mendonça procura estabelecer um paralelo entre Memórias do subsolo e Angústia, obras que, a despeito da distância geográfica e temporal que separam seus autores, revelam estreitas ligações.

A contribuição de Diego Leite de Oliveira para este número da RUS, “Construções de cópula em russo”, reflete sobre o emprego da partícula “eto”. Ao investigar o conhecimento linguístico de falantes nativos do idioma, o autor busca identificar os contextos que de fato propiciam o uso do vocábulo eto. Já Ludmila Menezes Zwick, a partir do sistema de leis da estética na arte russa proposto por Vilayanur S. Ramachandran, procura dialogar com um possível método de leitura da pintura que possibilite a compreensão de parte do processo de elaboração de uma obra de arte. 

A seção de traduções traz ainda o ensaio “Sobre a música dos gordos”, de Maksim Górki. Traduzido por Érika da Silveira Batista, o texto reflete um posicionamento cristalizado pelos órgãos oficiais soviéticos em relação ao jazz e a fenômenos morais a ele atribuídos, considerados característicos da sociedade capitalista decadente, e expõe claramente a ideologia cultural da época stalinista. E, para fechar este número, oferecemos, em tradução de André Rosa, o poema de Nikolai Asseiév “Canção sobre Garcia Lorca”, composto em homenagem ao poeta espanhol. 

 

Fatima Bianchi

 

 

 

Publicado: 2019-06-12

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